Presente para moradores: aplicativos online incluindo email voce@copacabana.com! Clique aqui!
RSS Copacabana.COM Subscribe with Google Add to My Yahoo! Subscribe with Live Comunidade do Copacabana.COM no Orkut Follow us on Twitter Siga a gente

Noticias de Copacabana por Email

O trânsito ao vivo em Copacabana, clique aqui!
Veja Copacabana ao vivo

LiveCam by CET-Rio


Tudo sobre Copacabana
Acesse sua conta em
Copacabana.COM
Nome de usuário:

@copacabana.com
Senha:



Esqueceu usuário ou senha? Não tem? Crie a sua GRÁTIS!

Rio de Janeiro, Copacabana.COM Thursday, 28-Aug-2008 12:12:08 BRT

Rua Tonelero


Atentado da Rua TONELERO Inquérito Policial Militar


Rua Tonelero

Da Passagem de Tonelero ao Atentado a Carlos Lacerda

Depoimento do jornalista Otávio Bonfim sobre o Atentado a Carlos Lacerda

Atentado a Carlos Lacerda - Jornal do Brasil

Atentado a Carlos Lacerda - Folha de São Paulo

Atentado a Carlos Lacerda - IPM


Home > Guia de Ruas > Rua Tonelero > Atentado da Rua TONELERO Inquérito Policial Militar





Livro - Vitória na Derrota: a Morte de Getúlio Vargas - RONALDO CONDE AGUIAR - Ed. Casa da Palavra
A crise política de 1954, deflagrada com a morte do major Rubem Vaz e que culminaria no suicídio de Vargas. Quais as verdadeiras causas do atentada? Que forças operavam naquele período fatal? Afina... Clique aqui e veja mais detalhes.



Livro - Agosto - RUBEM FONSECA - Ed. Companhia das Letras
O atentado contra o jornalista Carlos Lacerda na rua Tonelero é a deixa para o romance "noir" do escritor carioca em torno dos acontecimentos de agosto de 1954, que levaram ao suicídio do Presidente Vargas. Clique aqui e veja mais detalhes.


Livro - Carlos Lacerda: Vida de um Lutador - JOHN W.F. DULLES - Ed. Nova Fronteira
Professor Dulles Conhece Profundamente a Epoca Aqui Retratada. Consegue um Relato Claro e Objetivo, que e Quase um Diario da Politica Brasileira, Vista por seu Critico Mais Incisivo. sao Poucas as ... Clique aqui e veja mais detalhes.

Livros - 21 Contos Inéditos de Carlos Lacerda - TULIO VIEIRA DA COSTA - Ed. Imprensa Oficial SP
Mais conhecido como jornalista incendiário do que como ficcionista, O autor Carlos Lacerda oferece uma bela surpresa aos leitores com esses contos. São histórias escritas em duas fases distintas, a... Clique aqui e veja mais detalhes.

Livro - 1954: um Tiro no Coração: o Ciclo de Vargas - HELIO SILVA - Ed. L&PM
1954 - Um tiro no coração recompõe o último governo Vargas e os conturbados acontecimentos da cena política brasileira que culminaram no suicídio do presidente da República. Através de pesquisa rig... Clique aqui e veja mais detalhes.


Livros Mais Vendidos / Lançamentos



Menina que Roubava Livros, A - MARKUS ZUSAK



1808 - LAURENTINO GOMES



Caçador de Pipas, O - KHALED HOSSEINI



Almanaque Anos 90 + Almanaque da TV (GRÁTIS)



Pré-Venda: Memórias do Livro, As - GERALDINE BROOKS



Silêncio dos Amantes, O LYA LUFT



Pré-Venda: Pós-Guerra : Uma História da Europa Desde 1945 - TONY JUDT



Pré-Venda: Irmãos Stanislaski : Um Amor a Despertar - Alex, Os - NORA ROBERTS

Atentado na Rua Tonelero


ATENTADO DA RUA TONELEIROS
          Relatório do inquérito policial militar (IPM) (set. 1954)

          Do Cel.-Av. João Adil Oliveira, Encarregado do Inquérito Policial
          Militar

          Ao: Exmo Sr. Ministro da Aeronáutica

          Assunto: Remessa de autos do IPM - Faz

          Anexo: 1 (um) IPM em quatro volumes.

          1) Tendo sido encarregado do Inquérito Policial Militar, aberto
          em virtude da possibilidade da existência de crime militar no
          atentado da Rua Toneleros, no qual perdeu a vida o Major-Aviador
          Rubem Florentino Vaz, designação esta feita em portaria de 12 de
          agosto p.p. (fl. 4), pelo então Ministro da Aeronáutica,
          iniciamos no mesmo dia os trabalhos de investigação, a fim de
          apurar os fatos delituosos.

          Nesse sentido de apuração dos fatos, avançamos consideravelmente,
          conseguindo atingir quase a etapa final.

          Entretanto, já nas derradeiras investigações, chegamos a uma
          situação de incompatibilidade hierárquica para o prosseguimento
          do inquérito, em face do que estabelece o Código da Justiça
          Militar, no § 1o do artigo 115 (fl. 408). Assim, impossibilitado
          de prosseguir nas investigações para o total esclarecimento do
          caso, remetemos o IPM a V. Exa, para os devidos fins.

          Dada a natureza especial deste IPM, entendemos que é de nosso
          dever, no momento em que enviamos os autos a V. Exa, formular uma
          articulada exposição dos fatos em que deram origem, historiando a
          atuação que tivemos no processo e fixando conclusões parciais dos
          trabalhos de investigações de que fomos encarregados. Com isso
          procuramos contribuir para uma exata interpretação das provas e
          informações coligidas e para o desenvolvimento de diligências
          complementares daquelas que encetamos.

          2) Nas primeiras horas do dia 5-8-54, a Rua Toneleros, no bairro
          de Copacabana, foi teatro de um bárbaro atentado, onde perdeu a
          vida o Major-Aviador Rubem Florentino Vaz e foram feridos o
          jornalista Carlos Lacerda e o guarda municipal Sávio Romero.
          Quando, em frente ao edifício no 180 da Rua Toneleros, se
          despediam, após ligeira palestra, no final de uma viagem de
          automóvel, o Major-Aviador Rubem Florentino Vaz, o jornalista
          Carlos Lacerda e o seu filho menor Sérgio, foram eles
          inopinadamente atacados a tiros por um desconhecido, que logrou
          atingir mortalmente o major e em um pé o referido jornalista, o
          qual, reagindo à bala, provocou a fuga do agressor (fls. 470 e
          472). Este teve a sua retirada interceptada pelo guarda Sávio
          Romero, que, armado de revólver, procurou evitar sua fuga e
          contra ele disparou sua arma. Ferindo o guarda, conseguiu o
          malfeitor fugir. O policial ainda atirou contra o automóvel que o
          criminoso utilizou para a evasão e tomou seu número, fato que
          contribuiu para que, hora depois, o motorista do auto se
          entregasse à prisão (fls. 281 a 284).

          3) A natureza do crime exigiu que fossem de imediato apuradas sua
          causa e finalidade. A polícia, momentos após o atentado,
          praticado quase na porta da delegacia do 2o Distrito Policial,
          deu início a um inquérito, que, depois da apresentação do
          motorista do automóvel usado para a execução do crime, ficou
          "praticamente" paralisado, aumentando então as razões que
          exigiram a instauração do IPM.

          A portaria do então Sr. Ministro da Aeronáutica (fl. 4), usando
          das atribuições que lhe confere o artigo 115 do Código da Justiça
          Militar, declina "a possibilidade da existência de crime
          militar", e estabelece, com isso, os fundamentos da instalação do
          IPM.

          Com efeito, se assistia ao Sr. Ministro da Aeronáutica o direito
          de ordenar a abertura de um inquérito policial militar, era
          também de seu dever assim proceder, pois se tratava de um crime
          de homicídio na pessoa de um major da Aeronáutica, praticado em
          circunstâncias inteiramente desconhecidas.

          Por outro lado, no local do crime, foi desde logo notificado que
          o criminoso se havia utilizado de armamento de uso privativo das
          Forças Armadas, fato que também dava lugar à presunção da
          participação de um militar na execução do delito (fls. 529 a
          533).

          Como oficial da Aeronáutica, designado para acompanhar as
          diligências encetadas, logo após o atentado, cumprimos o dever de
          sugerir, mediante parte, a instauração de inquérito policial
          militar, para o fim de apurar a possibilidade da ocorrência de
          crime militar.

