Copacabana não, boa noite Vietnan!

Caetano cantou que o Haiti era aqui. Hoje eu posso afirmar sem nenhuma sombra de dúvida que Copacabana é o Vietnan!

Eu cresci perambulando de molecagens ali na Ladeira dos Tabajaras onde sempre, sempre tive muitos amigos. Em algum momento entre 1978 e 1980 as coisas começaram a mudar em Copacabana. O Movimento começou a ficar mais pesado, mais armado, mais violento.

As turmas das esquinas de Copacabana acompanharam o "desenvolvimento" social e também começaram a surgir meninos armados nas turmas. E como uma coisa leva a outra ontem mataram dois na Tabajaras, hoje feriram outro no Pavão e amanhã matam você, de bala perdida, na Barata Ribeiro ou na Siqueira Campos.

Copacabana o berço da Bossa Nova, bossa velha, bosso nova é pancadão de trilha sonora e AR-15 de melhor amigo, Funk é cultura, é a cara do Estado do Rio de Janeiro. Em que estado nos deixaram...

Mas, com toda certeza, você vai poder protestar! Claro que vai, domingo vão ter cruzes na praia, gente de preto na Atlântica e caixões descendo dos Morros!

Operações cirurgicamente orquestradas por maestros das pistolas, cujo resultado seja no subúrbio seja na Princesinha é sempre pré-determinado: mortos e feridos!

Ih, foi ele é?
Muito amigo meu, falava com ele sempre...
Antes ele do que eu!

E nessa quase primavera em Copacabana, a tarde vai caindo linda como em um cartão postal cuja foto foi tirada lá de cima do Morro, onde tem uma favela e onde ontem morreram dois!

Copacabana não, boa noite Vietnan!

2008-09-02 14:28:21

Sobrenatural de Almeida

Pela manhã, Almeida acordou bem tarde e fez exatamente as mesmas coisas que fazia todos os dias há muito tempo: foi ao banheiro, tomou um café com pão com manteiga e abriu o jornal do dia!

- Grande final, ora bolas.

Só se falava nisso em Copacabana. Nas janelas bandeiras, nas ruas pessoas vestidas com a camisa listrada, nos bares a certeza absoluta da vitória esmagadora.

Mas ele, acima de qualquer pessoa, que tinha sérias dúvidas da empolgação dos outros fanáticos, não acreditava mesmo.

- Eu duvido, isso sim!

Não era uma dúvida, era uma certeza. Ficou vendo televisão a tarde toda, os programas de entrevistas, o frisson, a encomenda do chope, a festa no Sambódromo, o gordo Cardiologista reconhecendo o próprio trabalho bem feito, o seu grande sucesso administrativo!

Trabalhando no Caju, ele passaria bem no meio do tumulto, como uma alma penada, uma alma perdida, mais um que passaria batido pelo templo do futebol. Até se lembrou de Nelson, seu irmão mais velho, que já tinha morrido e que também era um torcedor fanático, mas que acreditava no improvável, no sobrenatural!

E como foi difícil sair de Copacabana naquele início de noite... mas às 20:00 em ponto já estava batendo o ponto no cemitério.

Não viu nada do que se passou mergulhado que estava nos seus afazeres burocráticos de todos os dias, mas ouviu os gritos. Ah, isso ouviu! Uma, duas, três, quatro vezes e depois o silêncio.

O retumbante silêncio que se abateu. Por volta de uma e meia da manhã, pegou o seu caminho e voltou prá Copacabana, pensando no que teria acontecido na verdade.

Em Copacabana, nada.

As bandeiras já haviam sido recolhidas, as pessoas dormiam como se nada tivesse acontecido, vivendo o pesadelo da frustração.

Almeida chegou em casa, numa Cinco de Julho ainda mais silenciosa que o normal.

Nem lanchou. Foi direto da cama, com a certeza do dever cumprido, de não ter presenciado o inexplicável, não ser parte do surpreendente, de não ter nada a ver com isso tudo.

Almeida deitou e dormiu.

2008-07-03 11:24:13

PAREDES FINAS DEMAIS

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Patroa foi viajar com as crianças para o litoral, aproveitar este período de descanso da Justiça para relaxar, muito justo por sinal. Mais justo que isso foi a minha sogra ter ido junto, ficando somente eu e o gato, que a maioria aqui conhece pelo bichano gordo que divide o sofá da sala.

A empregada ficou, bem, pelo menos eu a vi pela manhã e quando cheguei em casa encontrei um monte de roupa no varal e comida no fogão, uma puta macarronada com tudo a que tem direito. E foi só. Antes isso que chegar em casa e encontrá-la com o safado do porteiro, outro que não vale nada e enche a porra do meu saco toda vez que nosso time vai jogar.

Ao contrário dos outros dias, consigo sair cedo do trabalho, sentindo até um sentimento de culpa por não conseguir fazer isso quando todos estão em casa. Sabendo que ia dividir a cama com a minha mão e o controle remoto peguei uns dois filmes na locadora, mas a julgar pela hora, com sorte chego na metade do primeiro.

Cerveja que tinha na geladeira acabou. O gato fica me rodeando mas não dou nem papo, porque comida tem, caminha quentinha só com a mamãe dele que está tomando uma puta de uma chuva na praia e ainda por cima ficou com um quarto com goteira. Não poderia ser pior. Ah, sim. Poderia,

ainda é terça, só volta sexta. Quer apostar quanto que só porque é o final de semana do de peladas da minha turma além do sol sair vai fazer um calor infernal?

A macarronada já era, aliás, estou no segundo prato. Nada pra fazer, não vou conseguir pagar minhas contas agora mesmo, deixo esta humilde mensagem com algumas constatações:

* Nada melhor do que cagar com a porta aberta, vento corrente e sem pressa;

* Meu apartamento produz muito eco, dá para ouvir o chuveiro pingando do corredor;

* Preciso abaixar o som dos meus jogos, principalmente depois de uma da manhã;

* Devia ter pegado um filme pornô, televisão aberta não acontece nem um peitinho;

* Lavar a louça para que? A empregada volta, não volta!??!?

* Ficar de cuecas na sala é o que há!

* Não tem ninguém para comprar coca cola para mim;

* O corredor é ótimo para andar de skate;

* Dá o maior eco quando se joga bombinha pela janela que dá para o estacionamento;

* Interfone toca todo dia mas não atendo;

* Alguém deixou a geladeira aberta, a única lata de cerveja ficou choca;

* Ninguém fica online no dia 2 de janeiro;

* Qualquer apartamento da Barata Ribeiro sofre de paredes finas.

Amanhã tem mais, vou dormir

porque ouvi sirenes na rua

e alguém batendo na porta.

Tomara que não seja comigo!

Texto publicado originalmente no blog

Morava em Copacabana

.

