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Rua Siqueira Campos


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Começa na Avenida Atlântica e termina na Praça Vereador Rocha Leão. Existe uma saída da Estação de Metrô Siqueira Campos na Rua Siqueira Campos ao lado do n° 121.

Aberta em terras doadas por José Martins Barroso, dava saída ao túnel aberto em 1893 para a passagem do bonde, tornando-se via de acesso à Copacabana. Reconhecida em 1894, pela Municipalidade, recebeu o nome de Rua Barroso.


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Estação de Bondes na Rua Siqueira Campos em foto de Malta de 1921

Estação de Bondes na Rua Siqueira Campos em foto de Malta de 1921

Esse logradouro foi o primeiro, no bairro, a receber uma linha de bonde. A estação foi construída na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, em frente à Praça Serzedelo Correia, onde hoje está o Centro Comercial de Copacabana.

Pelo recenseamento de 1920, havia na rua 150 construções, sendo 54 térreas, 73 sobrados e 23 de três pavimentos. Até 1930, as construções ficavam nas quadras próximas à praia. Com a valorização do bairro, as construções expandiram-se. Em 1931 teve seu nome mudado em homenagem ao 1ºTenente Antonio de Siqueira Campos, um dos lideres da revolta de 5 de julho de 1922.



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Siqueira Campos

Antônio de Siqueira Campos, militar e político brasileiro, nasceu em Rio Claro, SP em 1898. Filho de Raimundo Pessoa de Siqueira Campos e Luísa Freitas de Siqueira Campos, passou quase toda a infância em sua cidade natal e em São Manuel do Paraíso, onde seu pai administrou as fazendas de café de seu irmão, Manuel de Siqueira Campos, um rico proprietário de terras, que também foi presidente da Câmara de Vereadores de Rio Claro.


Em 1904, a família mudou-se para a cidade de São Paulo, onde seu pai ocupou o cargo de almoxarife do Departamento de Águas.

Foi nessa cidade, que Siqueira Campos passou os últimos anos de sua infância e praticamente toda a adolescência. Estudou no Grupo Escolar Sul da Sé e no Ginásio do Estado de São Paulo entre 1904 e 1914, sempre considerado um ótimo aluno.

Ele pretendia cursar Engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, mas sua mãe faleceu e seu pai casou-se novamente, com uma moça ainda mais jovem que o próprio Siqueira Campos, que estava com 16 anos. A organização do novo lar abalou as finanças de seu pai e Siqueira Campos teve que desistir da Escola Politécnica. O clima familiar não era tranqüilo e em 1915, ele resolveu sair de casa e mudar-se para o Rio de Janeiro, como fizeram seus irmãos mais velhos: Raimundo e Ananias.

Pretendendo continuar os estudos sua única alternativa foi ingressar como voluntário no Exército em 1915 e no ano seguinte, como aluno da Escola Militar do Realengo. Inicialmente foi incluído na Infantaria, mas aos poucos foi se direcionando para a Artilharia. A Escola Militar do Realengo, que substituiu a antiga Escola Militar da Praia Vermelha, tinha por objetivo formar oficiais profissionais e apolíticos, que se preocupassem com seu treinamento militar e não com as questões políticas do país. No entanto, ele e seus colegas não deixaram de discutir os problemas brasileiros e questionar os rumos da República Velha. Nessa época fez amizade principalmente com Eduardo Gomes e Estênio Caio de Albuquerque Lima, com que alugou uma casa para poderem estudar. A casa passou a abrigar um grupo de estudo, do qual sairiam os principais líderes das revoltas tenentistas que abalariam os anos 20 do século passado.

A participação de Siqueira Campos na Escola Militar foi quase perfeita, exceto por uma prisão de 15 dias após uma agressão com um chicote a um delegado de Polícia, que o destratara em 1918. O que impediu uma punição maior foi sua ótima ficha. No mesmo ano se formou e imediatamente se matriculou no Curso Especial de Artilharia, concluindo-o em 30 de dezembro de 1919.