          4) A opinião pública, naturalmente sensível ao crime, reagiu
          alarmada pelas características de brutalidade e traição
          demonstradas na execução do atentado. A covarde eliminação de um
          jovem oficial, desarmado e indefeso, e a tentativa de fuzilamento
          de civis, em evidentes condições de concerto e surpresa,
          produziram na Aeronáutica um movimento de intensa indignação. Com
          esses sentimentos se solidarizaram o Exército e a Marinha
          unânimes, na condenação do selvagem atentado, que reforçava a
          generalizada sensação da existência de um ambiente de insegurança
          em todo o País, já que fatos dessa natureza ocorriam até mesmo na
          Capital da República.

          5) Acompanhamos as investigações da Polícia Civil desde o seu
          início. O inquérito policial foi presidido pelo delegado do 2o
          Distrito Policial, Dr. Jorge Luís Pastor de Oliveira, e foram
          designados para assisti-lo o encarregado deste IPM, como
          representante da Aeronáutica, corporação à qual pertencia o Major
          Vaz e o Dr. João Baptista Cordeiro Guerra, Promotor Público, como
          representante do Ministério Público Civil.

          A portaria já assinalada à fl. 4, de S. Exa o então Ministro da
          Aeronáutica, na qual se determinava a abertura do IPM, e se fez a
          designação do nosso nome para encarregado do mesmo, foi assinada
          cerca de zero (0) hora do dia 12 de agosto último. Desse mesmo
          momento iniciamos nosso trabalho, que teve a assistência do
          Promotor Nelson Barbosa Sampaio, como representante do Ministério
          Público Militar.

          A rapidez com que entramos em ação fez desaparecerem as causas de
          malogro das anteriores diligências policiais, já verificadas na
          captura de José Antônio Soares, que nos escapou por trinta
          minutos, justamente o tempo que a patrulha da Aeronáutica esperou
          por um elemento da Polícia Civil que devia acompanhá-la a fim de
          "investi-la" de autoridade policial.

          Tomaram então as diligências vigoroso impulso, sendo magníficos
          os seus primeiros resultados. Já às cinco horas do dia 13, quer
          dizer (29) vinte e nove horas após a abertura do IPM, capturamos
          o pistoleiro Alcino João do Nascimento e nesta mesma manhã do dia
          13 obtivemos sua confissão total, com a indicação precisa de
          outros participantes do atentado (fls. 35 e 44).

          6) Parece-nos conveniente salientar, desde já, que, com a
          apresentação voluntária do motorista Nelson Raymundo de Sousa, na
          manhã do dia 5 (cinco), começou-se a ligar ao atentado, por
          associação de idéias, pessoal que servia no Palácio do Catete,
          pois se verificou que esse motorista "fazia ponto" na esquina das
          Ruas Silveira Martins e do Catete, quer dizer, em frente ao
          Palácio do Catete, e, ainda mais, servia habitualmente aos homens
          da então extinta Guarda Pessoal do falecido Senhor Presidente da
          República.

          Realmente, após sua prisão, Nelson Raymundo de Sousa confessou
          que havia transportado ao local do atentado o guarda pessoal
          Climério Euribes de Almeida, a serviço do Palácio do Catete.
          Dessa confissão resultou o indício de que a Guarda Pessoal do Sr.
          Presidente da República de então estava envolvida no atentado.
          Firmou-se mais essa convicção logo depois da confissão do
          pistoleiro Alcino João do Nascimento, que também indicou Climério
          Euribes de Almeida como participante do delito (fls. 35 a 44).

          Fixados certos pontos ou condições de imagem geométrica, será
          fácil chegar à equação algébrica do "lugar geométrico". Foi o que
          aconteceu, no caso, com os primeiros resultados colhidos e com os
          que se seguiram logo após, permitindo o delineamento seguro do
          rumo a dar às investigações. A orientação que os fatos forneciam
          indicava sempre, como uma constante o Palácio do Catete. E houve
          mesmo circunstâncias curiosas no prosseguimento das diligências,
          quando aparentemente éramos desviados desse rumo e os fatos,
          abruptamente, nos arrastavam ainda ao mesmo lugar, Palácio do
          Catete. Para citar um exemplo, lembramos o caso do Deputado Dr.
          Euvaldo Lodi, seriamente envolvido no caso e aparentemente sem
          ligação com o Palácio do Catete (fls. 258 a 259, 267 a 268 e 303
          a 306). As investigações prosseguiram, e chegou-se à prova de que
          esse deputado fez sua trama dentro do Palácio do Catete, no
          quarto do próprio chefe da Guarda Pessoal do então Presidente da
          República, e, ainda mais, o que é de estarrecer, estipendiava a
          referida guarda. Em suma, nunca mais conseguiu o IPM afastar-se
          do palácio do Governo, onde o crime foi estimulado, planejado e
          resolvido. Chegou-se mesmo a uma constatação surpreendente: das
          pessoas envolvidas no episódio delituoso, a que estava mais
          afastada do Catete era o motorista Nelson, que tinha seu "ponto"
          a cerca de cinqüenta metros do portão principal do mencionado
          Palácio ou eram seus freqüentadores habituais, e, seja como for,
          utilizavam a residência do primeiro magistrado da Nação como
          "base de operações".

          Mesmo os familiares do ex-presidente da República foram
          envolvidos nas investigações e chegou-se à surpreendente
          verificação de que havia entre eles um culpado confesso "de
          favorecimento pessoal" (art. do CPM), seu irmão Benjamin
          Dornelles Vargas. (fl. 414 dos autos).

          7) Cumpre-nos assinalar, a esse propósito, que, até a presente
          data, os indiciados ouvidos acabaram confessando sua participação
          integral no delito. Apenas o Deputado Euvaldo Lodi se apega a uma
          grosseira distorção no sentido de vocábulos para procurar fugir à
          responsabilidade que lhe cabe (fls. 269 a 272). Esse parlamentar
          não teve porém nenhum receio de enfrentar o IPM logo que
          solicitamos seu depoimento, assegurando plena ressalva de suas
          imunidades, como fizemos em relação ao Deputado Danton Coelho,
          outro indiciado como mandante, que se recusou a depor.

          8) Militares dedicados às nossas específicas tarefas
          profissionais, logo que incumbidos do IPM tivemos inicialmente de
          organizar um verdadeiro aparelho policial, inexistente na
          Aeronáutica, a fim de procurar desvendar um crime que se
          apresentava aos olhos da Nação como envolto em denso mistério.

          Justo é, pois, ressaltar, nessa matéria, a colaboração eficiente
          que nos foi prestada pela Diretoria de Rotas Aéreas, onde sua
          equipe de inteligentes e dedicados oficiais resolveu dar ao
          encarregado do IPM todo o apoio, nos múltiplos e difíceis
          encargos da elucidação do crime em que foi imolado um de seus
          camaradas.

          Seria, entretanto, injustiça de nossa parte se não registrássemos
          que, na apuração da verdade, contamos também com a inesquecível
          colaboração dos nossos camaradas do Exército e da Marinha, todos
          prontos, em todos os seus setores, a trazer-nos, como trouxeram,
          inteiro apoio para o completo esclarecimento do crime e para a
          indicação dos culpados à Justiça. A mesma colaboração recebemos
          de outros colegas da Aeronáutica, como também de elementos civis,
          todos desejosos de trazerem qualquer esclarecimento que pudesse,
          fosse como fosse, elucidar um crime praticado em plena Capital da
          República, ferindo a dignidade de um povo culto e civilizado.

          9) A seguir faremos um confronto dos diferentes depoimentos e com
          isso deixaremos demonstrado, de forma indiscutível, que todas as
          acusações se acham devidamente comprovadas. Foi uma denúncia
          espontânea de Manuel Joaquim do Nascimento, levado à Diretoria de
          Rotas Aéreas (fls. 85 a 88), que provocou a prisão de Abigail
          Rabello, mulher de Alcino João do Nascimento, a qual confessou de
          modo convincente (fls. 22 a 26) a participação de Alcino no
          atentado. Em conseqüência desse depoimento, foi determinada a
          captura de Alcino, que se efetuou na madrugada de 13 de agosto,
          pelo Primeiro-Sargento Elias de Carvalho Guedes (fls. 65 a 67).
          Ouvido Alcino, no decorrer do dia 13, confessou sem dificuldade a
          autoria dos disparos que vitimaram o Major-Aviador Rubem
          Florentino Vaz e feriram o jornalista Carlos Lacerda e o guarda
          municipal Sávio Romero (fls. 35 a 44). Em sua confissão,
          esclareceu o pistoleiro que sua interferência no atentado foi
          provocada por indicação de José Antônio Soares, com quem já havia
          cooperado no assassínio, por engano, de Walter de Tal, na Pavuna,
          quando Soares lhe ordenara que matasse Marcus de Tal, (fls. ? 85,
          e 316). No novo empreendimento criminoso, por sua vez, atendia
          Soares ao pedido de Climério Euribes de Almeida (fls. 23, 36, 85,
          204, 370 e 394).