2008-06-25 14:23:56

O cheiro do éter

Vivi uma infância entorpecida pelo éter em Copacabana, para onde me mudei aos 7 anos, depois de sair da Ilha do Governador. O cheiro espalhava-se pelo Posto 5, no rastro de um grande homem andrajoso freqüentemente visto arrastando-se pela Barata Ribeiro. Ele rondava a famosa - e fechada - farmácia Piauí, quase na esquina de Constante Ramos, mas não sei se comprava o vidrinho do produto ali. Os conservadores moradores usavam aquela figura, se não me engano, chamava-se Eduardo, para afastar os filhos das drogas naqueles anos 70. Diziam ser ele um rico herdeiro que havia enlouquecido por causa de maconha, cocaína e ácido e que, agora, afastado da família abastada, pedia esmolas para comprar éter. Eu o vi várias vezes dando suas cafungadas no paninho embebido do líquido, mas nunca acreditei muito no papo da riqueza dele. Para mim, o mendigo era triste, muito triste, e isso só poderia se explicar por alguma desilusão romântica. Inventei uma história para o homem que por um tempo ocupou o lugar das minhas bonecas nas brincadeiras de desvarios. Ele não seria do bairro, mas teria ido à praia lá e encontrou uma 'cocota', por quem se apaixonou. A moça o esnobava, mas ele não ligava, só queria ficar perto dela. Nunca mais voltou para casa, vivendo da piedade alheia. O tempo passou, ela se casou com outro e mudou de lá. Alucinado de dor, o pobre passou a se anestesiar com éter. Fez voto de silêncio - realmente, nunca ouvi sua voz -, parou de tomar banho e fugiu do lugar-comum chamado realidade. Procurava seu amor contrariado sempre rondando quatro quarteirões. Em vão. Seu pé, inchado como seu fígado, sangrava, assim como seu peito. Um dia, Eduardo chorou muito, e as lágrimas cheiravam a éter. Ele, então, cobriu os olhos e o nariz com seu paninho sujo e ficou agonizando três dias assim. Depois disso, ninguém mais o viu. Eduardo sumiu. Virou folclore para os copacabanenses e marco de tristeza para mim.

Originalmente publicado por Ana Silvia Mineiro em Válvula de Escape

2008-04-27 18:31:29

Minha Copacabana

Copacabana, minha praia, minha casa, minha história....



O que dizer de Copacabana, quando se respira Copacabana, quando se vê Copacabana, quando Copacabana nos resume?



Poderia falar dos amigos, dos lugares, do visual, da brisa, das cervejas na Barata Ribeiro, da maresia na Vila; poderia falar dos meus filhos, dos passarinhos, dos micos, da mata, das bananas que minha mãe compra para dar a eles; podera falar de um amor que conheci na janela; poderia falar da mulher que me ensinou o amor, além da paixão e das primeiras visões, e que se mostra mais bela a cada dia; poderia falar da feira ou das laranjas que vêm de lá e acordam comigo todas manhãs, espremidas e geladinhas...



Poderia falar da luta de quem faz este site; poderia falar do Governador, que foi moleque conosco no Morrinho; poderia falar da minha avô Ana, que não faltava às missas de domingo na Igreja de Nossa Senhora de Copacabana; poderia falar do Padre Walter; poderia falar do meu pai que já não mora aqui; poderia falar das turmas, dos tempos e dimensões...



Mas todas as palavras não seriam suficientes para expressar o que sinto e o que Copacabana significa, penso eu, pra, mim, para as pessoas e para o mundo...



O que posso e preciso fazer é te oferecer esta sincera homenagem: Copacabana, meu planeta, minha nave...



Marco Evandro


2008-01-30 09:10:31

Ufanamente Copacabana

Faz pouco tempo que retornei ao Rio, após uma fria temporada nos pagos meridionais do Brasil. E de volta à terra abençoada por Deus e bonita por natureza, não podia cair em lugar melhor do que este, o meu planeta Copacabana. Assim inauguramos o Meia Sinapse: com uma pequena e já saudosa louvação deste bairro singular. Claro que faltam os bares, restaurantes e outros cantinhos menos ou mais famosos do cenário, lugares dos nossos amores, causos e reminiscências. Fica pra próxima!

Be my guest…

Na conhecida faixa de terra de quase um quilometro de largura e mais de quatro de extensão, espremida entre o mar e a montanha, existem apenas setenta e oito ruas, cinco avenidas, seis travessas, três ladeiras e seis acessos viários. Muitas são as maneiras de se olhar Copacabana. Nessa multiplicidade de ângulos, talvez o melhor para desenhar os seus contornos seja o da sua gente. Aqui estão cerca de 200 mil moradores, boa parte dos quais acompanharam as transformações das últimas décadas: são as pessoas com mais de 60 anos – cerca de 25% da população aqui, bem mais do que a média nacional, que não passa de 10% - que formam o saudoso grupo da terceira idade. No outro extremo, mas disputando a mesma praia está a a galera jovem, também muito numerosa na área.

Na geografia humana de Copacabana a imagem da “cidade partida”, apropriada para descrever o espaço social do Rio de Janeiro e do próprio Brasil, ganha nuances de contraste. Praticamente toda a limitada área do bairro está ocupada. A maioria das pessoas espalham-se pelos milhares de edifícios residenciais, desde os suntuosos e históricos prédios à beira-mar até outros mais simples, em cantos mais modestos do bairro. Parte da população concentra-se nos morros, em seis comunidades: Babilônia, Chapéu Mangueira, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Tabajaras e Cabritos. Mesmo o espaço público possui sua população flutuante de adultos e crianças.

Mas existe no bairro uma outra multidão, há ainda, mais lutas, movimento e barulho. A população praticamente duplica todos os dias, gente dos quatro cantos do Rio que passa ou faz a mini-cidade funcionar. Aqui buscam seu sustento e para cá trazem e deixam um pouquinho de si em trabalho e cultura. E a “jovem senhora” demonstra sua gratidão, acolhendo a todos sem distinção de classe, credo, etnia ou sexo, tornando-se informalmente uma espécie de “capital espiritual do Rio”.

Também vale lembrar que não é apenas o Rio de Janeiro que está em Copacabana: o mundo todo encontra aqui o seu espaço. Dos cerca de 25 mil apartamentos da rede hoteleira da cidade, nada menos que dois terços estão no bairro. A maioria dos visitantes prefere um hotel simples na princesinha do mar, do que um cinco estrelas na Barra. Andar pelo calçadão da avenida Atlântica no verão dá esta dimensão transcultural, já que em poucos outros lugares ouvem-se tantos sotaques e línguas diferentes lado a lado.

Na convergência de todas estas diferenças, torna-se cada vez mais difícil definir Copa de maneira unívoca. Se cada bairro tem sua característica peculiar, no imaginário sobre a Cidade Maravilhosa apenas Copacabana tem a capacidade de reuni-las todas, no exótico contorno de suas pessoas, ruas, montanhas, praia, histórias e história.

Ah! Sua história… Um dos lugares mais cosmopolitas do Rio, a visão atual de Sacopenapan, “aves de pernas grandes” num dialeto indígena – deixaria estupefatos seus antigos moradores Tamoios. O cenário mudou radicalmente desde aquele tempo: desapareceu a pedreira do Inhangá, que separava as praias do Leme e de Copacabana, ergueu-se a muralha de edifícios defronte à orla - onde estão alguns dos primeiros e principais expoentes do art déco no Brasil.

Do mar das lendas e tradições, emerge uma interessante história sobre o nome do bairro. Nos altiplanos andinos, às margens do Lago Titicaca, há uma península, outrora chamada na língua quéchua por Qopaq hawana, “mirante do azul”, donde se tem a linda vista da fusão entre o céu e o seu reflexo no lago. Com a dominação espanhola, logo o lugar tornou-se ponto da devoção católica de Nossa Senhora de Copacabana. Ainda no século XVI, comerciantes espanhóis trouxeram para o Rio de Janeiro objetos religiosos ligados à santa boliviana e ao final do século XVII, a igrejinha construída onde hoje se localiza o Forte de Copacabana, já era bem conhecida de romeiros e viajantes.