O governo de Epitácio Pessoa - 1919/1922 foi marcado por inúmeras dificuldades no relacionamento com os militares. A origem dos atritos não envolvia princípios ideológicos ou tentativas de resolver aspectos a favor de uma ordem social mais justa na estrutura da jovem República. A raiz de toda a problemática centralizava-se em aspectos administrativos e na incapacidade da liderança política em resolver os problemas que afligiam a classe militar, principalmente o Exército. Epitácio Pessoa, nomeou civis para chefiarem os Ministérios da Guerra e da Marinha, cargos que eram ocupados exclusivamente por militares. A falta de confiança do Presidente da República no alto escalão das forças armadas foi o início gerador de inúmeros outros problemas como a recusa em repor as perdas salariais dos militares, cujos vencimentos estavam defasados devido à inflação acelerada.

Artur Bernardes era o candidato à Presidência da República escolhido pelas elites econômicas de Minas Gerais e São Paulo, apoiado por Epitácio Pessoa. No dia 9 de outubro de 1921, foi publicada no jornal carioca Correio da Manhã uma carta ofensiva ao Exército, cuja autoria foi atribuída ao candidato Artur Bernardes. Os oficiais sentiram-se ofendidos e exigiram uma tomada de posição do alto comando contra a pessoa do candidato à Presidência. A autoria da carta foi negada por Bernardes e o manuscrito submetido a uma Comissão Pericial constituída de dois generais, dois almirantes, três coronéis, um capitão e o perito Simões Gouveia.

"O relatório da comissão foi submetido à apreciação da assembléia permanente do clube militar. O plenário decidiu por 493 contra 90 reconhecer como autêntica a carta atribuída a Bernardes." A decisão tomada pelos oficiais do Exército em reconhecer Artur Bernardes como autor das críticas destinadas aos militares, publicadas no jornal, veio corroer profundamente a relação entre os partidários de Epitácio Pessoa e as Forças Armadas. o Presidente da República, diante da forte oposição dos oficiais ao seu candidato, iniciou uma série de transferências para guarnições distantes do Rio de Janeiro, de todos os oficiais que se manifestassem contra a candidatura de Bernardes, gerando uma série de indisciplinas nos quartéis.

Epitácio Pessoa, diante das indisciplinas de alguns oficiais, passou a nomear diretamente aqueles de sua própria confiança para comandar as unidades militares, sendo que as escolhas dos comandantes das guarnições eram atribuições do próprio Comando do Exército.

Em oposição à candidatura de Artur Bernardes e ao governo de Epitácio Pessoa foi lançada a candidatura de Nilo Peçanha, apoiada pelas oligarquias dos estados politicamente menos influentes. Na campanha para o governo de Pernambuco, concorriam o candidato apoiado por Nilo Peçanha e outro favorecido por Artur Bernardes, sendo que Epitácio Pessoa sustentava a candidatura do candidato bernardista. Os oficiais do Exército, sediados em Pernambuco telegrafaram ao Clube Militar queixando-se da intervenção direta de Epitácio Pessoa nas eleições de Pernambuco. O Presidente do Clube Militar, Marechal Hermes da Fonseca, respondeu-lhes dizendo que Epitácio Pessoa estava desrespeitando a Constituição Brasileira. Diante dos fatos, o Presidente da República ameaçou prender o Marechal Hermes e fechar o Clube Militar. No dia 24 de junho de 1922, os oficiais reuniram-se no Clube para analisar as ameaças de Epitácio Pessoa. "Nunca as paixões estiveram tão acesas como naquela assembléia." Alguns oficiais chegaram a insultar publicamente seus superiores, numa demonstração de insubordinação até então jamais vista. Os grupos agrediam-se verbalmente, indiferentes às patentes e aos postos que ocupavam. A jovem oficialidade reagiu com violência à ameaça de fechamento do Clube Militar. O Tenente Astrúbal salientou que os jornais noticiaram que o Presidente da República, para enxovalhar o Exército, iria mandar, no dia seguinte, os seus agentes fecharem o Clube, baseado numa lei que permite fechar sociedades anarquistas, de cáftens e de exploradores de latrocínio. Maior injúria não se poderia fazer, suprema afronta jogada às faces do Exército Nacional. Quando o Major Euclides Figueiredo fala como escudeiro de Epitácio Pessoa, o Tenente Astrúbal diz que ele, o Major, "é cáften, é explorador de latrocínio, é anarquista. Revoltamos contra vossa Excelência emprestar seus galões e a força que comanda a um bandido, como o Senhor Epitácio Pessoa, deixando-o cavalgar livremente o Exército, fechando o Clube Militar baseado numa lei infame, injuriosa e opressora". O general Potiguar não acredita no que ouve e pergunta ao Tenente como ele se atreve a chamar o Senhor Presidente da República de bandido. O Tenente diz que: "não é só bandido, mas é ladrão".