          Ao encarregado deste IPM tudo indicava que Alcino dizia a
          verdade, porque a participação de Climério no atentado já havia
          sido anunciada por Nelson Raymundo de Sousa, motorista que
          conduziu os criminosos para a execução do crime. Esse motorista
          prestou seu depoimento na madrugada do dia oito de agosto p.p.,
          perante o delegado Pastor (fl. 97).

          Desde a madrugada do dia oito de agosto, se ficou sabendo da
          participação de elementos da Guarda Pessoal do Presidente da
          República na execução do homicídio do Major Vaz, mas a
          confirmação desse fato só se obteve, em definitivo, com a
          confissão de Alcino, já que, desde aquela data (fls. 35 a 44), se
          verificou a impossibilidade da localização de Climério. José
          Antônio Soares, em face de suas estreitas ligações com este
          elemento da guarda presidencial e por diversas denúncias, passou
          também a ser suspeito, mesmo antes da confissão de Alcino.
          Começou então a ser procurado.

          Quando ainda na situação de representante da Aeronáutica junto ao
          inquérito policial, no dia dez de agosto p.p., observamos o
          reconhecimento e inquirição sumária dos membros da Guarda
          Pessoal, que havia sido extinta na véspera, notamos que o seu
          secretário João Valente de Sousa mentia ao ser por nós
          interrogado. Levando em conta sua atuação estranha, no Palácio do
          Catete, na madrugada do dia oito de agosto, quando lá estivemos,
          acompanhando o Sr. Ministro da Aeronáutica, o Sr. Ministro da
          Justiça e o Sr. Chefe de Polícia, e pedimos ao referido delegado
          sua detenção como suspeito (fls. 366, 395, 400, 422, 437, 453,
          460 e 463). Também neste IPM determinamos a prisão de Valente
          para averiguações, logo que iniciadas as diligências de nosso
          encargo (fls. 6, 20 e 30).

          Ouvido no dia 14 de agosto (fls. 72 a 75), Valente confessou sua
          participação na fuga de Climério e Soares, e alegou ter atendido
          a uma solicitação de seu chefe, Gregório Fortunato, que era o
          chefe da Guarda Pessoal do Senhor Presidente da República. A
          participação de Gregório na fuga dos criminosos consistiu no
          envio para Climério, através de Valente e Soares, da quantia de
          cinqüenta mil cruzeiros (Cr$50.000,00). Necessária se tornou
          assim a prisão de Gregório Fortunato, que se encontrava ainda no
          Palácio do Catete, desde o dia oito de agosto pp. Essa prisão se
          efetuou somente no dia 15 do mesmo mês, porquanto a participação
          de Gregório só veio ao conhecimento do encarregado de inquérito
          com a prisão e confissão de Valente (fls. 168, 310, 345, 360,
          366, 389, 396, 402, 453).

          Ouvido, Gregório Fortunato negou de forma categórica sua
          interferência no crime, mas a continuação das diligências
          permitiu que provas fossem colhidas, demonstrando de maneira
          cabal a participação do chefe da Guarda Pessoal não só na fuga
          dos criminosos, mas também na determinação do atentado.

          Realmente, preso Climério, e ao confessar este, reiteradamente,
          sua participação no assassinato e nas tentativas (fls. 204 a 214
          e 370 a 376), deixou positivado que Gregório, além de cooperar na
          fuga, tinha sido o mandante direto do atentado.

          O fato de coincidir a seqüência numérica das cédulas novas, da
          mesma série e do valor de Cr$500,00 (quinhentos cruzeiros),
          apreendidas na residência de Gregório, em poder de Climério,
          Alcino e Soares, ainda mais veio fortalecer a certeza da atuação
          do Gregório (fls. 105, 107, 108, 113 e 236). Diante dessas provas
          irrefutáveis de sua interferência no crime, resolveu Gregório, em
          várias declarações que prestou, confessar, de forma ampla, sua
          ostensiva participação em todas as fases do atentado da Rua
          Toneleros (fls. 258 a 259, 359 a 360, 394 a 397, 398 a 404 e 408
          a 410).

          É de assinalar que a convicção da participação de Gregório, no
          atentado, foi se avolumando à proporção que eram ouvidas
          testemunhas, como sejam Roberto Alves (fls. 267 a 268 e 310 a
          311), Archimedes Manhães (fls. 163 a 169), Arthur Ramos da Silva
          (fls. 100 a 102 e 239 a 240). Tomás Amaral (fls. 142 a 143 e 342
          a 343), José Almeida Aquino (fls. 354 a 356) e Victor Costa
          Petraglia Geraldine (fls. 202 a 203 e 345 a 346), de cujos
          depoimentos se pode inferir que, no dia nove de agosto, data da
          dissolução da Guarda Pessoal, Gregório demonstrava grande
          inquietação, procurava obter dinheiro e deixar o Palácio do
          Catete, usando nesta ocasião de expressões que revelavam sua
          responsabilidade nos acontecimentos.

          10) A confissão plena de Gregório Fortunato, de sua participação
          no atentado, chamando a si a responsabilidade de mandante,
          poderia parecer o ponto derradeiro das investigações, se os
          antecedentes do crime e suas circunstâncias não nos levassem à
          convicção de que Gregório guardava outros segredos, além dos já
          revelados. Bastaria atentar para que, antes de confessar a
          posição de mandante do crime, Gregório acusara frontalmente o
          Deputado Euvaldo Lodi como um dos instigadores do atentado,
          acusação que sustentou em veemente acareação (fl. 273). Tínhamos,
          então, o ponto de partida para levarmos avante as investigações,
          com o único objetivo de esclarecer toda a verdade, apontando à
          Justiça todos aqueles que direta ou indiretamente levaram sua
          colaboração a Gregório Fortunato na preparação intelectual do
          delito.

          Com efeito, não distingue a lei penal, no apreciar a
          responsabilidade, a posição dos autores materiais e a dos autores
          intelectuais do crime. Todos são co-auto-res (art. 53 do CPM).

          Desse modo, cumpre-nos examinar, dentre as provas colhidas no
          inquérito, a situação de todos aqueles que por ordem cronológica,
          são apontados, focalizando, em síntese, a posição de cada um
          acima de Gregório Fortunato.

          Euvaldo Lodi - Foi o primeiro a surgir. Nas declarações que
          prestou, no dia 21 de agosto p.p., relata Gregório Fortunato a
          proposta que recebera de Lodi por intermédio do Roberto Alves, no
          sentido de "bombardear" Carlos Lacerda. Refere que repeliu tal
          proposta, que foi reiterada, já agora no seu quarto no Palácio do
          Catete, pelo próprio Euvaldo Lodi, em termos violentos. Confessou
          Roberto Alves a proposta que recebera de Lodi, e que transmitiu a
          Gregório, proposta feita no Hotel Olinda, em Copacabana, na
          presença dos Senhores João Gaia Gomes e Nelson Junqueira da Veiga
          Azevedo, que, ouvidos, confirmaram as declarações de Roberto
          Alves (fls. 303 a 306).

          Ouvido o Deputado Euvaldo Lodi, negou a acusação formulada por
          Gregório Fortunato e Roberto Alves; necessária se tornou, assim,
          uma acareação entre Gregório Fortunato, Roberto Alves e Euvaldo
          Lodi. Sustentaram os dois primeiros, de forma enérgica, que este
          último, realmente, incitara Gregório ao homicídio.

          Cremos não ser possível traduzir, no papel, a impressão causada
          pela veemência dos acusadores, no espírito daqueles que
          presenciaram a aludida acareação. Entre eles se encontrava o
          Deputado José Augusto, então Presidente em exercício da Câmara
          dos Deputados. Enquanto Gregório e Roberto reafirmaram, de
          maneira categórica e vigorosa, a acusação feita a Lodi, este,
          pela atitude timorata e passiva que assumiu, afastou qualquer
          sombra de dúvida sobre a verdade encerrada na imputação do
          incitamento.

