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A Rua Lacerda Coutinho começa na Rua Tonelero e termina na Rua Santa Clara.
Local: Copacabana, Rio de Janeiro
Colaboradores: 1
Última atividade: 23 Set, 2012
A Rua Lacerda Coutinho começa na Rua Tonelero e termina na Rua Santa Clara



Foi também poeta satírico e erótico, mas a maior parte de sua obra só foi reunida postumamente (Rio, 1910).
Suas poesias eram populares, mas só foram editadas após a sua morte, como: Ovidianas e Páginas Soltas e Lendas Escandinavas, além de poemas eróticos. Deixou versos que continuam inéditos, como: Lendas escandinavas.
Lacerda Coutinho morreu aos 58 anos de idade, no dia 2 de novembro de 1900, no Rio de Janeiro.
Abaixo exemplos da poesia de Lacerda Coutinho:
O massapão (Oferecido ao colega Bob - Interessante notar que este pseudônimo, Bob, é muito utilizado por autores da literatura brasileira. Olavo Bilac, por exemplo, usaria esta alcunha para assinar Contos para velhos, libreto satírico publicado pela primeira vez em 1897.
A toalha infantil Eu cá não fui à festa, ao régio batizado.
Não quis ir e não fui; não sendo convidado,
Julguei teso o meu jus, o jus de cidadão,
E varri da lembrança o régio... massapão.
Não fui à festa, pois. Mas quando os repiquetes
Do alegre carrilhão e as salvas e os foguetes
Retumbaram no ar, pulou-me o coração;
E eu disse dentro de mim: lá vai o massapão!
E saltei de prazer, gritando: Ó José Bento!
Ministro sem rival! ministro d'espavento!
Bem, providência, luz desta feliz nação!
Das pastilhas do autor, autor do massapão!
Salve! Bem hajas tu, glória da nossa era!
A festa correu bem; mais do que bem... Pudera!
Que importa o vento, a chuva, tosse, a defluxão
Onde houver a granel: pastilhas, massapão?
Ora tinha que ver se, após tanta fadiga,
Tanto esforço e labor, tanta dor de barriga;
Tinha que ver, digo eu, se, ao cabo da função,
Não deita o José Bento o régio massapão!
A festa correu bem; são todos a afirmá-lo:
Foi um dia de truz! Não há, não há negá-lo:
Coisa que ele ideou, coisa em que ele põe a mão,
Por força que sai bem: sai mesmo um massapão.
Andará nisso azar? ou peculiar talento?
Talvez ambos? não sei; mas sei que o José Bento
Já por mais de uma vez que deita o massapão.
E sobre isto é uma só e a mesma a opinião.
Ó Rosendo Muniz! tu que tens celebrado
Quanto é grande e potente e rico e agaloado,
Empunha a lira d'ouro e exalta em fabordão
O cândido vestido, o régio massapão,
os cueiros principescos,
O círio, os seus dobrões e os vários arabescos.
Mas, vate, por quem és, carrega-me essa mão
No ponto principal - no régio massapão.
Pinta-mo a toda luz, cercado de pastilhas,
Qual soberbo peru, num prato de lentilhas,
Louro e fumante ainda; altivo e cortesão;
Um massapão de rei; um grande massapão.
Há hi
louro a ceifar; à ceifa, ó vate caro!
Lustra anda o teu nome exímio, já preclaro;
Da geração, por vir o pasmo, a gratidão
Teu busto esculpirá talvez em... massapão.
(Publicado, pela primeira vez, no Mosquito, de 11 de dezembro de 1875, sob o pseudônimo de Antonino Pio)
Latet anguis!...
Quando eu soube, há já tempo, que um ministro
Mais déspota que um rei,
Fizera, contra a lei,
Uma limpa geral na Relação,
(Não sei por que razão);
Puxei pelo talento e pelo beiço
E disse... a quem não sei:
"- Ora pois?
"O senhor Cansansão
"Sempre é homem que sabe o nome aos bois!"
Soube, depois, que um grande financeiro
Erguera a ponto tal
O Banco Nacional
Que o encalhara... em cima de outro banco,
Deixando (ó céus!) em branco
Quem lá metera incauto o seu dinheiro.
Pensei, e disse então:
"- Na verdade!
"O senhor Cansansão
"Tem tanta ronha
, quanta habilidade!"
Soube, enfim, que um notável estadista
Havia rejeitado,
No Conselho d'Estado,
Um lugarzinho tão apetecido
Que eu mesmo duvido,
Eu! o aceitara, sendo muito instado!
Pasmei!... E disse então:
- Anjo bento!
"O senhor Cansansão
Tem ainda mais ronha que talento!"