No dia 3 de julho, Epitácio Pessoa mandou fechar o Clube Militar e prender seu Presidente o Marechal Hermes da Fonseca. O comandante do Forte de Copacabana era o Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal. O Capitão não aceitou a prisão de seu pai e passou a tramar, em conjunto com outros oficiais, a rebelião de unidades do Exército e, principalmente, da guarnição que comandava.

Em 5 de julho, o Forte de Copacabana rebelou-se. Os militares do Forte mantiveram por mais de 24 horas um combate com a Tropa Legalista. Totalmente cercado pela força fiel ao governo, o Capitão Euclides deixou a fortaleza para negociar a rendição com as autoridades, deixando no comando o Tenente Antônio de Siqueira Campos. O Presidente da República não aceitou negociar com os revoltosos, exigindo a rendição incondicional. Siqueira Campos, diante do intenso bombardeio ao Forte de Copacabana, atacado simultaneamente por terra, mar e ar, resolveu não se entregar. Contando com o apoio de dezoito companheiros bem armados, Siqueira Campos deixou o forte para uma luta corpo a corpo com os legalistas.

Francisco Carlos Pereira escreve que:

"Octávio Correia, amigo pessoal de Siqueira Campos e de Rosalina Lisboa , mais tarde Larraigotti. Herdeiro da maior fazenda de criação de Quaraí, no Rio Grande do Sul, acostumado a passar longas temporadas na Europa, ao ver seus amigos passarem em frente ao "Mére Louise" juntou-se a eles e recebeu de Siqueira um fuzil e o último pedaço da bandeira nacional que pertencera ao Forte e que era destinada a Euclides Figueiredo. E Octavio, foi o primeiro a morrer. O coronel Nepomuceno, comandante das tropas legalistas ao ver a marcha dos "18 do forte" acreditava que eles caminhavam para se entregar, tal a desproporção das numérica das forças opostas."

Na Praia Copacabana, iniciou-se o combate, sendo que apenas dois revoltosos conseguiram sobreviver: os Tenentes Antônio Siqueira Campos e Eduardo Gomes.




Os 18 do Forte na Av. Atlântica

Nessa ocasião, foi gravemente ferido e preso. Em 1923, no governo Artur Bernardes, após deixar a prisão em virtude de um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Militar (STM), exilou-se no Uruguai. Dedicou-se, então, às atividades de comerciante em Montevidéu e, posteriormente, em Buenos Aires.


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Em 1924, retornou clandestinamente ao Brasil e retomou as atividades revolucionárias sublevando, com Juarez Távora,uma guarnição do Exército em São Borja (RS). Em seguida, juntou-se ao grupo de rebeldes liderados por Luís Carlos Prestes que haviam se levantado contra o governo em outros pontos do interior gaúcho. Derrotados, seguiram para o Paraná, onde se juntaram às forças que haviam sublevado a capital paulista sob o comando do general Isidoro Dias Lopes e pelo major da Força Pública paulista, Miguel Costa. Da junção desses dois agrupamentos, em abril de 1925, surgiu a Coluna Prestes, devido à popularidade de Luís Carlos Prestes que exercia a chefia do Estado Maior da Divisão Revolucionária, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes.

Rafael Correia de Oliveira, que diz: "Prestes confessou que a revolução armada fora apenas um gesto extremado de protesto contra o governo". O segundo jornalista a estar com Prestes no exílio - Luís Amaral, observou que "... a Coluna fora apenas um movimento burguês de contestação a um governo autoritário que humilhou o Exército". Seguindo a mesma linha de pensamento, Domingos Meireles, em seu livro "As Noites das Grandes Fogueiras", salienta que os rebeldes, na verdade, em nenhum momento se preocuparam em promover uma revolução social no Brasil. Os líderes da Coluna jamais pensaram em mudar a estrutura da sociedade e acreditavam que não era preciso mudar a ordem estabelecida para que o Brasil se tornasse uma grande nação.