Área de difícil acesso, incrustada entre altas e verdes montanhas, Copacabana permaneceu praticamente isolada do centro do Rio, até o final do século XIX. Além do Forte do Leme e de algumas poucas chácaras e sítios, onde se refugiavam em veraneio os mais abastados da capital, dentre eles o próprio Dom Pedro II, apenas uma restrita população de pescadores habitava o local.

O difícil acesso foi superado em 1892, quando a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, mais tarde comprada pela Light, abriu um túnel através do Morro de Vila Rica, estendendo sua linha de bondes de Botafogo para Copacabana até onde hoje se localiza a Praça Serzedelo Correia. No dia 06 de julho de 1892 foi inaugurado o Túnel Real Grandeza (nosso Túnel Velho, chamado oficialmente hoje de Alaor Prata), em cerimônia prestigiada pelo Mal. Floriano Peixoto, então Vice-Presidente da República, data que se tornou uma referência para o aniversário do bairro.

Logo que a linha do bonde ampliou-se em direção ao forte do Leme e à igrejinha (o Forte de Copacabana seria construído apenas em 1914), abriu-se o caminho para o surgimento de ruas e a proliferação de loteamentos. No início do século XX, sob a gestão de Pereira Passos, foi aberto o Túnel do Leme. No mesmo ano de 1906, foi inaugurada a avenida Atlântica, que com as ondas de seu calçamento-mosaico de pedras portuguesas se tornaria o símbolo maior do bairro e da própria cidade.

Em 1922, ano em que acontecia em São Paulo a Semana de Arte Moderna, ocorreu o episódio conhecido como a Revolta dos Dezoito do Forte de Copacabana. Militares contrários às oligarquias da velha república, rebelaram-se no Forte, e depois de frustradas negociações e a desistência da maioria dos participantes, restaram amotinados apenas dezessete militares e um civil, dos quais dezesseis foram mortos na praia. Os Dezoito do Forte tornaram-se símbolos da resistência à velha ordem e da luta pela modernização do país.

Ainda na década de vinte, foi inaugurado o Hotel Copacabana Palace, trazendo para o bairro festivos bailes e personalidades internacionais. A partir dessa época, a elite urbana do Brasil composta por intelectuais, artistas e estrangeiros instalou-se no bairro e as casas passaram a dar lugar a grandes edifícios, tornando a paisagem símbolo de prosperidade e modernidade. Hoje restam pouquíssimas casas, verdadeiros memoriais dessa época que já passou. Paralelamente, já marcando a vocação do bairro à diversidade e contrastes, a ausência de políticas habitacionais apontando o abismo social crescente do país, consolidou-se a favela no cenário de Copa com o início da ocupação dos morros do Leme e Tabajara.

Nos anos 40 e 50, Copacabana concentrava grande parte da vida cultural e noturna da cidade, fermento donde surgiram os primeiros acordes da bossa-nova. Junto a isto, a infra-estrutura, a ampla rede de serviços e a invejável orla de areias claras fazem do Rio de Janeiro, sonho de consumo mundo afora. A população jovem dos prédios formava as famosas “turmas”, ainda hoje lembradas com nostalgia e carinho pelos moradores mais antigos.

Copacabana caracteriza-se pela rapidez de seu crescimento e de sua interminável reconstrução. A partir dos anos 60, o bairro famoso passou a atrair cada vez mais gente, em busca do status que conferia. O desenvolvimento rápido e desordenado levou Copacabana a tornar-se uma espécie de segundo centro da cidade, lugar de circulação diária de milhares de pessoas.

As transformações e os contrastes fazem do bairro uma enorme síntese estético-social do país: o melhor e o pior, o feliz e o triste, o feio e o belo, o rico e o pobre, juntos lado a lado, numa incessante dialética de confronto e troca. Aqui se formou um gigantesco espelho onde nossa gente vê um pouco melhor o próprio rosto e silhueta, neste lugar onde o Brasil é mais brasileiro.

~ by Marcio Anhelli on November 9, 2007.

2008-01-14 18:17:29

Beija-Flor em Copacabana

Beija-Flor desfila em Copacabana



Sampa é uma cidade dez: bons restaurantes, shows de primeira... Mas você tem que ter bala na agulha. No Rio, se estiver de caixa baixa, você vai pra praia, vai passear (ou desfilar) no calçadão. Aqui sempre pinta uma surpresa. Pode ser um súbito temporal em plena tarde de sábado, expulsando a galera da praia, fazendo voar guarda-sóis... Pode ser um ensaio técnico da Beija-Flor em plena Avenida Atlântica, O meu valor me faz brilhar, Iluminar o meu estado de amor, Comunidade impõe respeito, Bate no peito eu sou Beija-Flor. Pois é: ontem, dia de São Sebastião, só não desfilou atrás da escola nilopolitana quem já morreu. As fotos não deixam mentir. Mas como eu ia dizendo, Sampa...



Beija-Flor em Copacabana

Beija-Flor em Copacabana
Beija-Flor em Copacabana

Samba de enredo da Beija-Flor para 2008:

Macapaba: equinócio solar, viagens fantásticas ao meio do mundo

O meu valor me faz brilhar
Iluminar o meu estado de amor
Comunidade impõe respeito
Bate no peito eu sou Beija-Flor

É manhã, brilho de fogo sob o sol do novo dia
Meu talismã, a minha fonte de energia
Oh deusa do meu samba, a flor de Macapá
No manto azul da fantasia
Me faz mais forte, extremo norte
A luz solar ilumina meu interior
Vou viajar na linha do Equador
Emana ao meio do mundo a beleza
A força da mãe natureza é Macapaba
O rio beijando o marEncontro das águas marejando o meu olhar

Quem foi meu Deus que fez do barro poema
Quem fez meu criador se orgulhar
Os Cunanis, Alistés, Maracás
Foram dez, foram mais pelo Amapá

Um dia navegando nos rios de Tupan
A viagem fantasia dos filhos de Canaã
A mágica da terra a cobiça atraiu
Ibéria se enleva no Brasil
A mão de Ianejar na fortaleza pela proteção da vida
Em São José de Macapá
Brilha Mairi a minha estrela preferida
Herança moura em Mazagão
Retiro o meu chapéu de bamba e assim
O Marabaixo ao marco zero cai no samba
Soam tambores no tocar do tamborim

(Autoria de Cláudio Russo, Carlinhos Detran, J. Veloso, Gilson Dr., Kid e Marquinhos)

Texto e Fotos do Ivo Korytowski - ivokory@gmail.com - em http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2008/01/beija-flor-em-copacabana.html

2008-01-28 09:10:47

Por um relógio novo!

Ô ano que num acaba esse tal de 2007... agora só se fala no infeliz que por usar relógio analógico quebrou o esquema milionário e cenográfico da Prefeitura! Só precisou dum clique e babou tudo! Só em Copacabana!

A contagem? Ah, desconta, tá?