          Benjamin Dornelles Vargas - Na história deste atentado, preparado
          por Gregório Fortunato, chefe da Guarda Pessoal do Presidente da
          República, a figura de Benjamin Dornelles Vargas aparece. É
          Benjamim irmão do falecido ex-Presidente da República, o qual
          para ele apelava nos momentos difíceis do seu Governo,
          considerando-o como homem capaz de dar solução extraordinária
          para as crises que se afiguravam insolúveis pelos processos
          comuns ou anormais. Uma vez mais, como em 1945, ocorreu essa
          utilização dos préstimos de Benjamin Dornelles Vargas.

          Na madrugada do dia 3 de agosto, revelava pela primeira vez o
          motorista Nelson Raymundo de Sousa o nome de Climério como
          participante do atentado da Rua Toneleros. Nessa madrugada,
          chegava ao conhecimento do Palácio do Catete o nome de Climério,
          logo identificado como elemento da Guarda Pessoal do Presidente
          da República.

          Na mesma manhã, poucas horas depois, toma Benjamin Vargas
          conhecimento de ser Gregório Fortunato mandante do crime.
          Dirige-se Benjamin ao encontro do ex-Presidente da República,
          pois que por ele fora chamado com urgência.

          Este fato, de inegável importância e gravidade, está provado
          pelas confissões de Benjamin Vargas e Gregório Fortunato.

          Vejamos como tais fatos se passaram: Gregório Fortunato é chamado
          pelo Presidente e, por este interpelado, nega a participação de
          qualquer elemento da Guarda no atentado da Rua Toneleros (fl.
          400).

          Na manhã do mesmo dia 8, ordena o Presidente da República que seu
          Ajudante de Ordens, Major Accioly, chame ao Palácio o Sr.
          Benjamin Vargas. Localizado este em Petrópolis, a ordem foi
          cumprida. Mas Gregório Fortunato toma a iniciativa de ir ao
          encontro de Benjamin Vargas. Esse encontro se dá no início da
          serra de Petrópolis. Gregório convida Benjamin a vir em sua
          companhia, o que foi aceito. No trajeto da estrada Rio-Petrópolis
          para o Palácio do Catete, confabulam em voz baixa, para não serem
          ouvidos por Archimedes Manhães e pelo motorista Arthur Ramos da
          Silva, acompanhado de Gregório (fls. 163 e 239).

          Chamado Benjamin Vargas para prestar declarações no dia 2 de
          setembro, procura mentir, afirmando que a palestra mantida com
          Gregório na viagem, se circunscreveu a um apelo que lhe fez
          Gregório para interceder junto ao ex-Presidente da República,
          pois este o despedira, e lhe declarara não merecer ele Gregório
          mais confiança. Segundo Benjamin, Gregório se queixara por ter
          sido tratado de modo áspero. Informa Benjamin Vargas que, chegado
          ao Palácio do Catete, se dirigiu ao encontro do ex-Presidente da
          República (1.387).

          Esse mentiroso depoimento se desmascara quando, ouvido novamente
          Gregório Fortunato, informa que na manhã do domingo, véspera da
          dissolução da Guarda Pessoal, quando se dirigiu à Petrópolis ao
          encontro de Benjamin Vargas, encontro que se deu no meio da
          subida da serra, nessa ocasião confessou a Benjamin que mandara
          Climério "tomar providências para dar sumiço ao jornalista Carlos
          Lacerda". E admite que o mesmo Benjamin, logo à chegada, tenha
          levado ao conhecimento do ex-Presidente Vargas os fatos que lhe
          foram relatados pelo declarante no automóvel, durante a viagem
          para o Palácio do Catete (fl. 408).

          Era óbvio que, com a confissão de Gregório da comunicação feita a
          Benjamin Vargas, durante a aludida viagem, impunha-se a
          necessidade de ouvir novamente Benjamin, o que foi feito no dia 9
          do corrente mês, prestando novas declarações, diz Benjamin Vargas
          que, efetivamente, no domingo, dia 8 de agosto do corrente ano,
          durante a viagem da estrada Rio-Petrópolis ao Palácio do Catete,
          "Gregório confessou ao depoente ser o mandante do atentado da Rua
          Toneleros, que foi por ele Gregório arquitetado o plano "para
          acabar com esse sujeito", (fl. 414.)

          Como se pode verificar, foi Benjamin Vargas chamado pelo
          Presidente da República na manhã de domingo, dia 8 de agosto, em
          momento grave da vida do Governo. A gravidade do assunto a ser
          com ele tratado é encarecida pelo Major Accioly, que lhe faz, por
          telefone, o chamado para vir ao encontro do ex-Presidente (fl.
          421). E, no trajeto de Petrópolis para o Palácio do Catete, toma
          conhecimento da confissão do homem de confiança do ex-Presidente
          e chefe de sua Guarda Pessoal, de ser Gregório o mandante do
          crime da Rua Toneleros. Chegando ao palácio, vai Benjamin,
          imediatamente, ao encontro do ex-Presidente da República.

          Acreditamos não ser possível admitir que Benjamin Vargas, chamado
          em momento grave (pois sobre a gravidade da situação o advertira
          o Major Accioly), tivesse deixado de comunicar ao Presidente da
          República que o chefe de sua Guarda Pessoal lhe confessara, na
          viagem, ser o mandante do atentado, a não ser por um ato de
          traição ao seu próprio irmão, o ex-Presidente da República.

          E o mandante do crime permanece asilado no Palácio do Catete,
          durante sete dias, enquanto a Polícia Civil e a Aeronáutica
          procuravam em todo o Brasil o criminoso. E Gregório Fortunato
          somente foi entregue ao encarregado do IPM no dia 15 de agosto do
          corrente ano e detido, em conseqüência, para averiguações.

          Danton Coelho - Como incitador do atentado, aparece também esse
          deputado federal, apontado, em declarações diretas, por Gregório
          Fortunato (fl. 408). Não nos foi porém possível apurar a medida
          exata de sua participação, pois esse parlamentar, valendo-se de
          suas imunidades, recusou-se a prestar qualquer esclarecimento no
          IPM.

          General Ângelo Mendes de Morais - O aparecimento de indícios
          contra esse oficial-general determinou a remessa do presente IPM
          a V. Exa na forma do § 1o do artigo 115 do CJM (fls. 408 a 416).

          Como se depreende da leitura dos autos, e ficou bem claro no
          correr das investigações, os indícios inicialmente colhidos
          formavam como o que um feixe que, invariavelmente, se orientava
          para a pessoa de Gregório Fortunato, chefe da Guarda Pessoal do
          ex-Presidente da República. Até aí, isto é, até à pessoa de
          Gregório, as coisas andaram sem grandes dificuldades, e foi
          relativamente fácil chegar à confissão de Gregório, no que diz
          com sua responsabilidade pessoal.

          Entretanto, havia razões para supor que houvesse participantes de
          maior categoria, e as diligências prosseguiram agora com grandes
          dificuldades, pois esbarrávamos sempre nessa singular figura de
          criminoso que é Gregório Fortunato, endurecido na diligência e
          por isso mesmo de manipulação difícil por quem se proponha a
          investigar partindo de revelações suas. Homens desse tipo só
          falam quando acham que isso lhes convém, e ainda assim quando,
          eventualmente, são encurralados por uma avalanche de provas.

          É claro que procuramos abordá-lo sempre levando em conta as
          peculiaridades de seu caráter, e acabamos por conseguir que
          dissesse algo mais sobre a verdade de seu conhecimento. Como
          último esforço, chegamos em reinquirição ao seu depoimento de fl.
          408, no qual fixa ele a responsabilidade de três co-autores.

          11) Ainda que citado o Deputado Luthero Vargas em algum
          depoimento como possível mandante do atentado, somos levados a
          não indiciar, porque a preocupação dos criminosos em apontá-lo
          como responsável, por si só, seria suficiente para evidenciar que
          constituía isso uma derivação com o fito de desviar as
          investigações de seu verdadeiro objetivo. Claro que não se chegou
          a uma conclusão positiva quanto à causa dessa tentativa de
          derivação, mas também é líquido que os depoimentos de Climério,
          Soares e Gregório - quanto a Luthero Vargas - tornam inverossímil
          a imputação.

          12) Do estudo deste IPM ressalta a necessidade de se apurarem
          fatos delituosos nele descobertos e que, por não terem relação
          direta com este inquérito, deixaram de ser considerados.

