Frescobol, um esporte inventado em Copacabana! 

 
 
 

Frescobol é um esporte brasileiro, surgiu no Brasil em 21/04/1945, em Copacabana, RJ, após o término da IIa Guerra Mundial, idealizado pôr Lian Pontes de Carvalho, que morava no edifício de n.º 1496, na Avenida Atlântica, esquina de Rua Duvivier, já demolido.

 
 

O novo esporte teve como berço o trecho da praia compreendido entre o Copacabana Palace Hotel e a Rua Duvivier ( o chamado posto dois e meio), onde Lian, frequentador do local e dono de uma fábrica de móveis de piscina, pranchas e esquadrias de madeira, na Rodovia Presidente Dutra, confeccionou as primeiras raquetes após a exposição do que era o “jogo de raquetes” por Oficiais Franceses, Espanhóis e Inglêses (é interessante assinalar a existência de divertimentos e jogos de raquete, desde o século XV, no norte da França.

 
 
 

O “jeu de paume” (jogo de palma), consistia em impulsionar uma pequena bola feita de material leve, contra uma parede ou de um lado para outro, com as mãos revestidas pôr uma luva ou correia de couro, e mais tarde, utilizando-se uma pá de madeira.

No Museu do Prado, em Madri - Espanha, existe um famoso quadro de Goya datado de 1776, intitulado “El juego de pelota”, que mostra dois trios de jogadores defrontando-se em um terreno baldio, sem rede ou campo delimitado, portando longas e estreitas raquetes de madeira com pequenas cestas nas pontas, em posição similar a do Frescobol. Parece tratar-se de uma variante da “pelota basca”.

Existem também, situações de jogos semelhantes, praticados na Inglaterra, no reinado de Henrique VIII, o que identifica a região Basca na Europa como introdutora deste tipo de atividade de jogo de raquetes para divertimento).

 
 

Vendidas na praia com o auxilio dos guarda-vidas (sem o intuito de patenteá-las, ele chegou a comercializar boa quantidade delas para uma loja do centro da cidade). Os que não podiam comprar ou mandar fazer suas raquetes em serrarias cortavam pedaços de madeiras nas obras dos prédios em construção na Avenida Atlântica e lhes davam forma e acabamento aparando-as árdua e pacientemente com cacos de vidro, serra tico-tico e lixa. As raquetes eram rústicas e pesadas. Utilizava-se as madeiras como pinho, cedro, angelin e araucária na sua feitura.

Com o tempo, os cabos foram encurtados e passou-se a pintar ou envernizar as raquetes para melhor protegê-las da água. Até 1976 jogava-se com bolas de tênis descascadas, após essa data a bolas importadas de racketball passaram a ser usadas .

O nome Frescobol foi criado pois o termo “FRESCOR DO FINAL DE TARDE” era utilizado por senhoras que frequentavam a praia à tarde. Os “gringos” que não suportaram jogar no auge do calor do RJ, misturaram os termos “FRESCO” + “BALL” e os cariocas denominaram o esporte de Frescobol. 

 
 

O esporte estendeu-se ao Leme e ao posto 6 sempre com um número crescente de praticantes, o que originou os primeiros atritos entre praticantes e banhistas, e que determinou a primeira proibição pela Polícia de Copacabana nos anos 50 e 51, transferindo-se para a Praia do Diabo, onde se tornaria a grande academia de Frescobol (lá sua prática sempre foi tolerada e liberada).

 
 

As competições de Frescobol, de acordo com diversos relatos, já se realizavam desde a década de 80 em vários estados brasileiros sem que houvesse um intercâmbio generalizado entre os atletas.

Mas foi a partir de 1994 que o Frescobol consagra-se como esporte competitivo de alto rendimento com a realização do I Circuito Brasileiro de Frescobol, que percorreu do Sul ao Nordeste do País, através de 10 etapas, passando pelos estados de SC, SP, RJ, ES, BA, AL, RN, CE e PE, o que possibilitou o desenvolvimento do mesmo através do intercâmbio estabelecido entre os seus adeptos.

Conseqüentemente desencadeou-se o seu crescimento com a evolução técnica e a unificação das regras. 

Durante muito tempo, o Frescobol foi visto apenas como uma simples diversão de praia. Muitos campeonatos foram realizados em vários Estados, mas com critérios regionais e subjetivos, sempre susceptíveis a interpretações variadas e insatisfações por parte dos atletas.

Frescobol tinha tudo para emplacar.

Precisava, entretanto, de Regras objetivas, específicas e unificadas para todo país.

Inicialmente, foram criadas associações locais, depois o Frescobol começou a ganhar espaço e surgiram as Federações Estaduais, buscando a sua profissionalização.

 
 

Nos dias 18, 19 e 20 de abril de 2003, a ABF, realizou o I Congresso Brasileiro de Frescobol, em Vitória-ES, com o objetivo de discutir a proposta apresentada pela Federação Bahiana de Frescobol – FEBAFRE. Foram três dias de construtivas discussões, com a participação ainda, da Federação de Frescobol do Estado do Rio de Janeiro – FEFERJ, da Federação Espiritosantense de Frescobol - FESFRE e da Associação Brasileira de Árbitros e Atletas de Frescobol – ABRAAF (do Estado de São Paulo), que muito enriqueceu o Novo Regulamento. Foi então elaborada uma metodologia que fosse capaz de efetuar a leitura do jogo, transformando-o em números, abstraindo ao máximo a subjetividade e criando fórmulas matemáticas, totalmente objetivas, com o auxílio dos melhores atletas e árbitros do Brasil.

 
 

Hoje o Frescobol é um dos esportes mais difundidos nas praias brasileiras, e é praticado em todos os Estados. No exterior é cada vez maior a sua prática, graças ao grande número de brasileiros residindo em praias dos U.S.A e Europa.