2 milhões de pessoas na festa de Copacabana e 6 baleados, dois mortos - um de bala perdida e a outra caiu da janela num prédio na Barata Ribeiro... mas, entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

Antecipado ou não (será que Freud explica isso? 2007 nem foi um ano tão ruim!) o fato é que o espetáculo dos fogos é algo alucinante, um momento de catarse coletiva, onde todos os olhos se voltam pro céu, e é impossível pensar em mais nada além dos fogos! E isso é bom porque temos a certeza que pelo menos naqueles 10 minutos iniciais (eu duvido que você também não tenha achado over e depois de algum tempo também tenha acordado do transe) não pensamos em nada egoista, nada ruim e talvez isso seja paz!

Vista de todos os ângulos (de qualquer mesmo) a festa de Copacabana é o máximo! E eu ainda me lembro quando ainda não havia nada disso, só as pessoas soltando rojões e morteiros da praia e o primeiro Reveillon com a cascata do Meridién, e nem faz tanto tempo... virou esse super-espetáculo em, sei lá, 30 e poucos anos? 30 e poucos anos... nossa! Como a perspectiva fica diferente.

Mas foi de comemoração de vizinhos prá referência mundial em Reveillon, naquela que é a referência mundial em Praia! Só em Copacabana mesmo e olhando assim faz todo sentido!


Revellon 2008 em Copacabana


2008-01-02 12:59:59

2007... atualização! Em 2008... inovação!

Se você acompanha o nosso site, percebeu que em 2007 o Copacabana.COM consolidou seu conteudo atualizando centenas de páginas e todas as biografias, incluindo várias dezenas de fotos na nossa galeria, fizemos testes com vídeos e os implantamos em muitas páginas com grande sucesso e enorme receptividade por parte dos nossos visitantes!

Em 2007 nos iniciamos de forma profissonal no comércio eletrônico, onde começamos a entender o que nosso público precisa, quando interessa e fazendo com que a sua experiência dentro do site seja cada vez melhor e integrada com seus desejos.

Iniciamos a implantação dos Google Maps, através da plataforma de programação, onde pudemos criar aplicativos funcionais como o mapa que exibe a localização dos hotéis em Copacabana e também permite que você faça sua reserva de hotel e pousadas a partir do mapa e os mapas das ruas, onde moradores selecionados podem incluir fotos, vídeos e textos dentro dos mapas das suas ruas e contar um pouco da sua história por um ponto de vista mais pessoal, diferente do conteúdo biográfico histórico que vinhamos apresentando desde a criação do site, além de uma grande atualização no nosso cadastro de Negócios e Serviços.

E é aí que o site Copacabana.COM, ao completar 12 anos ininterruptos online em janeiro de 2008, gostaria de falar sobre a nossa parceria com a Google, que é uma empresa que dispensa apresentações!

O Copacabana.COM vem utilizando e testando as plataformas, APIs e serviços do Google desde o seu início.

Você já se acostumou a ver os links patrocinados dentro do nosso site que são fornecidos pelo AdSense que é um serviço do Google. Nós também, neste ano de 2007, começamos a utilizar a plataforma de programação do Google Maps para a criação dos mapas (mencionado acima) que faz muito sucesso, a plataforma de vídeos que usamos é a do YouTube (líder mundial) que também pertence ao |Google, o sistema de busca dentro do site Copacabana.COM é o Google Search, então nada mais natural que firmássemos uma parceira com o Google!

Nesta parceria o Copacabana.COM se tornou um ISP (Internet Service Provider) Partner do Google e com isso ganhamos a possibilidade de oferecer recursos que antes eram impossíveis.

Estamos oferecendo a todos os moradores de Copacabana, que se cadastrarem em http://nossa.copacabana.com a possibilidade de ajudarem a fazer parte do conteúdo do Copacabana.COM e como parte do pacote oferecemos uma suite de aplicativos com agenda, planilha e editor de texto online, messenger para conhecer e falar com seus vizinhos, página inicial personalizada e email voce@copacabana.com com 5 gigs de espaço! Inicialmente selecionaremos apenas 500 moradores que estejam interessados em colaborar, por isso corra e garanta logo o seu pacote Copacabana.COM/Google!

Nosso projeto para 2008 é fazer um site mais voltado para seus moradores, permitir que nossas páginas sirvam de veículo para suas histórias, suas imagens, que o Copacabana.COM seja a sua memória sobre o bairro de Copacabana!

Feliz 2008!

Marcelo Antelo
marcelo@copacabana.com

2007-12-25 11:28:59

Repousa em paz, meu irmão!

Lélio era meu amigo.

Amigo desde de sempre, me lembro dele, quando eu ainda era pequenininho. Irmão da minha mãe, esse era do bem... um sujeito sem mágoas, feliz do jeito dele, antes de ser meu tio era meu amigo!

Lélio, tinha muitos defeitos, e quem de nós não os tiver que passe aqui depois prá pegar a medalhinha, mas era meu amigo querido e vai me deixar muitas saudades!

Ele morava aí, no posto 5 em Copacabana, mas tinha seu escritório bem ali nas pedras do Arpoador... às vezes me ligava de noite prá comentar as mumunhas da política, ah! E como ele gostava duma política! E dos seus filhos... nossa! Era louco de amor por eles, louco de amor pela vida!

E dessa forma Copacabana vai perdendo suas figuras.

2007-09-25 16:08:44

Matinés do Olímpico!

Tenho me dado conta da diferença de ponto de vista de quando a gente é criança e depois que a gente cresce. E quando eu falo em ponto de vista me refiro a parte geográfica mesmo, a altura dos olhos mais específicamente.

Lembro das matinés que eu frequentei em Copacabana! A minha primeira foi no Olímpico Clube que fica ali na Pompeu Loureiro. Meu pai me levou de carro ate a porta, eu tinha 13 anos recém-feitos, compramos os ingressos, e entramos naquele corredor que levava até o salão, o salão era enorme (daí a diferença na perspectiva, ele nem é tão grande) onde já tocavam aquelas músicas inesquecíveis... Sha na na na Sha na na na Hey Hey Kiss Him Goodbye...

No comando do som dois malucos que depois se tornaram lendas Ademir Lemos e Monsier Limá, hehehe! Procurei alguma foto do Olímpico nessa época (na verdade não achei nada de nenhuma!) e não rolou! Bebida? Droga? Nada disso ali o lance era dançar, zoar como se diz hoje em dia, isso era em 1975, geração cocota, pós-paz-e-amor! Tênis pampêro, calça Lee quatro botões, camisa ValSurf ou Hang Ten esse era o uniforme fora da escola de todo mundo!

E isso remete até as turmas das Ruas, que é um fenômeno muito interessante de Copacabana! Pela evolução das turmas de Copacabana podemos perceber a liberalização dos costumes e a mudança no comportamento social com a introdução das armas de fogo no início dos anos 80!

Nessa época eu morava na Rua Tonelero esquina com a Hilário de Gouveia, mas "andava" ali no Morrinho que fica ali na Rua General Barbosa Lima, tinham dois irmãos que andavam ali nessa época o Sérgio e a Cláudia... deixa prá lá! Bachman Turner Overdrive emplacava vários hits e na matiné a turma fazia duas filas com os meninos dançando de um lado e as meninas do outro... num efeito... digamos... interessante!

E não tinha essa parafernália toda de luz e som, mixagens, nada disso! Eram os sucessos rolando e a galerinha se divertindo prá voltar prá aula na segunda! Um tempo depois começaram os atos de vandalismo, brigas de turma depois da festa, brigas dentro do baile, até que acabou!