          O conteúdo das provas coligidas revelou a existência de um
          adiantado processo de corrupção no seio do Governo. Descobriu-se
          que a organização constitucional do Poder Executivo fora
          desnaturada e degradada como hipertrófico crescimento da
          influência de áulicos e validos da Presidência da República. O
          IPM pôs à mostra uma copiosa coleção de delitos marginais,
          praticados por elementos que viviam à sombra do Governo.
          Instaurado para investigação dos crimes contra a pessoa, nele se
          revelaram crimes contra o patrimônio, crimes contra a fé pública
          e crimes contra a administração pública. Estes últimos, em
          impressionante seqüência, produziram profundo abalo na opinião
          pública, com inevitáveis reflexos sobre a dignidade do Governo,
          do qual hauriam os criminosos autoridade e prestígio. E, a esse
          propósito, entendemos de nosso dever deixar aqui constância da
          declaração do Exmo Sr. Dr. Getúlio Vargas, finado Presidente da
          República, ao inteirar-se dos fatos apurados: "Tenho a impressão
          de me encontrar sobre um mar de lama".

          13) É preciso, a bem da verdade, assinalar que, ao se apurar a
          responsabilidade dos mandantes do atentado, procuramos agir com
          serenidade, para evitar pudessem, de longe que fosse,
          atribuir-nos intuitos preconcebidos ou objetivo de achar
          mandantes de qualquer modo.

          Num inquérito deste vulto e gravidade, com a responsabilidade que
          a Aeronáutica assumiu de apurar o delito e apontar os seus
          autores à Justiça, um roteiro se nos impôs, qual o de chegar à
          verdade usando tão-só os recursos que a lei nos permite.

          Compreendendo que na apuração do atentado estavam em jogo
          interesses contrariados e, principalmente, tendo em vista as
          pessoas envolvidas no crime, que se procuraria fazer para
          desviar-nos do roteiro traçado, colocamo-nos em ponto
          eqüidistante das paixões, para bem servir à Justiça.

          O julgamento do dever cumprido devemos fazê-lo na nossa
          consciência. Dos fatos apurados o fará a Justiça, para cuja
          soberana apreciação, não temos dúvidas, procuramos reunir as
          provas de um bárbaro crime.

          João Adil Oliveira, Cel.-Av., Encarregado do IPM.
                 CONFISSÃO PORMENORIZADA DO EXECUTANTE DA EMPREITADA
                         Íntegra do depoimento prestado no dia 13 de
                         agosto, na Base Aérea do Galeão perante a Comissão
                         Policial Militar de Inquérito, por Alcino João do
                         Nascimento,* autor dos disparos que causaram a
                         morte do Major Rubem Florentino Vaz e ferimentos
                         no jornalista Carlos Lacerda, e no vigilante
                         municipal Sávio Romero:
          Aos treze dias do mês de agosto do ano de mil novecentos e
          cinqüenta e quatro, nesta cidade do Rio de Janeiro, no Quartel da
          Base Aérea do Galeão, presente o Coronel-Aviador João Adil
          Oliveira, encarregado do presente inquérito, comigo, Aldo
          Sartori, Segundo-Tenente IG, servindo de escrivão, compareceu
          Alcino João do Nascimento, a fim de ser interrogado sobre os
          fatos constantes da portaria fls. no quatro, que deu origem ao
          presente inquérito, a qual lhe foi lida. Em seguida, passou
          aquela autoridade a interrogá-lo da maneira seguinte: Qual o seu
          nome, idade, filiação, estado civil, naturalidade, profissão e
          residência. Respondeu que seu nome é Alcino João do Nascimento,
          com trinta e três anos de idade, filho de José João do Nascimento
          e de Leonídia Maria do Nascimento, casado, natural do Estado do
          Rio de Janeiro, cidade de Itaperuna, profissão carpinteiro,
          carteira do Ministério do Trabalho de número 53.916, série 69-A,
          emitida em 27 de setembro de 1948, residente no Parque Mirim, em
          São João de Meriti, Estado do Rio de Janeiro.

          Perguntado como se deram os fatos constantes da portaria de fl.
          4, e que lhe foi lida, declarou o seguinte: que sendo natural de
          Itaperuna, Estado do Rio de Janeiro, foi para Resplendor, Estado
          de Minas Gerais, onde se casou e de onde são naturais três dos
          seus filhos; que dadas as dificuldades de vida no interior,
          transferiu-se com a família para Itaperuna, indo residir com um
          seu irmão de nome Virgílio João do Nascimento. Não tendo, porém,
          seu irmão cumprido as promessas que fizera de ajudar o
          declarante, retornou o declarante a Resplendor, onde permaneceu
          pouco tempo, dado continuarem as mesmas dificuldades, resolvendo
          então transferir-se para esta capital, no ano de 1948, indo
          localizar-se em Belford, mudando-se pouco depois para o subúrbio
          de Irajá, no Distrito Federal.

          No ano de 1950, o declarante voltou novamente para Minas, indo
          para Mantenópolis, a convite do sogro dele, declarante, onde
          permaneceu até o ano de 1952, quando resolveu, em virtude de uma
          desinteligência com seu cunhado Antônio A. Ribeiro, voltar para
          São João de Meriti, vindo nessa ocasião sozinho, e, cerca de dois
          meses depois, mandou buscar a família.

          Continua até hoje a residir em São João de Meriti, na Rua Gil
          Queirós, no 192, pagando de aluguel a quantia de quinhentos e
          cinqüenta cruzeiros e mais a importância de cinqüenta cruzeiros
          relativas ao gasto de luz; que, o declarante, para o sustento da
          família, montou uma oficina clandestina de móveis laqueados, onde
          morava.

          Assim permaneceu até o ano de 1953, quando em outubro desse ano
          conseguiu um emprego na firma Aloísio Coelho dos Santos, sito na
          Rua Brasilina no 16, em Cascadura, onde trabalhou cerca de três
          meses, de onde saiu; em fins de dezembro do mesmo ano, passando a
          viver de biscates; na vida de biscateiro, não auferia proventos
          para o sustento de sua família, vivendo o declarante em grande
          dificuldade.

          Há cerca de sete meses, em dia que o declarante não se recorda,
          ao sair de sua casa, viu parado perto um automóvel Chevrolet de
          cor preta e junto do mesmo um cidadão, estatuto, digo, que não
          conhecia, e que mais tarde veio a saber chamar-se Antônio Soares,
          digo, José Antônio Soares, cuja pessoa reconhece na fotografia
          que neste ato me é mostrada; que, ao ver o declarante, Soares
          perguntou-lhe se conhecia uma mulher de nome Sebastiana, a quem
          estava procurando, informando o declarante não conhecer a mulher
          procurada, indagou o declarante a Soares, se o seu destino era a
          cidade, recebendo afirmativa, pedindo então a Soares uma
          "carona", que durante o trajeto para a cidade passou Soares a
          indagar do declarante onde trabalhava, informando o declarante
          que estava desempregado e que vivia de biscates, lutando com
          muita dificuldade, passado cerca de um mês foi o declarante
          procurado por Soares, em sua residência, tendo antes, entretanto,
          tido alguns encontros com Soares, que manifestava sempre o desejo
          de ajudar o declarante, fornecendo-lhe pequenas quantias de
          dinheiro.

          Como informou acima, foi procurado em sua residência por Soares,
          e depois de breve palestra convidou Soares ao declarante para
          sair, quando já na rua disse Sores que tinha um "negócio" para o
          declarante.

          Manifestando-se o declarante interessado no referido "negócio",
          ocasião em que Soares informou que o "negócio" seria a
          "eliminação" de Naval, que posteriormente o declarante veio a
          saber que Naval tratava-se de um desafeto do Soares, pois este
          estava suspeitoso de que o mesmo procurava seduzir a sua mulher,
          de nome Nely.

          Soares prometeu e efetivamente pagou para atirar em Naval ao
          declarante a quantia de cinco mil cruzeiros, que efetivamente, na
          época do carnaval, o declarante fez disparos contra um homem na
          suposição de ser Naval, matando-o, que isto ocorreu em uma rua
          cujo nome não sabe, mas foi perto da Estação de Pavuna.

          Depois disso o declarante voltou aos seus biscates e, quando
          estava muito apertado, Soares lhe dava uns cem cruzeiros.