A Coluna dividia-se em quatro destacamentos, e ele assumiu o comando de um dos flancos, coordenando o 3º. Destacamento Revolucionário. Cumpriu difíceis missões, garantindo a movimentação das forças revolucionárias. No Maranhão, foi responsável pelo afundamento do navio que conduzia tropas do governo federal. Participou de muitos combates no Nordeste, lutando até o final da Coluna Prestes.

A Coluna Prestes




No dia 13 fevereiro 1927, Siqueira Campos, tomou de assalto a cidade de Paracatu, deslocando posteriormente para Unaí.

Leia mais sobre a Coluna Prestes e Siqueira Campos em Paracatu

Ainda em fevereiro de 1927, após quase dois anos de marcha, os revolucionários resolveram interromper a luta armada e se internaram em território boliviano. Siqueira Campos, em seguida, fixou-se em Buenos Aires, dedicando-se a reagrupar os revolucionários brasileiros exilados na Argentina e no Uruguai. Para solucionar as dificuldades financeiras enfrentadas pelos conspiradores, propôs pedir ajuda à Internacional Comunista, proposta que foi rejeitada pelos demais líderes, inclusive por Prestes. No final da década, realizou algumas viagens clandestinas ao Brasil com o objetivo de aliciar jovens militares para a causa revolucionária.

Em 1929, iniciaram-se os entendimentos entre os militares rebeldes e políticos dissidentes que formaram a Aliança Liberal com o objetivo de impedir que Washington Luís fizesse seu sucessor na presidência da República. Apesar das restrições que fazia a uma aliança com representantes das oligarquias que por anos havia combatido, Siqueira Campos foi designado para preparar um levante na capital paulista. Descoberto pela polícia, foi obrigado a fugir. De volta a Buenos Aires, tentou, em vão, convencer Prestes a apoiar o movimento, ainda que concordasse com várias das restrições que esse fazia aos membros da Aliança Liberal, incluindo o próprio Getúlio Vargas.

Cruzou a fronteira com a Bolívia de onde seguiu para Buenos Aires. Passageiro em um avião de carreira comercial, morreu em 10 maio de 1930, antes da revolução ser deflagrada, num acidente sob nome falso, pretendendo voltar ao Brasil quando o avião em que retornava caiu nas águas do Rio da Prata.


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Depoimentos

"Meados de junho de 1976, eu cheguei no RIO, numa sexta-feira, já por volta das cindo da tarde, eu me dirigia para localizar o endereço de uma colega que estudara comigo em Santarem-PA, desci do 572 que peguei na Glória e comecei a subir a Siqueira Campos, meio sismado, parei perto de um semáforo e estava aguardando o sinal abrir, de repente levantei os olhos e me deparei com um amigo, Luis Lopes, que jogava bola no bairro comigo em Santarém-PA, eu nem me mexi, ele me olhou e disse- "não atravessa, deixa que eu te encontro aí, era um milagre, e para completar, quando ele me perguntou o que eu estava fazendo no RIO, eu respondi que estava a procura do endereço da Helen Krausseguer, não me lembro se é assim que escreve o sobre nome dela, mas o pai dela era o seu Peter, bem, para mim foi como se estivesse escrito um roteiro de cinema, após fechar a loja do tio dele que ficava no Supermercado Leão, ele me levou justamente no apartamento da Helen, Rua Siqueira Campos, 170/APTO 808. Depois que voltei pra minha terra, não tive mais notícias dela, foi uma grande amiga, eu só queria dizer-lhe que eu consegui vencer na vida, eu hoje sou um pai de familia, tenho emprego que sempre busquei, trabalho na Varig em São Luis-MA. Então para mim, a Rua Siqueira Campos, é milagrosa, ela me fez gostar do RIO." Francisco Santos Nunes

Fontes: Carlos Henrique Brack em Rio Curioso (com permissão) e outras.


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