Depois veio a Tropicana no Canecão, mas aí eu já não me adaptei muito... era discoteca, e eu achei isso tudo muito esquisito! Aquilo num era dança de homem!

Depois o Limá voltou com a domingueira do Le Bateux, talvez em 78 (?), o fato que nessa época eu já andava na Hilário mesmo, e daí que ali eu estava em casa! Foi uma época muito legal, muito skate no Bairro Peixoto... surfe de peito em Copacabana, Posto 5... muita coisa proibida... muito show no Tereza Rachel! Foi num desses shows, que eu penetrei (depois eu conto mais detalhes!) do Pepeu Gomes, acho que foi o do disco Na Terra a Mais de Mil, aquele que tinha o Brilho da Malacaxêta, sei que ele entra no palco com o violão e diz:

- Galera, vou mostrar uma música que eu acabei de fazer agora há pouco... Você pode fumar baseado...

Vamos dizer que foi minha entrada "oficial" no Rock´n Roll... 1978 em Copacabana!

2007-07-23 10:53:43

A caminhada do General

- Quando eu tinha a sua idade todo mundo me dizia que eu era a cópia do Victor Mature! - dizia o General reformado Augusto Siqueira Neto, enquanto, orgulhoso, estufava o peito.

Realmente, do alto dos seus 68 anos, forte, espadaúdo e bronzeado como um surfista havaiano, o general tinha boas razões para se orgulhar de sua saúde, obtida às custas de muita disciplina, que incluía uma dieta restrita, 1.000 abdominais diárias e uma caminhada de 8 km pelo calçadão da avenida Atlântica, todos os dias, - "Mesmo que chova canivete." - dizia o general.

Embora ele negasse, todos os amigos afirmam que ele só mora na rua Siqueira Campos, porque considera que ela é a rua dos "Siqueiras".

- Veja o senhor, Dr. Luiz, a que ponto nós chegamos. - falava o general para este ouvinte ofegante, que tentava acompanhá-lo, em seu périplo, às 7h00 da matina, de uma fria e nevoenta manhã de outono - Ontem no Mundial (o Supermercado Mundial), aquele camarada do alto-falante avisava aos clientes para que colocassem suas bolsas sobre as barrigas, por causa dos furtos que estavam acontecendo. Que vergonha, isto é um absurdo! - O general ficava vermelho e as veias da cabeça saltavam enquanto falava. Quem era eu de contrariar.

- É sim, general. É um absurdo - concordava eu, com um meneio de cabeça.

E continuou: - "Olha, Dr. Luiz, eu não gostava do Lacerda, era um chato, um verdadeiro corvo, mas fez um bom trabalho com os comunistas e com os desgraçados de Copacabana".

- Mas como assim, General? Falam até que mandou afogar mendigos e...

- Boatos! Boatos! Nunca se provou nada disso! - os olhos irritados do general não deixavam margem a dúvidas, o Lacerda era bom demais.

- É verdade, general.

- Eu sei, eu sei. - e prosseguia - No governo do Lacerda a gente podia andar na rua, não tinha pivete, nem mendigo, nem este monte de postitutas no calçadão. Eles eram recolhidos, os menosres iam para o SAM onde tinham casa, comida e educação. Os marginais, ora, prá onde que tinham que ir? Iam pro xilindró mesmo, cana dura, que é o lugar deles.

E continuava o general: - Todo mundo fala mal, também, do governo militar, mas naquele tempo não tinha essa bagunça não. Lugar de pivete, ladrão, traficante e comunista era na cadeia.

É general, mas tinham as torturas... - tentava ponderar.

- Exagêro. Todo mundo sabe disso, ora, Dr. Luiz. - prosseguia o general - Que a tortura existiu, todo mundo sabe. Mas eu quero saber é o seguinte: como se tira informações de um criminoso? O senhor acha que é oferecendo flores e bombons?

- Não general, só não acho certo a tortura. Cadeia, vá lá, mas só depois de julgado e condenado. Tenho muito medo da justiça feita por quem não é capacitado para tal - ponderei com o general.

- Concordo, Dr. Luiz, mas o que o senhor pensa do Fernandinho Beira-Mar? E do Elias Maluco? Ah, se estivessem na minha mão... Já tinham passado o nome, telefone e o endereço, com CEP, de todos estes malditos traficantes. E esses maconheiros, filhinhos de mamãe? Tinha era que prender todo mundo. Queria ver se o crime não diminuía...

- É general. Pontos de vista, né?

Nesta altura um ventinho frio começou a bater lá na altura da rua Miguel Lemos.

- Pô general, tá frio até prá pinguim.Acho que vou voltar.

- Ah, vocês jovens precisam de um treinamento, estão muito fracos.

- Bem general, obrigado pelo "jovem", mas vou ter que voltar. Até amanhã! - me despedí com um aceno rápido.

- Até amanhã, senhor Luiz, mande lembranças prá sua senhora.

E, aos poucos, o nevoeiro foi engolindo o general e os seus ideais de ordem e justiça.

2007-06-25 14:31:19

Ed. Copamar




Essa é a esquina da Rua Ministro Viveiros de Castro com Ronald de Carvalho, em Copacacabana, que foi reproduzida na cidade cenográfica Projac, pra novela Paraíso Tropical. Com vários prédios art-deco muito bonitos, construidos há pelo menos 60 anos, essa esquina fica entre a R. Barata Ribeiro e a Praça do Lido, à duas quadras da praia.



Aqui sempre têm muitos "burros sem rabo", os conhecidos e tradicionais carrinhos manuais para o transporte de pequenas mudanças pelo bairro.
Nessas ruas também acontece uma feira-livre muito movimentada, todas as quintas-feiras, mas nada disso aparece na novela.



O Ed. Palacete Oceânico, com suas pastilhas rosadas e o portão de ferro dourado, na Rua Ministro Viveiros de Castro 229, foi a inspiração para o Ed. Copamar – cenário reconstruido fielmente na Projac para representar a Copacabana romântica de Paraíso Tropical.



O Ed. Copamar foi criado por Gilberto Braga e Ricardo Linhares como um núcleo dramático para abrigar a diversidade de personagens que caracteriza o universo de Copacabana. Lá moram o vacilante Heitor (Daniel Dantas), a gengivuda Neli (Beth Goulart), a semi-virgem Camila (Patricia Werneck), a síndica Jabiraca Iracema (Dayse Lucidy) e a anã Dinorá (Isabela Garcia), entre outros.

Fotos - Jôka P. - Postado originalmente por Jôka P. no blog http://www.avenidacopacabana.blogspot.com/ e republicado com permissão. Para mais posts do Jôka P. no Avenida Copacabana clique aqui!

2007-06-18 09:45:08

A namorada de toda vida (e eu nem imaginava...)

A mais pura verdade!

As lembranças podem enganar a gente. O tempo passa, a gente cresce e num belo dia mostra a foto e aí tudo vem a tona.

Eu me lembro que era um corredor comprido, tinha duas filas de crianças a minha, dos grandes e a dela, dos pequenininhos. Ela me chamou a atenção no primeiro momento, sabe tipo filme, em camera lenta... pois é, prá mim, pelo menos foi desse jeito mesmo! Ela era linda, lourinha de olhos muito verdes, bem novinha, nunca esquecí esse momento. Eu passando prum lado rumo ao bebedouro e ela indo pro outro para a sua sala de aula.