          Há cerca de uns dois meses voltou Soares à residência do
          declarante, com o objetivo de levá-lo à casa de um amigo, para
          entabular outro "negócio", que, efetivamente, em companhia de
          Soares, foi à casa da Rua Sucupira, no 32, em Cachambi, onde aí
          foi apresentado a Climério Euribes de Almeida.

          Reunidos os três, declarou Soares que o novo "negócio" seria a
          prática de novo homicídio, que denominou de "ambulante", isto é,
          homicídio a ser praticado em local incerto.

          Nesta ocasião não foi revelado o nome da vítima, o que somente
          ocorreu em um comício realizado na Praça da Liberdade, em Nova
          Iguaçu.

          No dia do comício, data que não se recorda, estando presente o
          declarante, Soares e Climério, este último, no momento em que
          discursava o Dr. Carlos Lacerda, apontou-o ao declarante, dizendo
          ser aquele o homem que deveria ser morto.

          Este dia foi apenas de reconhecimento da futura vítima, que após
          o regresso de Nova Iguaçu, não podendo o declarante ir à casa de
          Climério, mandou que sua esposa apanhasse com o mesmo a quantia
          de mil cruzeiros conforme promessa que foi cumprida.

          Ao regressar da casa de Climério, a esposa do declarante trouxe
          um recado no sentido de o declarante ir à casa de Climério, o que
          fez no dia seguinte; que na casa de Climério o declarante foi
          avisado de que deveria ir a Barra Mansa, onde se realizaria um
          comício, ocasião em que o Dr. Carlos Lacerda estaria presente
          nesse comício, quando se procederia ao seu assassínio.

          Efetivamente, no dia do comício, data que não se recorda, o
          declarante foi para a casa de Soares, na Rua Padre Nóbrega no
          911, casa 29, em Cascadura, local em que pouco depois chegou
          Climério, que, por volta das 17 horas, o declarante, Climério e
          Soares se dirigiram para Barra Mansa, no carro deste último, que
          o dirigia.

          Não conseguiram atingir a cidade de Barra Mansa, pois mais ou
          menos na distância de cinco quilômetros dessa cidade sobreveio
          uma avaria no carro, que, entretanto, Soares, ao mesmo tempo que
          providenciava sobre um reboque para o carro de sua propriedade,
          conseguiu um táxi para levá-los a Barra Mansa, quando ainda
          tiveram a oportunidade de assistir ao final do comício, momento
          em que discursava o Dr. Carlos Lacerda.

          Quando o declarante não executou o homicídio planejado porque
          Climério e Soares ponderaram a dificuldade de fugir, uma vez que
          estavam sem o automóvel de Soares, que Climério e Soares
          conduziam cada um, uma pasta de couro, onde estavam guardadas as
          armas, sendo que uma das armas seria fornecida ao declarante para
          a execução do assassínio do Dr. Carlos Lacerda.

          No dia seguinte os declarantes Climério e Soares aguardaram que
          fosse reparado o defeito do carro, o que só ocorreu à noite,
          regressando então os três para esta capital; que no dia do
          regresso recebeu o declarante, de Climério, a quantia de
          quinhentos cruzeiros.

          De volta à sua residência, em conversa com a esposa dele,
          declarante, disse o declarante que estava disposto a desistir da
          empreitada, não só pela grande responsabilidade que ia assumir,
          assim como porque Climério e Soares haviam prometido mundos e
          fundos, sem que até aquele momento houvessem efetivado a
          promessa.

          De acordo com sua esposa, resolveu o declarante procurar Climério
          e Soares para o fim de demonstrar o seu descontentamento com a
          situação; que foi o declarante à casa de Climério que disse ao
          declarante que não se preocupasse com o emprego, pois lhe
          garantiria um cargo de investigador de Polícia, cargo cuja
          remuneração era de cinco a seis mil cruzeiros, achando o
          declarante interessante a promessa, resolveu continuar na
          empreitada.

          Nesse mesmo dia, Climério comunicou ao declarante que deveria
          voltar a sua casa no dia 4 de agosto corrente, na parte da tarde,
          o que realmente fez, lá chegando cerca das 16 horas.

          Cerca de uma hora depois se dirigiu o declarante, em companhia de
          Climério, até o jardim do Méier, onde procuraram um táxi.

          Na hora que tomaram o táxi, informou Climério que "iam com
          destino ao Colégio São José, na Rua Barão de Mesquita, pois lá se
          encontrava o Dr. Carlos Lacerda, e que a oportunidade era cem por
          cento para que o declarante eliminasse o referido Carlos
          Lacerda."

          Ao chegar na Rua Barão de Mesquita, saltaram do veículo em um
          ponto antes do Colégio para onde iam, fato esse que constatou
          quando chegaram no referido educandário que, logo após saltarem
          do táxi, Climério deixou o declarante em um ponto de bonde,
          dizendo-lhe que ia telefonar para o motorista de nome Nelson
          Raimundo de Souza a quem já conhecia de vista.

          Cerca de dez minutos depois, voltou Climério à presença do
          declarante, informando que já tinha dado vários telefonemas, sem
          contudo encontrar o motorista Nelson no ponto de táxi, que, com
          pouco tempo depois disse Climério que iria tentar novamente se
          comunicar com o motorista Nelson, retornando poucos minutos após
          para dizer que não tinha conseguido falar com Nelson, deixando,
          entretanto, recado para ele, Nelson, comparecer ao local onde se
          encontrava o declarante Climério.

          Cerca de vinte e três horas, chegou o motorista Nelson ao local,
          entrando em conversação com Climério, ouvindo o declarante,
          Climério dizer a Nelson, apontando para ele, declarante, "esse
          camarada aí vai dar um tiro na perna dum, você faça a corrida com
          ele".

          O declarante e Climério entraram no carro de Nelson, que
          estacionaram o carro numa rua transversal à Rua Barão de Mesquita
          e perto do Colégio.

          Deixando o carro de Nelson estacionado, o declarante e Climério
          se dirigiram para o Colégio, ficando o declarante parado numa
          distância de mais ou menos uns vinte metros, sendo que Climério
          ficou na calçada fronteira ao colégio e o declarante, como já
          disse, mais ou menos a vinte metros da entrada do colégio.

          Antes de o declarante se postar no local acima referido, havia
          recebido de Climério o revólver que este trazia em uma pasta de
          couro, arma que deveria ser usada para atirar no Dr. Carlos
          Lacerda, quando o declarante chegou ao local, observou que várias
          pessoas já vinham saindo do interior do educandário, não tendo o
          declarante conseguido descobrir a pessoa do Dr. Carlos Lacerda,
          fato que determinou o declarante ficasse aguardando a saída do
          último carro. Após a partida do último carro dirigiu-se para
          Climério para informá-lo que não havia visto o homem; que o
          declarante e Climério foram para o carro de Nelson, dizendo
          Climério que fossem para Copacabana; momento em que Climério,
          respondendo a uma pergunta de Nelson, informou que se destinava
          para a Rua Toneleros; que na [ilegível] Climério disse ao
          declarante que na Rua Toneleros, num edifício, morava o Dr.
          Carlos Lacerda; ao chegar à Rua Toneleros, o carro dobrou uma
          esquina onde estacionou, dele descendo o declarante e Climério,
          ao tomar a Rua Toneleros, adiantou um pouco, parando na outra
          esquina onde o declarante o alcançou e ficaram palestrando; pouco
          depois parou um automóvel em frente a um edifício de apartamentos
          que lhe fora apontado pouco antes por Climério, saltando do dito
          automóvel três pessoas que passaram conversando, dentre as quais
          reconheceu o Dr. Carlos Lacerda.

          A emboscada, observou o declarante, se deu quando o Dr. Carlos
          Lacerda se despedia de uma das pessoas do grupo. Enquanto o Dr.
          Carlos Lacerda se dirigia para a porta da garagem do edifício,
          acompanhado da terceira pessoa, a pessoa que ficou, fez uma volta
          em frente ao carro como se fosse entrar no mesmo, ocasião em que
          o declarante procurou colocar-se na traseira do carro, passando a
          seguir para a calçada de onde alvejou o Dr. Carlos Lacerda,
          procurando atingi-lo nas pernas, o que lhe pareceu ter
          conseguido, pois o Dr. Carlos Lacerda deu impressão ao declarante
          de haver tropeçado, para em seguida correr para o interior da
          garagem. Logo em seguida ao disparo da arma foi o declarante
          surpreendido pela pessoa que procurava entrar no carro, a qual
          avançou para o declarante segurando o cano da arma com as duas
          mãos, colocando-se na frente do declarante, na distância dos
          braços de ambos esticados, na disputa da posse da arma, nesse
          instante acionou o gatilho disparando a arma contra seu contendor
          num instante de defesa, momento em que ouviu um disparo que deu a
          impressão de ter partido da direção da garagem do edifício,
          conseguindo o declarante ficar de posse da arma, provocando o
          desequilíbrio dos contendores, tombando ambos para lados apostos,
          do que se aproveitou o declarante para fazer outro disparo na
          direção do seu contendor, sem fazer pontaria, ao mesmo tempo em
          que se punha em fuga.