(Publicado, pela primeira vez, no Mosquito, de 19 de janeiro de 1876, sob o pseudônimo de Antônio Pio)
I
De duas irmãs já viúvo
O pobre do Serzedelo,
Pretende ainda prendê-lo
A terceira da irmandade;
Pretende, sim... mas o frade
Não levou três em capelo.
II
O Braz curou-se da vista
E nada vê... Coisa rara!
Diz ele que o oculista
Tirou-lhe os olhos da cara.
Juiz consciencioso
- "Oficiais de justiça!
Façam clara esta gente!"
Gritava em certa audiência
Irritado o presidente.
"Se continua o barulho,
Fica a sessão encerrada;
É já a décima causa
Que julgo, sem ouvir nada."
Expediente acertado
De apaziguar um tumulto
Foi, certo dia, incumbido
Um militar, conhecido
Por grande sagacidade.
Chegou à praça da cidade
Onde estava o povo alçado;
Sobe a um lugar elevado;
Tira, cortês, o chapéu,
E ao atento poviléu
Diz com afabilidade:
"Meus senhores, tive ordem
De vir, com esta brigada,
Varrer a praça ocupada
De tudo o que for gentalha.
E, pois que a metralha
Chova sobre os delinqüentes,
Peço às pessoas decentes
Que busquem um lugar seguro;
Fiquem só os que eu procuro,
Fique só quem for canalha!"
Palavras não eram ditas,
Eis já tudo em debandada;
Não porque dessa brigada
Tivesse medo ninguém...
É que nesse ajuntamento
Não havia ninguém à toa,
Tudo aquilo - gente boa;
Pessoas muito de bem!
Dum frege à porta encostado,
Rabequista imundo, hirsuto,
Assassina o Poliúto,
D'harpa infame acompanhado.
Dentro, bêbado pasmado,
Fita ainda o corpo enxuto;
Cata pontas de charuto
Um rapaz esfarrapado.
Em suja louça grosseira,
Crepita a sardinha, a amaia
Qual mal sai da frigideira.
Grita o caixeiro:
"O seu Maia!
Feijão p'ra dois e olhereira!
E olha esse peixe que saia!"
Vozeiam no terreiro,
Alegres, as crianças.
Descamba o Sol; e as franças
Mal doira sobre o outeiro.
O rancho galhofeiro
Alterna jogos, danças;
Flutuam roupas, tranças,
No voltear ligeiro.
Acocorada a um canto,
Tirita a enferma avó,
Pertinho do fogão.
Cresce o folguedo; enquanto
A pobre velha, só,
Enrola uma oração.
Chega a missa do Natal;
Não tarda a tocar matinas.
Vão-se aprontando, meninas;
Já deu segundo sinal.
Despe Júlia o avental;
Maria calça botinas,
Traz rosas, cravos, cravinas
Ana, a preta, do quintal.
- Caiu-me um brinco! Esta agora!...
- Não me amarrotes, Florinha!
- Ai! dê-me um lenço, titia!
Toca o sino... Ana! - Senhora?
- Fecha a porta da cozinha!...
Vamos com Deus e Maria!
Ao sair d'aula, os rapazes
Vão fazendo traquinadas:
Batem às portas fechadas;
Pregam, em outras, cartazes.
Acordam brios pugnazes;
Perseguem, com apupadas,
Gente idosa os mais audazes.
Apedrejam cães e gatos;
Grita um; outro assobia;
Um pimpão canta vitória.
Mas o mestre aos tais gaiatos,
Por trás da rótula, espia,
afagando a palmatória.
Uma bandeira encarnada,
Várias fitas multicores,
No topo, em ninho de flores,
Uma pomba prateada,
Uma rabeca safada,
Três ou quatro berradores,
Entre dois roucos tambores,
Viola desafinada,
Salva d'estanho e sacola
Com o emblema columbino,
Destinada à oferta, à esmola,
Isto e mais algum menino,
Que tenha gazeado a escola,
É ... a Folia do Divino.
O padrinho, de pastinha,
Cabelo apartado ao meio,
Traje preto, sério e feio,
Na lapela - uma fitinha.
Traz pelo braço a madrinha,
Decotada, flor ao seio,
Toda sécia e no meneio
Fazendo pular a anquinha.
Na frente a carregadeira
Vai, com roupa domingueira,
Levando o novo cristão;
Este rompe em gritaria
Mas dão com ele na pia,
O vigário e o sacristão.
Nossa Senhora da Penha!...
Ai! famosa romaria!
Por que chegue o santo dia
Quanta gente não se empenha!
Ei-los partem... - "Se há quem tenha
Amor à pinga, à folia,
É rebocar a Maria
E... venha co'o demo! venha!"
À partida: fitas, flores,
Risos, petiscos, vinhaça,
Bandurras, cantos, amores;
À volta; arrufos, chalaça,
Roscas, registros, furores,
Tombos a rodo e murraça.