Copacabana é demais! O ano era 1969, o colégio chamava-se Luluzinha e ficava numa das ladeiras da Rua Pompeu Loureiro. Eu me lembro que nessa época a minha mãe costumava me levar até a entrada do
Túnel Major Rubem Vaz e dalí eu seguia alegremente sozinho, menino grande, rumo a escola. Será que o que me movia já era essa menina? Daí também é querer ter muita memória e isso já perdí faz um tempão! Mas eu ia prá escola até que nós tiramos a foto, naquele dia nublado de 1969. É aquela foto da turma, todo mundo sentadinho, alguém segurando a tabuleta com o nome do colégio e a data do evento.

Passados quase 30 anos (ela vai me matar, hehehe) num belo dia, numa reunião de família alguém fala no Luluzinha e a mãe dela detona: "ela também estudou lá, eu tenho até a foto..." e vrum! Era a foto da turma dela, tirada no mesmo dia e ano, no mesmo colegio, no mesmo lugar, embaixo daquela árvore! Eramos os dois, juntos, parecia coisa de filme! Mas foi a mais perfeita realidade.

Estamos namorando desde 1984, mas já nos conhecíamos desde 1969 (pelo menos eu já sacava ela, hehehe), eu falo que eu sempre me lembrei dela, mas ela não acredita! Mas que eu amo muito a Inês, isso ninguém duvida!

Pros muito sortudos no amor, como eu, um ótimo dia dos namorados, e prá aqueles que ainda procuram um grande amor, uma dica: pega aquelas fotos e dá uma conferida, quem sabe naquela caixa esquecida dentro do armário, não está a sua namorada de toda vida, e você nem imaginava...

2007-06-12 08:11:53

Dona Maria Eudóxia e o PAN 2007

Dia desses encontrei com dona Maria Eudóxia, na fila da caixa do supermercado Zona Sul. Dona Eudóxia é uma católica fervorosa, carola assumida, e não perde a missa das 7h00 na Igreja de São Paulo Apóstolo. Mora num ótimo apartamento de 4 quartos da rua Leopoldo Miguez, sozinha há um ano, desde que perdeu o seu esposo de muitos anos, vítima de um câncer, que o levou em poucos meses.

Para manter o seu apartamento dona Eudóxia faz das tripas coração. Não é fácil pagar, com a pensão, o condomínio e o IPTU - dos mais altos da cidade -, e ainda sobrar uma grana pros remédios, pra comida e plano de saúde. Mas ela vai levando, cheia de fé.

Ia me dizendo a dona Eudóxia uma coisa que eu não sabia. Dizia ela:

- Seu Luiz, o senhor viu o que fez o nosso alcaide? Tirou os pivetes e as prostitutas da Atlântica. Tudo pro PAN 2007.

- Não notei, não. Que bom, né? Aumenta a segurança.

- Que bom nada... Ele empurrou todo mundo pra Leopoldo Miguez e pra Pompeu Loureiro.

Fiquei surpreso, mas nem tanto. Se a dona Eudóxia estava dizendo é porque devia ser verdade.

Resolvi dar uma volta pelo posto 5, no comecinho da noite, e que surpresa. Prostitutas faziam ponto na rua Pompeu Loureiro entre a Bolívar e a Barão de Ipanema. Cheio de coragem, mas sem levar nada de valor, entrei pela rua Constante Ramos e depois caminhei pela rua Leopoldo Miguez.

E não é que a dona Maria Eudóxia tinha razão? A rua Leopoldo Miguez estava cheia de mendigos, pivetes, moradores de rua em geral e várias rodas de jogatina de cartas, um verdadeiro bingo ao ar livre.

Fiquei triste. Sempre achei que a rua Leopoldo Miguez era uma das ruas mais lindas e arborizadas de Copacabana. É uma pena que caminhar por ela, hoje em dia, dê mais medo do que prazer.

Mas, motivado pela fé de dona Maria Eudóxia, tenho ainda a esperança que o nosso prefeito volte seus olhos para nosso esquecido bairro, com exceção da Avenida Atlântica, e nos ajude a equacionar este problema tão espinhoso.

LOZ - http://iabasse.blogspot.com/

2007-06-11 22:23:23

Olhai os lírios de Copacabana

Imagine o lugar mais decadente do mundo. Eu o chamo de Copacabana. Morei lá dos 19 aos 22 anos. Numa fase emergente da minha vida. Do K11 para a “Princesinha do Mar”. Não estou querendo contar vantagem nem provocar inveja, mas mudar de bairro assim, da noite para o dia, não é pra qualquer um. Graças à minha amiga de colegial, a Luciane. Sim, aquela tricolor doente.

Fizemos o segundo grau em um colégio tradicional em Nova Iguaçu. Lá nos encontramos carteira a carteira. Ficamos muito amigas nem sei como, pois éramos totalmente diferentes uma da outra. Devíamos ter algum talento para conviver com a diversidade. Nunca brigamos na vida. Estudamos três anos juntas e depois moramos mais três e nenhuma briguinha para contar aqui.

Acontecia uma coisa engraçada que só a Física Quântica explica: na horinha exata em que uma abria os olhos de manhã, a outra também abria. Era incrível isso. Nossos relógios biológicos eram totalmente sincronizados. Dizer que ficávamos menstruadas ao mesmo tempo nem precisa.

Prestes a completar 19 anos, meu sonho era morar sozinha. Um dia vem a Luciane dizendo que a mãe dela comprara um apartamento em Copacabana e que eu poderia morar com ela e com o irmão lá. Nos três. SOZINHOS. Sem pai, nem mãe.

Há sonhos que a gente nem precisa sonhar. Esse foi um deles. Aconteceu antes de eu imaginá-lo.

Então fomos para Copacabana, Posto 2, perto da Prado Junior (na época, rua do tráfico e da prostituição), num apartamentinho quarto e sala, onde o quarto era dividido por um armário. Lado das meninas e o outro do menino. Ainda bem que ficávamos do lado onde havia janela. Janela essa que dava para os fundos de outros prédios e pela qual eu gritava, segundo a Luciane me lembrou recentemente: “Quero pãooooo!!”

Eu e a Luciane compartilhávamos um meio de um quarto e sala. Ou seja, eu morava em um quarto de um quarto. O que mais tarde se tornou um terço de um meio de um quarto e sala, quando a Angélica veio morar com a gente. Luciane também me lembrou que um dia eu caí do triliche em cima da nossa amiga.

Sem contar com a Lílian que aparecia do nada. A “mansa”, como a chamávamos. Termo que aprendemos em nossas viagens para Ouro Preto e que significava uma pessoa folgada. Essa era a Lílian Mansa. Esvaziava a geladeira, mas preenchia aquele lar com sua energia positiva.

O apê ficava num primeiro andar, bem em cima de um supermercado, que volta e meia realizava reformas estruturais. Éramos obrigadas a acordar às 7 horas com martelo batendo na orelha. Aquele “cheirinho” básico de supermercado já fazia parte da família.

E, diante de tantas adversidades, eu e a Luciane nunca brigamos.

Nessa época eu estudava na ECO (Escola de Comunicação da UFRJ) e pegava o 121, Copacabana—Central. A vantagem era que eu saltava no segundo ponto logo após o túnel. Ou seja: mal entrara no veículo lotado, já desovava. Um luxo só. Grande vantagem de se morar em Copa.

