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Travessa Jaú, Copacabana, Rio de Janeiro 

A Travessa Jaú começa na altura do número 210 da Rua Tonelero e não tem saída.

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Travessa Jahú em Copacabana

GeoLocalização:

Latitude, Longitude : (-22.966858,-43.185813)

CEP da Travessa Jahú, Copacabana, Rio de Janeiro

  • 22030-050 Travessa Jau

#Hashtag:

  • #travessajahu
  • #travessajau 

Travessa Jahú, Copacabana

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Travessa Jaú em Copacabana

Por que a Travessa Jahú em Copacabana tem esse nome?

Jahú foi o primeiro avião com tripulação brasileira que atravessou o Oceano Atlântico, chegando ao Brasil no dia 5 de julho de 1927.

Seu comandante foi o aviador Ribeiro de Barros que aos 26 anos de idade, idealizou, organizou, financiou, comandou e executou o vitorioso vôo, tendo como tripulantes o navegador brigadeiro Newton Braga, o co-piloto Arthur Cunha, substituído por João Negrão, e Vasco Cinquini, mecânico.

No momento mais dramático e perigoso do vôo, há 2.400 Km do Brasil - quando o JAHÚ pousou junto a Ilha São Tiago (em Porto Praia), arquipélago de Cabo Verde, para abastecimento e reparos - o piloto auxiliar Arthur Cunha, zarpando para a Europa, procurou a imprensa para desmoralizar Ribeiro de Barros aquele que o havia contratado até o término do percurso. 

Avião Jahú

Ribeiro de Barros, piloto do avião Jahú

As declarações impulsivas ou distorcidas pela imprensa, de Arthur Cunha tiveram grande repercussão internacional, criando até um problema diplomático, entre a Espanha e o Brasil. Após descobrir água, sabão caseiro e areia nos depósitos de combustível, o comandante Ribeiro de Barros resolveu desmontar os motores do hidroavião, encontrando também um pedaço de bronze no fundo da cárter do propulsor, colocado ali com o propósito de danificar o conjunto mecânico e provocar a interrupção do vôo. Todos esses fatos tornaram-se públicos e o governo brasileiro envia um telegrama ao comandante do JAHÚ, em Porto Praia, ordenando-lhe que interrompesse o reide, encaixotasse o aparelho e retornasse ao Brasil.

Indignado pelo teor do texto, responde prontamente pela mesma via:

Exmo. Sr. Presidente. Cuide das obrigações de seu cargo e não se meta em assuntos dos quais Vossa Excelência nada entende e para os quais não foi chamado. Ass. Comandante Barros.

Num gesto admirável de renúncia, sua mãe, Margarida Ribeiro de Barros, compreendendo a angústia do filho e a ansiedade da alma brasileira, envia-lhe do Brasil um telegrama que passaria a fazer parte da História do JAHÚ:

"... Aplaudimos tua atitude. Não desmontes o aparelho... Paralisação de reide será fracasso. Asas avião representam Bandeira Brasileira... Bênçãos de tua mãe, Margarida."

Osório Ribeiro, irmão do aviador, contrata no Brasil um novo co-piloto, João Negrão, e segue com ele para Cabo Verde. Ao deparar com o comandante do JAHÚ, magro, pálido e debilitado pela quarta crise consecutiva de malária, tamanhas adversidades e provações do irmão, não contém as lágrimas.

Dia 28 de abril de 1927 - Quatro e meia da madrugada.

A população da Ilha de São Tiago (Cabo Verde), acorda sobressaltada com o rugido ensurdecedor de 1.100 HPs (550 em cada motor) de potência a plena rotação, cuspindo fogo pelas 24 trompas de escape e tal qual um monstro enfurecido vai rasgando uma a uma as ondas para depois apoiar-se nas asas e alçar vôo. O JAHÚ contorna repetidas vezes a ilha, para ganhar altura, enquanto as luzes do povoado se acendem lá embaixo e vão ficando para trás...

Trazendo o manche em direção ao peito, Ribeiro de Barros grita aos companheiros: "apaguem todas as luzes de bordo. Eu quero ver o Cruzeiro do Sul, mesmo que seja pela última vez."

Tempestade... ventos fortes sacodem o JAHÚ.