Anda a gente aos empurrões
Na feira das barraquinhas,
Onde há circos, argolinhas
E sortes por dois tostões.
Cabras, cabritos, leitões,
Perus, marrecos, galinhas,
Lenços, leques, gravatinhas,
Dedais, agulhas, botões,
Há de tudo ali na feira;
E, com grande vozeria,
Corre a rifa e a ladroeira.
Quanta alegre rapazia!
Quanta mulata faceira!
E quanta patifaria!
Alta noite, na rua deserta,
Que se banha num almo luar,
Aos acentos de meigo cantar,
A menina do sotão desperta.
À janela, de manso entr'aberta,
Vem a bela o descante escutar...
Ai! mal sabe o idílico par
Que o terrível tutor' stá alerta!
Requintando em agudos trementes,
Canta o bardo, ao tanger do violão:
"Trovador, o que tens? o que sentes?
Por que choras com tanta aflição?..."
Esi que se abrem da porta os batentes...
Foi-se a rima e roncou o bordão!
Gira, aqui e acolá, pançudo boticário;
Pesa drogas; mistura, em copo graduado,
Massas, líquidos, pós; remexe-os com cuidado;
Põe óculos depois; consulta o formulário;
Deixa agora o balcão; abre, de novo, o armário;
Tira um frasquinho; lê o rótulo gravado;
Expõe-no contra a luz e, tendo-o destampado,
Vai com ele ao nariz e torna ao receituário.
Ajudando o patrão, servindo à clientela,
Eis anda em roda viva o caixeiro também:
Dá, a este, um purgante; àquel'outro - macela.
É grande a concorrência; o dia estreou bem...
Entra uma velha e pede um vintém de canela;
Responde-lhe o rapaz: - Não se faz um vintém.
Situada à meia encosta, a casa de vivenda
estampa a alva fachada em fundo de verdura;
Aqui - horta, pomar; mais longe - uma espessura
De virgem mata; além - as terras da fazenda.
De oculta brenha sai, por uma estreita fenda,
Claro regato, e vem, rompendo a selva escura,
Formar um tanque; aí a sombra e a frescura
Dão mais sabor, no estio, à rústica merenda.
Do cabeço do monte, a vista descortina
as senzalas, o engenho, as roças, os currais
E os gados, que apascenta a ubérrima campina.
Quando a estação vernal floresce os laranjais
E enche de vida e amor as matas da colina,
Acorda o lavrador aos cantos matinais.
Horas mortas; - a noite d'invernada;
Um aguaceiro cai de instante a instante;
Dos lampeões a luz tremelicante
Reflete, aqui e ali, a água empoçada.
De um vulto humano a sombra projetada
Ora segue, ora passa-lhe adiante;
Agora o faz anão, depois gigante;
Estampa-se nos muros; na calçada.
A lufada do vento, das beiras
E grimpas dos telhados assoprando
Sacode e espalha os pingos das goteiras.
Na encharcada, erma rua patinhando,
Caminha o vulto, a esbravejar asneiras
E a escorregar também, de quando em quando.
Enorme multidão em torno da baía
Se apinha a contemplar os páreos, disputados
Da gente estranha e pátria, em barcos tripulados
pela flor da maruja, em ajustando dia.
Dois batéis - Branco e Azul - contendem à porfia;
Por algum tempo vão correndo emparelhados;
Mas, instantes depois, já vão distanciados,
E, ora um, ora outro, alcança a primazia.
Té que afinal, exausta, a guarnição desmaia
No cerúleo escaler; alentam-se os rivais;
Apertam mais o remo, e acercam-se da raia.
O veloz batel branco abica em fim ao cais;
Imenso grito ovante estruge pela praia:
- O vencedor arvora as cores nacionais!
Faz um sol de rachar que esbraseia o terreiro.
Opressas, a arquejar, as aves encalmadas
Abrem as asas e o bico; algumas avisadas
Procuram refrigério à sombra do poleiro.
A dormitar no chão, estremece o rafeiro,
E, a trincar moscas, vinga as duras ferretoadas
Que o não deixam em paz. Em águas encharcadas
Dos marrecos mergulha alegre o bando inteiro.
O galináceo rei ergue o canto garrido;
Breve momento após, de uma cerca vizinha,
É, como em desafio o canto respondido.
Mas sucede cortar o espaço uma andorinha:
Solta o grito de alerta o galo precavido,
E a ninhada se esconde embaixo da galinha.
Este grupo ainda não possui nenhum tópico.
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Postado por Copacabana em 21 março 2013 às 7:30 0 Comentários 0 Curtiram isto
Postado por Copacabana em 20 março 2013 às 19:51 0 Comentários 0 Curtiram isto
Postado por Copacabana em 8 março 2013 às 9:56 0 Comentários 0 Curtiram isto
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