Outra era a curta distância da nossa casa até a praia. Uma quadra. Sim, umazinha apenas. A desvantagem é que aquele trecho de areia, banhada com água refrescante, era freqüentado por hordas de argentinos. Eles tratavam a gente como “moças fáceis dando mole”. E isso para eles não era redundância. Difícil e dispendioso convencer os cucarachas que éramos moças de família.

Eu e Luciane passávamos batido pelas intempéries. Nos divertíamos, conhecíamos gente nova, Legião Urbana e desfrutávamos o início de nossas vidas. Aquela época maravilhosa e irreversível, quando a vida está começando e a temos todinha para errar.

Acho que por isso eu e Luciane nunca brigávamos. A gente olhava junta para frente. Não tínhamos tempo para picuinhas. E florescemos na decadência como os lírios no pântano.

Postado por Cristiana Soares em
BlogTalk, Conversas sobre comportamento, costumes, cultura e vida. Puxe a cadeira.

2007-06-11 19:09:52

em copacabana tudo é rei

para cada sorriso de criança, adulto, idoso ou canino, em dias onde o trânsito é vedado na faixa á beira mar, isto sim o que torna hoje copacana radiante, existe um chico-esperto travestido na luta pela sobrevivência a alugar ou vender, cadeirinhas, bicicletas, skates. aparelhos de ginásticas, sem falar, claro, já cedo, o próprio corpo. a lista é infindável. de memória é impossível guardar mas tampouco anoto: seja para não dar pinta de turista e aumentar minhas probabilidades de tomar uns safanões em troca da minha bolsa, seja para que alguém queira me vender caneta, envelope e sabe-se lá até remédio para a memória.
santa clara, figueiredo, toneleros, barata ribeiro, zigue-zagueio até a bolivar. e todos os cachorros que encontro nenhum tem o ar alegre d´antes. mal-estar dos apartamentos ou mal-estar da civilização carioca? chico desabafa sobre o infortúnio do que é ser carioca hoje, publicado por ocasião do lançamento do seu novo trabalho musical, que traz uma subúrbio com uma letra que corta a trilhos o caminho da central até depois da pavuna produzindo silvos.
eu que não saio de copacabana, mundinho quando muito expandido que vai, no máximo, as fronteiras do começo do leblon - a barra é apenas viagem de memória - ou aos arremêdos da glória - enquanto me pergunto se vou achar casa talvez em santa teresa ou, golpe de sorte, no bairro do peixoto - tenho a dizer que o subúrbio hoje é mesmo copacabana.
onde calçadão, pedras pretas e brancas estão mais sujas do que nunca, mesmo sem perder a majestade.
vai um polidor ai tio ?

Originalmente posted by celso muniz at 5:21 PM em http://misterwalk.blogspot.com/


2006-11-07 15:42:32

Copacabana e a cultura urbana carioca

Praia de Copacabana, a partir do Posto 6

Certa vez, numa entrevista, me perguntaram que livro eu levaria para uma ilha deserta. Respondi que jamais iria para uma ilha deserta (e nem para uma não tão deserta assim), a menos que fosse condenado a tanto; e como os condenados não têm muitos direitos, provavelmente eu não teria direito de levar livro algum. A pessoa que me entrevistou acabou optando por retirar esta pergunta da entrevista, ou por julgar que eu fora malcriado no meu depoimento ou, pior ainda, por considerar que a minha resposta era absurda, totalmente incompatível com a mentalidade predominante na sociedade contemporânea, que, de uma maneira geral, sonha com uma vida em pacatos paraísos ecológicos, distantes dos grandes centros urbanos. Ou seja, é como se eu houvesse esnobado o senso comum e dado um acintoso tapa na cara dos leitores da publicação onde a entrevista seria veiculada.

Seja como for, é fato que a vida num paraíso ecológico nunca me atraiu. Sou, essencialmente, um ser da cidade grande. Muito do que as pessoas afirmam abominar ou que, veladamente desprezam, me encanta sobremaneira: o movimento de pessoas nas calçadas, o ruído dos carros nas ruas, o comércio efervescente, os edifícios ostentando cada qual o seu estilo arquitetônico, enfim: tudo aquilo que compõe essa coisa maravilhosa chamada vida urbana. Nós brasileiros, somos um povo com muito pouco apreço pelas nossas cidades. Vivemos ainda com uma certa nostalgia romântica de um passado rudimentar, simplório, telúrico, meio selvagem. Para a maioria, morar numa cidade como o Rio de Janeiro ou São Paulo é um verdadeiro castigo. Para mim, ao contrário, é uma benção.

Esses pensamentos, volta e meia, me vêm à mente durante as minhas freqüentes andanças pelas ruas do Rio. O Rio é um lugar peculiar. Aqui, uma natureza tropical exuberante convive lado a lado com uma gigantesca, ruidosa e agitada selva urbana de concreto, vidro e automóveis. É, provavelmente, um dos poucos lugares do mundo onde tais extremos coexistem de maneira tão íntima. E se há um lugar do Rio onde essa simbiose é mais evidente, este lugar é, sem dúvida alguma, Copacabana.


Exemplos da arquitetura de Copacabana

Ultimamente, virou moda falar mal de Copacabana. É como se o bairro encarnasse tudo aquilo que pode haver de mais negativo e degradante numa cidade. Talvez pelo seu caráter fortemente urbano, Copacabana se oponha à idéia do paraíso distante e idílico, quase despovoado, onde pais devotados poderiam, enfim, criar seus filhos com liberdade e contato permanente com a natureza – árvores, micos, passarinhos, borboletas – dentro do conceito paradigmático de “qualidade de vida”. É verdade, reconheço, que o bairro cresceu demais. Reconheço também que muitos dos que reclamam da Copacabana atual, são egressos de décadas pretéritas. São pessoas que conheceram a paradisíaca e sofisticada Copacabana do pós-guerra e dos “anos dourados”, sem trânsito, criminalidade, mendicância e a deterioração das relações sociais (elementos que, é bom frisar, não são privilégios "copacabanenses"). No entanto, todas essas reservas e reclamações escondem, na verdade, uma característica que parece impregnada na alma carioca: a falta (ou a escassez) de cultura urbana.

Dois anos atrás, escrevi aqui no Digestivo Cultural, um artigo no qual falava do desprezo dos cariocas pela arquitetura do Rio. É algo que me incomoda, pois eu estou sempre descobrindo e redescobrindo aspectos belos, interessantíssimos e inusitados nas construções da cidade. Creio, no entanto, que o desprezo dos cariocas não é apenas pela arquitetura e sim pela cidade em si, quando descontextualizada da sua paisagem natural. É como se a cidade, com as suas ruas, avenidas, praças, casas, lojas e edifícios fosse não mais do que um “mal necessário” para se viver dentro de um ambiente minimamente civilizado, já que não dá para morar em árvores e se locomover de cipó. O Rio, sob esse ponto de vista, seria um lugar amado e valorizado pela metade: exalta-se a natureza, o mar, as montanhas, as lagoas, as florestas, etc. enquanto à urbe não são dirigidas mais do que palavras e sinais de menosprezo, desapreço e ojeriza. Caso o Rio não tivesse praias, ou montanhas, não tivesse nenhuma beleza natural, caso fosse apenas cidade, imagino que, muito provavelmente, seria um lugar odiado pelos seus habitantes.

