As raízes portuguesas de Copacabana: uma viagem às origens em Lisboa e Porto

Quem caminha pelas ruas de Copacabana encontra uma história que vai muito além da orla. A arquitetura, a língua e diversos costumes do bairro carregam a marca dos colonizadores portugueses, que a partir do século XVI moldaram a região. O próprio Rio de Janeiro foi fundado em 1565 por colonizadores portugueses, e muitas das características culturais do carioca atual podem ser rastreadas até Lisboa e Porto. Para quem deseja conhecer melhor essas origens, uma viagem a Portugal oferece a oportunidade de conhecer o outro lado dessa ligação secular. Entre calçadas de pedra, azulejos e praças históricas, revela-se ali parte da própria história da cidade.

Marcas portuguesas no Rio de Janeiro e em Copacabana

O nome Copacabana remonta a uma capela erguida no século XVIII em homenagem à Virgem de Copacabana, uma devoção mariana originária da Bolívia que chegou ao Brasil por meio de missionários portugueses. Quem deseja acompanhar essa ligação até sua origem europeia encontra com voos para Lisboa e Porto uma conexão direta do Rio de Janeiro a Portugal, oferecida várias vezes por semana.

Um dos exemplos mais visíveis dessa influência portuguesa é o Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio. A biblioteca, fundada em 1837, foi construída em estilo neomanuelino, uma forma arquitetônica que surgiu em Portugal no século XIX como homenagem à era das navegações. Elementos estilísticos semelhantes aparecem no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e na Estação de São Bento, no Porto, cujas paredes são revestidas por mais de 20 mil azulejos. A Confeitaria Colombo, no centro do Rio, inaugurada em 1894, também se inspirou em referências europeias na decoração interna, usando espelhos e móveis importados de Portugal.

Língua, costumes e festas em comum

A língua portuguesa une hoje cerca de 260 milhões de pessoas em nove países, reunidos na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP. Apesar das raízes comuns, o português falado no Brasil e o falado em Portugal se desenvolveram de forma diferente na pronúncia, no vocabulário e, em parte, na gramática. Linguistas atribuem essas diferenças, entre outros fatores, à separação geográfica e à influência de línguas indígenas e africanas no Brasil.

Um exemplo conhecido dessas diferenças está no tratamento do dia a dia. Em Portugal, a forma “você” costuma soar mais formal, enquanto em boa parte do Brasil ela é usada como tratamento padrão. Termos relacionados a transporte também variam, como “comboio”, em Portugal, e “trem”, no Brasil, para se referir ao mesmo meio de transporte.

As festas também revelam semelhanças. A Festa de São João, celebrada todo mês de junho no Porto com música, fogueiras e danças tradicionais, tem no Brasil sua equivalente nas festas juninas, realizadas no mesmo mês em diversas regiões, inclusive no Rio de Janeiro. Na culinária, essa ligação aparece no bacalhau, preparado de formas diferentes nos dois países, e no pastel de nata, cuja versão brasileira é encontrada em diversas padarias do Rio.

Lisboa e Porto: paralelos arquitetônicos com o Rio

Em Lisboa, o bairro de Alfama, com suas ruas estreitas e íngremes, lembra regiões do Rio como Santa Teresa, que também têm ladeiras e fachadas coloridas. A arte do azulejo marca a paisagem urbana nos dois países. No Rio, um exemplo conhecido é a Escadaria Selarón, criada já no século XX pelo artista chileno Jorge Selarón, mas diretamente inspirada na tradição portuguesa dos azulejos.

O Porto, por sua vez, apresenta no bairro da Ribeira, às margens do Douro, uma arquitetura portuária cuja paleta de cores e ocupação densa lembram os antigos bairros portuários do Rio. A cidade integra a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1996, reconhecimento ligado à preservação de seu centro histórico medieval. Quem visita as duas cidades consegue perceber essas referências construtivas diretamente, das fachadas das igrejas às praças, organizadas com frequência segundo o mesmo esquema de igreja principal, mercado e mirante.

Planejamento da viagem entre Rio, Lisboa e Porto

Entre o Rio de Janeiro e Portugal há uma diferença de quatro horas no verão europeu e de três horas no inverno, dependendo do horário de verão. Cidadãos brasileiros podem entrar no espaço Schengen, do qual Portugal faz parte, sem visto, para estadias turísticas de até 90 dias dentro de um período de 180 dias. A melhor época para visitar Lisboa e Porto vai de abril a outubro. Nesses meses, as temperaturas costumam ficar entre 18 e 28 graus, o que facilita combinar passeios pelas cidades com excursões de um dia até a costa atlântica.

Uma viagem que inclua as duas cidades pode ser bem realizada em dez a quatorze dias. Entre Lisboa e Porto, os trens levam cerca de três horas, o que torna simples combinar os dois destinos. A moeda usada em Portugal é o euro, e para a entrada no país basta um passaporte válido, sem necessidade de visto para brasileiros em estadias turísticas curtas. Quem quer entender melhor a história por trás de Copacabana e do Rio de Janeiro encontra nas ruas, igrejas e bibliotecas de Portugal as referências diretas de muito do que hoje faz parte do cotidiano carioca. Uma viagem até lá fecha, assim, um ciclo iniciado há mais de quatro séculos.