
A trajetória singular de uma das mais apaixonantes personalidades da história brasileira. Órfã e muito pobre, Anita Garibaldi (1821-1849) entusiasmou-se ainda jovem com as teses republicanas que ag... Clique aqui para mais informações!
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A trajetória de vida da brasileira Anita Garibaldi sempre esteve envolvida numa camada de mito e lendas que não permitiam uma visão isenta da realidade. Paulo Markun usa de objetividade e de pesqui... Clique aqui para mais informações!
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Rua Anita Garibaldi
A Rua Anita Garibaldi começa na Rua Barata
Ribeiro e termina na
Praça Edmundo Bittencourt (
bairro do Peixoto).
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Ana Maria Ribeiro da Silva Garibaldi, (dita Anita), heroína brasileira,
nasceu em Laguna, atualmente Morrinhos, SC
em 30 de agosto de 1821, filha de Bento Ribeiro da Silva, tropeiro, natural de São José dos Pinhais, filho de Manoel Colaço e Ângela Maria, tendo se casado em 13 de junho de 1815, em Lages, com Maria Antônia de Jesus, nascida em 12 de junho de 1788, filha de Salvador Antunes (natural de Sorocaba) e Quitéria Maria Soiza (lagunense). Ao todo o casal teve nove filhos.
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No dia 30 de agosto de 1835, Anita vestiu uma saia de filó azul-claro com pregas e muito rodada, cheia de tiras escuras, estreitas e estampadas de espaço em espaço. Entre as tiras havia uns pontinhos bordados e retrós preto mercerisado. O corpete da mesma fazenda era guarnecido de barbatanas formando um bico na frente, mangas compridas com um grande fofo nos ombros. Calçou os sapatos de camurça branca, simples, lisos, cada um com um tufozinho de seda branca na frente e salto não muito alto e redondo.
Depois de estar vestida, Anita dirigiu-se à Igreja Matriz de Laguna, onde se casou com Manoel Duarte de Aguiar, um sapateiro nascido na Barra da Lagoa ou Ingleses, em Desterro, hoje Florianópolis. O registro encontra-se no Livro de Casamentos de 1832 a 1844 da mesma igreja, assinado pelo padre Manuel Francisco Ferreira Cruz, atualmente sob os cuidados do Arquivo Episcopal de Tubarão.
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As razões para o fracasso do casamento, apontadas pelos que escreveram sobre Anita, são diversas e muitas delas destinadas a justificar o fato de haver deixado Manoel Duarte para ficar com Giuseppe Garibaldi. A conclusão mais razoável é a do historiador e pesquisador Wolfgang Rau. Primeiro, ela foi "gravemente negligenciada e mesmo abandonada por seu primeiro marido". Segundo, porque Manoel, "após o casamento, continuou com seu trabalho, limitado a bater solas, gostar de cachorros e de pescarias noturnas. Dificilmente se lhe via um sorriso; acanhado com as pessoas estranhas, provia, metódico e organizado, o difícil pão de cada dia".
Com o passar do tempo, ainda segundo Rau, o marido de Anita passou a "demonstrar em casa o seu caráter conservador e ciumento. Avesso às mudanças de situação, era reacionário a todas as novidades. Viu-se, pois, Anita trancada entre paredes, levando vida apagada e monótona, sem ao menos ter com quem expandir suas idéias ou a quem relatar seus sonhos, originados de exaltada imaginação, em procura permanente de horizontes mais dilatados. Em breve, compreendeu não estar realizada ao lado do pacato marido, o qual não lhe confirmou, sequer, fecundidade".
Introvertido, "era de todo e por tudo inadequado para esposo de Anita; passado o primeiro momento de vida em comum, revelou-se aos dois o erro desse matrimônio omisso de maturidade. Sem filhos e sem alegrias partilhadas, veio a ficar-lhes apenas o arrependimento de terem casado". Em resumo, um casamento "falho de prazer e de fruto", complementa Rau.
Em 1839, enamorou-se do italiano Giuseppe Garibaldi, que viera com as tropas farroupilhas de Davi Canabarro e Joaquim Teixeira Nunes tomar a Laguna em julho de 1839, fundando a República Juliana dos Cem Dias.
Giuseppe Garibaldi chegara à Laguna com fama de herói pelo feito épico que acabara de realizar ao transportar, por terra, as duas embarcações "Farroupilha" e "Seival" de Capivari a Tramandaí e posterior salvamento do naufrágio da "Farroupilha" ao sul do Cabo de Santa Marta.