A falta de cultura urbana é visível ao diagnosticarmos a relação que as pessoas têm com o espaço urbano. Tomemos o exemplo de Nova York. O que no Rio é desvalorizado e visto como sintomas de decadência – a forte urbanização, o frenesi das ruas, o dia-a-dia vibrante, as calçadas tomadas de gente, som e movimento – na notável metrópole norte-americana é enaltecido e encarado como parte fundamental e indissociável da alma da cidade. Os novaiorquinos gostam da sua cidade como ela é e participam ativamente da sua vida, desfrutando de tudo o que ela tem a oferecer. Poucas são as pessoas, creio, que vivem em Nova York, sonhando com o dia em que, finalmente, poderão se mudar para uma propriedade bucólica em Vermont, Long Island ou nas praias da Flórida. Em cidades como Paris, Londres e Madri se dá o mesmo. São locais, também, com grande cultura urbana e onde há uma completa integração dos moradores com o meio. Lá, enquanto todos querem viver o mais perto possível dos bairros centrais, aqui ocorre o inverso: as pessoas procuram, cada vez mais, áreas bastante afastadas do Centro para morar. Alguém que resida, por exemplo, no Recreio dos Bandeirantes, um dos novos bairros à beira-mar do Rio, e trabalhe no Centro, gasta no trajeto diário de ida e volta, no mínimo, uma hora; isso, naturalmente, se o trânsito estiver totalmente desimpedido. E é fato que, no horário comercial, ele quase nunca está.

Esquinas de Copacabana


Seria maravilhoso se o povo carioca pudesse curtir a cidade com o mesmo ardor que curte a natureza. Que pudesse andar pelas ruas e contemplar suas calçadas e construções com a mesma alegria de quando vai à praia ou passear nas Paineiras. Muita gente me acha louco (e elas não estão totalmente erradas), mas eu costumo dizer que um dos meus programas favoritos no Rio é andar pela cidade sem rumo, sem nem passar perto da orla. Minhas caminhadas por Copacabana, por exemplo, são sempre memoráveis. Ah, Copacabana! Como eu adoro Copacabana! Durante parte da minha vida, sobretudo na infância e princípio da adolescência eu considerava Copacabana o máximo de pujança e perfeição que uma cidade poderia almejar. Gosto de caminhar sem pressa sob as copas das árvores, apreciando os mosaicos de pedras portuguesas nas calçadas, as lojas, as fachadas dos prédios – muitos dos quais em estilos que vão do neoclássico ao art déco, passando pelos de nítida inspiração modernista –, suas entradas de mármore e portas de ferro forjado. Nasci, cresci e sempre morei em Copacabana e é como se cada esquina do bairro, para mim, tivesse alma própria. Passo pelas ruas e reconheço nelas pedaços da minha história, pedaços de mim que ficaram gravados nas calçadas e nos detalhes dos edifícios. A minha vida confunde-se com esse bairro. À praia não vou há quase vinte anos. Ela não me faz falta. O que me encanta em Copacabana é o seu lado urbano. Aliás, é o que me encanta em todo o Rio de Janeiro.

Isso não me impede, contudo, de enxergar e denunciar os inúmeros problemas que afligem Copacabana e o Rio. A violência, a falta de educação do povo, que maltrata e emporcalha as ruas, o abandono de certas áreas que poderiam receber mais atenção do poder público, a pobreza, o caos no trânsito... Problemas, no entanto, toda grande cidade tem, em maior ou menos grau. A deterioração de certas vias públicas de grande circulação de pessoas e veículos é algo natural e, de certo modo, inevitável numa metrópole. Se a avenida Atlântica de hoje não é a mesma de cinqüenta anos atrás, podemos afirmar o mesmo da avenue des Champs Elysées, que, segundo os próprios parisienses com os quais conversei, não é hoje mais do que uma sombra de um passado esplendoroso. A vida na cidade grande tem dessas coisas e quem, realmente, gosta de viver em uma, tem de aceitar certas contingências. O que muitos cariocas precisam é aprender a desfrutar o Rio na sua vertente metrópole tanto quanto desfrutam a sua vertente balneário. E Copacabana, uma vez sendo a síntese de ambas, tem muito a ensinar. Amar o bairro, aceitar seus defeitos e reconhecer suas inúmeras qualidades já seria um ótimo primeiro passo em direção a uma cultura urbana da qual o Rio, uma das maiores e mais vibrantes cidades do mundo, não pode prescindir.

Post Scriptum
Escrevi esse artigo embalado por músicas como "Copacabana", de Braguinha e Alberto Ribeiro, na voz de Dick Farney ("...Copacabana, princesinha do mar, Pelas manhãs tu és a vida a cantar..."), "Superbacana", de Caetano Veloso ("...O mundo em Copacabana, Tudo em Copacabana, Copacabana..."), "Copacabana", de Barry Manilow ("...At the Copa, Copacabana, Music and passion were always the fashion...") e "Mar de Copacabana", de Gilberto Gil ("...Muita gente quer Copacabana, Talvez leve uma semana pra chegar..."). Também ouvi "Do Leme ao Pontal", de Tim Maia ("...Do Leme ao Pontal, Não há nada igual..."). Afinal de contas, para se ir do Leme ao Pontal pela orla marítima, há que passar por Copacabana.


Luis Eduardo Matta

Rio de Janeiro, 13/6/2006
DigestivoCultural.com/

2006-09-21 16:32:00

Tathy conta sua estória ...

Olá moro em brasilia mas sempre vou ao rio. bem... não sei se vocês estarão ainda curiosos em saber da minha história depois que eu falar que sou uma garota de programa e, a minha história foi nessa avenida atlântica. tudo começou quando eu estava sentada em um restaurante e minha amiga disse que tinha alguem querendo sair com nós duas. pedí a conta... o último dinheiro que eu tinha naquela noite. paguei e saimos. não sei porque o gringo desistiu, fiquei brava... discuti com ela e falei que ela não servia nem pra arrumar um programa, emfim. voltamos para o restaurante, sem dinheiro, sentamos... e falei para minha amiga: vou pedir algo para beber e estou sem dinheiro, deus está comigo, pensei. ela foi dar uma volta e eu fiquei lá sozinha, quando um homem de 1,90 chegou a minha mesa e pendiu para sentar. foi uma loucura porque eu não sei nada de inglês e ele nem um pouco da lingua portuguesa. mas, nesta vida eu aprendi uma coisa: o que eles querem é universal e o que eu tenho que aprender é o básico: seu nome, meu nome, quanto e onde. o mais importante nós sabemos e nem precisamos de interprete. resolvemos, enfim, sair. ele pagou a conta e
saimos, levei,claro a minha amiga, coitada. ufa! estava sem dinheiro para pagar a conta. lembra? passamos a noite toda com ele. foi bom e ele pagou bem. bom... já passou sete meses e ele ainda se corresponde comigo. passei por momentos difícil e ele mim ajudou, não com dinheiro, mas com palavras de incentivo e garra. tem horas que uma palavra amiga é melhor que, qualquer dinheiro. e hoje sei que atraves da atlântica fiz uma amizade bonita. gente muito boa.

Depois conto mais...

Bjs Tathy

2006-09-01 19:27:28