          Ao fugir, o fez em direção onde estava estacionado o carro de
          Nelson, já agora alvejado de diversas direções; que antes de
          alcançar a esquina onde estava estacionado o carro de Nelson, viu
          um guarda que vinha em direção do declarante, atirando.

          Continuando na fuga e ao se aproximar da esquina, atirou contra o
          guarda, que na ocasião, gritava ao declarante "Pára", "Pára",
          "Pára", atingindo o carro de Nelson, cuja máquina já estava
          funcionando, nele embarcou o declarante, sendo o carro posto em
          movimento, em direção à cidade; que quando entrou no carro não
          viu Climério no seu interior, presumindo que ele teria fugido
          pela rua em cuja esquina ficara em observação aos acontecimentos;
          ao chegar à cidade o declarante saltou na esquina da Rua México
          com Santa Luzia, tomando um lotação para a Praça da Bandeira,
          onde saltou e a seguir tomou um táxi, dirigindo-se para a casa de
          Climério em Cachambi.

          Algum tempo depois chegaram Climério e Nelson, no automóvel deste
          último, fato este que constatou por uma janela da casa próximo da
          qual se achava sentado; quando chegou na casa de Climério, ali
          encontrou a esposa deste D. Elvira e seu filho Adão, sendo que D.
          Elvira ao ver o declarante exclamou: "Barbaridade, ouvi pelo
          rádio que atiraram na perna do homem", retirando-se para os
          fundos da casa, enquanto o declarante se dirigia ao banheiro,
          para tomar água, voltando depois para a sala indo sentar-se na
          mesma cadeira.

          Assim ficou até a chegada de Climério e Nelson, que ao entrarem,
          vendo o declarante na sala, perguntaram-lhe "o que é que havia e
          como estava", ao que o declarante respondeu: "Nada, e estou bem
          graças a Deus"; voltando-se ainda Climério a perguntar ao
          declarante o que há, o que respondeu o declarante que "nada digo,
          não sei; D. Elvira está lá dentro ouvindo o rádio", dirigindo-se
          Climério para o interior da casa, onde ficou palestrando com D.
          Elvira, tendo o declarante saído para a varanda a fim de fumar um
          cigarro, que quando o depoente estava na varanda, Climério, em
          companhia de Nelson, saíram do interior da casa para a rua,
          dirigindo-se para o automóvel mostrando Nelson a Climério os
          vestígios deixados no carro pelos tiros que foram disparados
          sobre eles, recordando-se o declarante que os tiros haviam sido
          dados contra o carro, partidos da direção do guarda e um vindo de
          cima, da direção de um dos edifícios, por ocasião do início da
          fuga, no carro de Nelson logo após o atentado; depois de
          confabularem, Climério e Nelson, sobre assuntos que o declarante
          não ouviu, retirou-se na direção de seu carro este último,
          voltando Climério para o interior da casa indo para o quarto,
          continuando o declarante na varanda.

          Momentos depois voltou ao interior da casa e na sala passou a
          ouvir um rádio que estava ligado, tomando conhecimento, então, de
          que o atentado resultara em ferimentos no pé do Dr. Carlos
          Lacerda e ferido gravemente um major da Aeronáutica, cujo nome
          foi transmitido, porém o declarante não se recorda, retirando-se
          em seguida o declarante para os fundos da casa.

          Ao amanhecer o declarante, Climério e seu filho Adão dirigiram-se
          para a casa do declarante onde passaram todo o dia, quando por
          volta das dezoito horas, Climério declarou que iria até ao centro
          da cidade, o que fez.

          Na sexta-feira, dia 6 de agosto, Climério retornou à casa do
          declarante por volta das 7 horas da manhã e retirando do bolso um
          maço de notas entregou-o ao declarante, ao mesmo tempo que pedia
          que ele contasse, verificando o declarante que o maço continha
          dez mil cruzeiros em notas de um mil cruzeiros, onde Climério
          disse para o declarante que ficasse com ele o dinheiro.

          Nessa mesma ocasião ponderou Climério que não era conveniente que
          o declarante e ele, Climério, permanecessem ali, achando
          conveniente que fosse para a chácara de Climério, no Parque de
          São Bernardo.

          Climério pediu ao declarante que separasse alguma roupa, que foi
          colocada na mala do próprio Climério, que a trouxera quando saíra
          de Cachambi com destino à casa do declarante ao amanhecer do dia
          anterior.

          Em companhia de Adão, dirigiram-se os três para a chácara de
          Climério.

          Ao chegar à chácara de Climério e como se mostrasse o declarante
          apreensivo, procurou Climério animá-lo, dizendo que nada
          aconteceria ao declarante e que tivesse confiança porque estavam
          amparados por força superior.

          No decorrer da conversa, veio Climério a informar ao declarante
          que a força superior partia de Luthero Vargas, pois de Luthero
          Vargas tinham vindo os dez mil cruzeiros entregues ao declarante:
          que a declaração por parte de Climério, do nome de Luthero
          Vargas, trouxe ao declarante maior tranqüilidade, mesmo porque
          veio confirmar a referência que já tinha ouvido sobre o nome de
          Luthero Vargas, nas conversas entre Climério e Soares, quando
          diziam que o negócio estava sendo feito por ordem do referido
          cidadão.

          Sábado, pela parte da tarde chegou Soares ao sítio de Climério,
          demonstrando uma fisionomia preocupada, informando que a coisa
          não estava boa e achava bom Climério separar-se do declarante;
          que diante da informação de Soares, sugeriu Climério que o
          declarante pernoitasse em uma casa existente no morro perto da
          chácara, casa esta que estava desocupada.

          Domingo pela manhã o declarante e Climério foram à casa de Soares
          com o objetivo de tomar conhecimento da situação não encontrando
          Soares, quando lá chegaram, estando na casa Elvira, mulher de
          Climério, e Nely mulher de Soares, que na ausência de Soares,
          Climério solicita às duas mulheres a entrega da chave de uma casa
          de Soares, localizada na Pavuna, chave esta que não foi
          encontrada, motivo por que o declarante e Climério resolveram ir
          para a casa da Pavuna, deixando um aviso com as duas mulheres,
          que iriam aguardar na varanda da referida casa, a chegada de
          Soares, com a respectiva chave.

          No mesmo dia, domingo, cerca de 23 horas, apareceu Soares com as
          duas mulheres já referidas, trazendo Soares a chave da dita casa,
          que foi aberta e onde todos entraram, depois de breve palestra de
          Soares com Climério, retirou-se Soares levando em sua companhia
          as duas aludidas mulheres.

          No dia seguinte, pela manhã, apareceu Soares, trazendo café, pão
          e mortadela, para o declarante e Climério, nessa ocasião Soares,
          comprometeu-se com ambos, voltar à noite, com um carro para que
          ele, o declarante e Climério fugissem de onde estavam.

          Cerca de 20 horas, chegou Nely, mulher de Soares, sozinha,
          informando que Soares só chegaria mais tarde; que, entretanto, o
          declarante olhando por uma fresta da janela viu Soares passar na
          calçada fronteira, de modo dissimulado, como que não querendo ser
          visto, fato que o declarante assinalou para Nely não ser Soares a
          pessoa vista pelo declarante, que o declarante disse para Nely
          que avisasse a Soares que iriam esperá-lo na ponte junto da
          estrada que vai para Caxias, à meia-noite.

          Motivara, digo, que muito embora houvessem dito a Nely, que
          esperaria o Soares na referida ponte, assim não procederam o
          declarante e Climério, porque já não vinham satisfeitos com
          certas atitudes de Soares, sendo que o não-compareci-mento
          ostensivo de Soares e sim de Nely, veio robustecer as suspeitas
          do declarante e de Climério com relação a Soares, resolvendo
          então ambos se dirigir para uma casinha existente no Vilar dos
          Teles e pertencente a um empregado de Climério, onde o declarante
          e Climério passaram todo o dia de terça-feira, e a noite também,
          quando pela manhã de quarta-feira, resolveu o declarante sair,
          deixando Climério na dita casinha.

