Cassinos no Rio de Janeiro: a Era de Ouro, ícones e legado cultural

Vista aérea do Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor em destaque, o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara ao fundo

Vista aérea do Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor em destaque, o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara ao fundo - Fonte: Unsplash

Por um período de 20 anos, entre as décadas de 1920 e 1940, Copacabana e outras regiões nobres do Rio de Janeiro viveram o que seria lembrado como a Era de Ouro dos cassinos cariocas. Essa época marcou a identidade cultural da cidade e hoje, mesmo proibidos, os cassinos e jogatinas ainda estão presentes na vida da população fluminense.

A Era de Ouro dos cassinos no Rio de Janeiro

Entre as décadas de 1920 e 1940, o Rio de Janeiro viveu um período de grande efervescência cultural, impulsionado pelos cassinos, que reuniam jogos, espetáculos, teatro e alta gastronomia. Na época, o jogo era legal e gerava importantes receitas para o governo, além de empregar diretamente mais de 55 mil pessoas na cidade. Porém, com a proibição dos jogos em 1946, todos esses empregos e atividades foram encerrados.

Mas o interesse por toda a atmosfera dos cassinos não se encerrou com o decreto-lei da proibição. Quase oito décadas depois, o fascínio ainda existe no imaginário carioca, tanto que a busca por conteúdos que mostram como os jogos de azar encontrou novos formatos no ambiente digital e hoje são até legalizados nas casas de apostas. Apenas para maiores de 18 anos.

Cassino da Urca: o mais famoso da Era de Ouro

O Cassino da Urca foi o mais imponente dos cassinos do Rio de Janeiro, inaugurado nos anos 1930 como um grande complexo de entretenimento com jogos, teatro, restaurante e música ao vivo. O local ficou famoso por receber artistas e personalidades como Carmen Miranda, Frank Sinatra e Walt Disney, tornando-se símbolo da vida noturna sofisticada da cidade.

Após a proibição dos jogos em 1946, o prédio foi comprado pelos Diários Associados e abrigou os estúdios da TV Tupi entre 1954 e 1980. Depois de anos de abandono, o edifício foi restaurado e hoje funciona como instituição educacional privada.

Copacabana e o brilho das mesas de roleta e champanhe

O bairro de Copacabana abrigava diversos cassinos menores, mas igualmente sofisticados. O mais célebre era o do Copacabana Palace, hotel inaugurado em 1923 que rapidamente se tornou ponto de encontro da elite internacional.

A arquitetura e a vida social de Copacabana nas décadas de 1930 e 1940 eram indissociáveis da presença dos cassinos. O bairro vivia uma transformação acelerada, com a construção de edifícios residenciais de luxo e a consolidação da orla como cartão-postal da cidade.

Por que os cassinos foram proibidos em 1946?

A proibição veio de forma abrupta em 30 de abril de 1946, três meses após tomar posse do presidente Eurico Gaspar Dutra, que assinou o Decreto-Lei nº 9.215, extinguindo os jogos de azar em todo o território nacional.

A medida foi justificada oficialmente por razões morais e religiosas, mas analistas apontavam na época para uma combinação de pressões políticas e mudanças no cenário social do pós-2ª Guerra Mundial. Os setores conservadores da sociedade brasileira viam os cassinos como símbolos de decadência moral, associando-os à prostituição e ao crime organizado.

O legado dos cassinos no imaginário carioca

O decreto de Dutra fechou as portas, mas não apagou a memória da época de ouro dos cassinos cariocas. Eles deixaram uma marca profunda na música, na arquitetura e na forma como o Rio se enxerga como cidade.

A Bossa Nova, que nasceria poucos anos depois, carrega muito do sofisticado e do melancólico daquele período, e não por acaso surgiu exatamente em Copacabana.

Hoje, o tema volta com força no debate sobre a regulamentação dos jogos no Brasil, com as apostas de quota fixa aprovadas em 2024. Para muitos cariocas, a possibilidade da volta dos cassinos pode marcar o reencontro com algo que a cidade já soube fazer muito bem.