No encontro de Giuseppe Garibaldi com Anita houve amor á primeira vista, originando um dos mais lindos romances verdadeiros de amor absoluto. Devido a oposição dos pais de Anita, Garibaldi raptou-a no dia
20 de outubro de 1839 e Anita parte com Giuseppe Garibaldi em seu navio para uma expedição até Cananéia. Em Imbituba foram atacados pela Marinha. Em 15 de Novembro, Anita confirma sua coragem ímpar e amor heróico a Garibaldi e à causa na célebre batalha naval de Laguna, contra Frederico Mariath, em que se expõe a mil mortes ao atravessar uma dúzia de vezes num pequeno escaler a área de combate para transportar munições em meio de verdadeira carnificina humana.
Com o fim da efêmera República Lagunense, o casal segue na retirada para o sul. Subindo a serra, Anita combate ao lado de Garibaldi em Santa Vitória, passa o Natal de 1839 em Lages, toma parte ativa no combate das Forquilhas (Curitibanos) à meia-noite de 12 de janeiro seguinte. Feita prisioneira de Melo Albuquerque, consegue deste comandante permissão para procurar no campo de batalha o cadáver de Garibaldi que lhe haviam dito morto. Foge depois espetacularmente, embrenhando-se pela mata atravessando o Rio Canoas a nado reencontrando as tropas em retirada e seu Giuseppe, oito dias depois.
Em 16 de Setembro de 1840 nasceu seu primogênito Menotti em Mostardas, na região da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Apenas doze dias depois do parto, é obrigada a fugir a cavalo, seminua e com o recém-nascido ao colo, de um ataque noturno de Pedro de Abreu durante a ausência de Garibaldi. Reencontrados depois, Anita e o filho seguiram, também, na posterior grande retirada pelo mortífero vale do Rio das Antas, da qual nos conta o próprio Garibaldi foi a mais medonha que jamais acompanhou, e que a desesperada coragem de Anita conseguiu meios de salvar o filho à última hora. Em 1841, dispensado por Bento Gonçalves, Garibaldi segue com a pequena família para Montevidéu, engajando-se nas lutas uruguaias contra o tirano Rosas.
A 26 de Março de 1842, Garibaldi casa-se com Anita na antiga Igreja de São Francisco de Assis.
Nos anos seguintes Anita tem mais 3 filhos Rosita, Teresita e Riccioti. Rosita não consegue vencer um fortíssimo ataque de difteria, morreu com dois anos e meio de idade.
Em fins de 1847 Anita seguiu para a Itália levando seus três filhos chegando em Gênova e reuniu-se a Garibaldi em Nice poucos meses depois. Na Itália Anita Garibaldi deu múltiplas demonstrações de aprimoramento intelectual, aparecendo como esposa condigna do herói italiano cuja estrela começa a brilhar internacionalmente. Infelizmente a vida de Anita foi demasiado curta. Em meados de 1849 vai a Roma sitiada pelos franceses ao encontro do marido, e com ele e sua Legião italiana faz a célebre retirada, dando repetidas mostras de grande dignidade e de coragem em lances de bravura frente aos inimigos austríacos. Grávida pela quinta vez e muito doente, não aceita os conselhos para permanecer em San Marino para restabelecer-se. Não quer abandonar o marido quando quase todos o abandonam. Acompanhado de poucos fiéis, ziguezagueando pelos pântanos ao Norte de Ravenna, em fuga para a Suíça, com o marido e os filhos, os amotinadores foram obrigados a se retirarem em barcos de pesca, os quais a maior parte caiu em poder dos Austríacos prometendo pena de morte a eles garibaldinos e a quem lhes ajudasse.
Porém o barco que levava o casal encalhou numa praia. Anita e Giuseppe com alguns companheiros esconderam-se numa propriedade rural nas proximidades de Ravenna.
Anita, já doente, piorou pela febre tifóide, contraída durante os combates em Roma, Garibaldi vê definhar rapidamente a mulher que mais amou na vida e de sua coragem disse desejara muitas vezes fosse a dele! Pelas 19 horas do dia 4 de agosto de 1849, Anita Garibaldi falece nos braços do esposo em pranto, longe dos filhos, num quartinho do segundo pavimento da casa dos irmãos Ravaglia em Mandriole, próximo a Santo Alberto.
Glorificada no Brasil e na Itália, Anita Garibaldi, foi
homenageada com monumentos em Roma, Ravenna, Porto Alegre,
Belo Horizonte, Florianópolis, Juiz de Fora,
Tubarão e Laguna.
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