A água gelada arremessada pelas hélices penetram a carlinga aberta, escorre em abundância pela blusa de couro, encharcando o macacão e botas do comandante Barros e se deposita no assoalho da cabina de comando.

Um forte estampido, seguido de um abalo na aeronave, põe em alerta a tripulação. O JAHÚ que demonstrara tanto vigor até aquele instante, começa a acusar sinais de cansaço. A hélice traseira sofrera uma avaria. Barros pede calma aos companheiros, enquanto reduz para 500 RPM o motor traseiro vagarosamente, testando a resposta do avião. Ato contínuo arremete para 1.500... 1.600... 1.700 as rotações do motor dianteiro. O avião encontra-se no limite da sustentação aerodinâmica, mas, o altímetro continua estável: 250 m de altura. A altitude média dessa histórica viagem foi de 300 metros, numa velocidade de 190 K/h - recorde absoluto por dez anos consecutivos.

O navegador que estava debruçado sobre a carta geográfica, mal podendo manipular régua e compasso, levanta o braço direito com o punho cerrado, esmurrando o espaço - num gesto ritual de vitória - e grita: atravessamos o Equador... Em seguida passa ao Barros, através do Negrão, um bilhete com as letras trêmulas - LAT 2 º. S. Barros esboça um sorriso e anota no verso: "450 litros" e devolve ao Braga.

JAHÚ faz um pouso triunfal em águas brasileiras, na enseada Norte da ilha de Fernando de Noronha. Nos tanques, restavam ainda 250 litros de combustível, como atestou o comandante Nisbet, no navio Ângelo Toso, de bandeira italiana, que presenciou à distância a amerissagem. Foi a conquista da raça brasileira nos domínios do espaço, sendo esse feito reconhecido mundialmente na época e o aviador brasileiro recebeu condecorações, honrarias, diplomas e prêmios de inúmeros governos estrangeiros.

Dez anos depois do vitorioso vôo do JAHÚ, a Liga Internacional dos Aviadores (LIA), sediada em Paris, França, concede ao comandante Barrosa mais importante de suas condecorações, o troféu Harmon, como prova de reconhecimento, ao mesmo tempo em que o nomeia para o cargo de vice-presidente da LIA.

No Brasil, as homenagens e manifestações de júbilo aos tripulantes do JAHÚarrastaram-se por meses seguidos, conforme documentam as publicações da época.

Em 1930 João Ribeiro de Barros adquire na França um avião Breguet e o batiza com o nome de sua mãe, Margarida - falecida no ano anterior - com o fim de realizar um vôo do Rio de Janeiro a Paris. Quando se dirige ao Campo dos Affonsos, para iniciar a viagem, proíbem-lhe o acesso ao aparelho. Seu avião é confiscado por ordem do governo, para ser usado contra as forças paulistas na revolução que acabara de eclodir.

Encontra-se Ribeiro de Barros em sua fazenda, quando é surpreendido pela presença do delegado Amazo Neto acompanhado por oito investigadores. Dão-lhe voz de prisão, sob a alegação de estar ele, Ribeiro de Barros, publicando um jornal clandestino contra a ditadura Vargas.

Vasculham sua casa em Jaú e transportam-no, escoltado, para São Paulo, onde dão busca em seu apartamento. Nada constando contra ele, dão-lhe de novo a liberdade.

Volta o aviador jauense para sua fazenda Irissanga, onde nasceu em 4 de abril de 1900, profundamente abalado, remoendo com resignação e silêncio as adversidades e as mazelas humanas. Morreu nos braços de seu irmão Osório, em 20 de julho de 1947.

Fonte: História Heróica da Aviação (José Ribeiro de Barros),
Asas ao Vento (Newton Braga), João Ribeiro de Barros (José Raphael Toscano),
A Epopéia do "JAHÚ" (Deputado Hilário Freire), Asas Brasileiras
(Gerson Mendonça), Jornais e Revistas (Da época - anos 20, Séc. XX),
A. Charles Rodrigues - charles@promotur.com,
José Raphael Toscano (15/05/97), Alex Pinheiro Machado Rodrigues - alex@bsbnet.com

A travessa Jahú fica na Rua Tonelero em Copacabana, pertinho da Rua Siqueira Campos.

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