          Não tendo o declarante destino certo e preocupado com a situação
          e com sua família resolveu esconder-se em uma capoeira no
          subúrbio de Acari, que esse local ficava próximo de sua casa.

          Estando escondido na referida capoeira, resolveu à noite se
          aproximar de sua casa, pois continuava muito preocupado com sua
          mulher e filhos, tendo antes ido à localidade de Acari, para
          cortar o cabelo e barba.

          Passou a noite de quarta para quinta-feira, na referida capoeira
          bem como todo esse dia.

          Na noite de ontem, quinta-feira, resolveu o declarante também
          pernoitar nessa capoeira e, às três horas da madrugada de hoje,
          apanhou um trem na estação de Acari, indo para São João de
          Meriti.

          Nessa localidade o declarante apanhou um táxi, e mandou o
          motorista se dirigir para Caxias mas ao passar pela esquina da
          rua onde mora, mandou o motorista entrar na mesma rua, e ao
          passar em frente à sua residência observou parada uma caminhonete
          da Aeronáutica, e vários soldados da mesma corporação.

          Mais adiante, pediu ao motorista para voltar, e parar o carro
          junto à caminhonete, sendo nessa ocasião o declarante preso pelos
          soldados da Aeronáutica, e conduzido para a Base Aérea do Galeão.

          Perguntado se Climério lhe informou alguma vez as razões por que
          queria matar o Dr. Carlos Lacerda, respondeu que Climério
          declarara a ele, depoente, que o Dr. Carlos Lacerda falava muito
          de política e contra o partido PTB.

          Perguntado se Climério ou Soares declarara ao depoente se alguém
          havia dado ordem para a execução do Dr. Carlos Lacerda, respondeu
          que, diretamente, nenhum dos dois lhe prestou qualquer
          informação, porém algumas vezes ouviu conversas de ambos, onde
          afirmavam que o mandante era Luthero Vargas.

          Perguntado se se conformou com a quantia de dez mil cruzeiros que
          lhe foi dada por Climério, após a execução do crime, respondeu
          que não, porque esperava que ele cumprisse a promessa que fizera
          de lhe dar no mínimo quinhentos contos de réis e mais algumas
          porcentagens, além do emprego de investigador, como declarou
          anteriormente.

          Perguntado se Climério lhe informou como conseguira o dinheiro
          para pagamento da quantia acima, respondeu que as quantias
          pequenas recebidas Climério declarou que provinham de Luthero
          Vargas, porém para os quinhentos mil cruzeiros prometidos deu uma
          explicação relativa à exploração de jogos de azar.

          Perguntado se sabe ir aos locais onde esteve esperando o Dr.
          Carlos Lacerda e aonde está localizada sua residência, respondeu
          que não, mas que se levado a qualquer um deles, reconhecerá
          perfeitamente esses locais, e que é capaz de fazer um desenho que
          represente os ditos locais.

          Perguntado a quem pertencia a arma com que praticou o crime e
          qual o destino que lhe deu, respondeu que o revólver calibre 45,
          com que praticou o crime, lhe foi entregue por Climério,
          carregado com seis cartuchos sobressalentes e que o destino da
          arma foi determinado por Climério, isto é, jogá-la ao mar logo
          após o crime.

          Para isto, no trajeto, apanhou no fundo do carro uma flanela de
          limpeza e enrolou com ela o revólver e ao chegar na Avenida
          Beira-Mar passando próximo ao cais, preparou-se para atirá-la ao
          mar, ao mesmo tempo que inesperadamente, para desviar-se de um
          outro automóvel, Nelson fez com o carro uma curva brusca, o que
          provocou a queda da arma antecipadamente no solo, e que este fato
          se passou nas proximidades da esquina da Rua México.

          Perguntado se foi o declarante que disse o local que desejaria
          descer do carro de Nelson, respondeu que foi o próprio Nelson
          quem parou o carro na esquina de Santa Luzia com Rua México e o
          aconselhou a descer ali, porque naquela hora a radiopatrulha já
          tomara certamente conhecimento do ocorrido e estaria à procura do
          automóvel dele, Nelson.

          Perguntado qual a origem do revólver calibre 32, e da garrucha
          que hoje, ao ser preso, foram encontrados em seu poder, respondeu
          que o revólver foi Climério que lhe deu na quinta-feira, logo
          após chegar na chácara de Climério, e que a garrucha adquiriu há
          seis meses, aproximadamente, na localidade em que reside.

          Perguntado se foi esta a primeira e única vez que praticou
          atentados e assassínios, respondeu que não: que tomou parte, com
          Soares, no assassínio do motorista Walter, tomando-o por Naval,
          que foi o declarante quem atirou em Walter.

          Perguntado qual o calibre e a origem da arma que matou Walter,
          respondeu que era um revólver de calibre 38, de propriedade de
          Soares.

          Perguntado se esteve alguma vez no Palácio do Catete e, no caso
          afirmativo, com que objetivo, respondeu que, de fato, certa vez,
          mais ou menos há vinte anos atrás, acompanhando Climério, que,
          segundo lhe havia dito, ia buscar dinheiro para execução do
          atentado contra, digo, que estavam combinando, que ficou no
          jardim, próximo à portaria, enquanto Climério subiu para o fim
          que tinha em vista, que regressando Climério, realmente, trouxera
          dinheiro, num total de dez mil cruzeiros.

          Segundo está convencido o declarante, essa quantia foi toda
          fornecida por Valente, mas Climério, para tapear o declarante,
          alegou que só conseguira cinco mil cruzeiros de Valente e, para
          totalizar os dez mil cruzeiros, tivera de vender a Valente o seu
          revólver, que esta convicção tem base na oferta que agora
          Climério, para sua fuga, lhe fez do referido revólver.

          Perguntado se se lembra de mais algum fato que se relacione com a
          fuga do declarante e de Climério, respondeu que agora, se lembra
          que, quando estava com Climério na chácara deste, no domingo
          passado, por volta das nove horas, apareceu na chácara D. Elvira,
          mulher de Climério, que comunicou em presença do declarante, a
          Climério que, às cinco e trinta horas daquele dia Valente tinha
          telefonado para ela, informando que "as coisas não estavam boas e
          que o Gregório queria mandar um recado para ele, Climério, que
          Valente não transmitiu porque desligou-se, repentinamente o
          telefone".

          Este recado de D. Elvira foi a razão da mudança de Climério e do
          declarante para a casinha a que já se referiu. Perguntado se tem
          fatos para alegar ou provas para apresentar que justifiquem a sua
          inocência, respondeu que a sua família numerosa e a miséria em
          que vivia obrigaram o declarante a aceitar ofertas tão
          vantajosas, com que visava adquirir uma casa para minorar sua
          situação.

          E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o encarregado
          do inquérito por findo o presente depoimento, mandando lavrar
          este termo, que, depois de lido e achado conforme, assina com o
          indiciado, as testemunhas Homero Souto de Oliveira,
          Coronel-Aviador e Waldemar Resende, capitão-capelão, e os Drs.
          Promotor da Justiça Militar Nelson Barbosa Sampaio e Promotor
          João Batista Cordeiro Guerra, presentes a este interrogatório, e
          comigo, Aldo Sartori, Segundo-Tenente de Infantaria da Guarda,
          servindo de escrivão, que o datilografei e assino.
Comunidade no Orkut Comunidade Rua Tonelero

14 Usuários Online


copa-bar

Tudo sobre Copacabana




Registre o SEUNOME.COM|SEUNOME.COM.BR e garanta o SeuDomínio agora!
Digite o domínio sem extensão nem ponto www. .COM .NET

Nota: Copacabana.COM, seus controladores, funcionários, provedores e fornecedores diretos ou indiretos NÃO são responsáveis pelas notas ou informações contidas nas páginas. Copacabana.COM, seus fornecedores, parceiros ou anunciantes podem estar usando cookies ou web beacons para coletar dados anônimos quando são exibidos os anúncios no site. Todos os dados são de propriedade dos seus respectivos proprietários legais e sempre, que possível, estão identificados. Caso você tenha direitos sobre conteúdo incluído no site que esteja, eventualmente, não creditado e se identificar todos seus os créditos serão incluídos nas respectivas páginas. Fontes: Diversas.


(c)(p)1996-2008 - Copacabana.COM - POBOX 11794 - Rio de Janeiro - RJ - 22022-970