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José de Anchieta, jesuíta e escritor brasileiro, nascido nas
Ilhas Canárias, Espanha, em 1533, Seu pai era natural de
Biscaia, sua mãe, natural da Grã-Canária, a maior ilha do
arquipélago, vinha de uma família nobre entre os nativos. Na ilha onde
nasceu, Anchieta aprendeu a ler e a escrever, além de noções
básicas do latim. Ainda bem jovem acompanha seu irmão mais velho à
Universidade de Coimbra, onde aperfeiçoou seu latim e algumas
ciências teológicas além de dialética e filosofia, o que lhe
facilitou o ingresso na Companhia de Jesus aos 17 anos,
em 1550 onde ficaria até o fim de sua vida, sempre servindo os
princípios da companhia que na época era considerada a
"Renovação da Igreja", fundada por Ignácio de Loyola
apenas alguns anos antes. Sua primeira atividade entre os jesuítas foi ajudar na celebração de
missas, não se contentando com pouco e querendo mostrar trabalho, era
comum ajudar em mais de 10 missas diariamente. Dizem que nunca ajudou
em menos de 8 por dia.
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Essa dedicação, no entanto, causou-lhe logo
problemas de saúde, passava mais de 14 horas por dia ajoelhando-se e
levantando, o que lhe causava dores. Imaginando ser essa uma prova divina,
a dor o fazia se dedicar ainda mais e isso causou-lhe uma lesão
que o atormentou pelo resto de sua vida.
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Em 1551 parte Anchieta para o Brasil a serviço da Companhia de Jesus,
integrando a terceira expedição de jesuítas que veio trabalhar no Brasil,
junto com o segundo governador geral, D. Duarte da Costa.
Assim aos 20 anos de idade o missionário trocou o Velho pelo Novo Mundo.
Conta-se que durante a viagem, ele pediu para ajudar os marinheiros,
pois não sabia viver sem ajudar em coisa alguma. Permitiram, então,
que ele ficasse junto ao cozinheiro, sendo então ajudante de cozinha.
Desembarcou na Bahia, mas foi enviado logo à capitania de São Vicente,
onde a Companhia de Jesus era mais presente. Neste local encontrou pela
primeira vez o padre Manuel da Nóbrega, que seria seu companheiro de
muitas aventuras missionárias neste país.
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Seu trabalho de catequese começou em São Vicente. Deixou essa
capitania ainda em 1551, por decisão do padre Manuel da Nóbrega,
instalando-se no planalto. Fundou um colégio para os indígenas,
em 25 de janeiro de 1554, onde em volta deste núcleo educacional
cresceu rapidamente a vila de São Paulo, e no dia 25 de agosto
foi celebrada a primeira missa no Colégio. Dedicou-se, sobretudo, à
catequese dos índios, tendo escrito para esse fim numerosos autos
representados em dias de festas religiosas.
Anchieta construiu também um seminário de orientação perto do
colégio. José de Anchieta deu aulas de castelhano, latim,
doutrina cristã e a língua brasílica, lia e escrevia o idioma Tupi
com muita facilidade, escreveu livros em Tupi, foi intérprete
junto aos índios tamoios que estavam em batalha contra os
portugueses. Nessa época Anchieta escreveu um poema
dedicado a Virgem Maria, em 1567 na expulsão dos Franceses
que habitavam o Rio de Janeiro Anchieta ajudou Estácio
de Sá. |

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Deixou várias obras, entre elas "Arte de grámatica da língua mais
falada na costa do Brasil" (1595) sobre a língua tupi.
Em 1597 uma grave moléstia o atingiu. Sentia-se fraco e com as dores
costumeiras cada vez piores. Pediu para que fosse levado para dentro da
aldeia na qual por 40 anos ensinara aos índios. Faleceu em Iriritiba no
Espírito Santo no dia 9 de julho do ano de 1597 na presença de
outros 5 padres. Com isso concluiu seus 64 anos de vida, sendo que
47 destes à serviço da Companhia de Jesus, e 44 dedicados aos índios
do Brasil e sua catequese. Sua morte causou dor não somente nos padres
do colégio e de toda a Companhia no Brasil, mas principalmente nos índios,
que segundo seu ritual o choraram por 7 dias seguidos. Ganhou o título
de Abaré, e o de "Apóstolo do Brasil" e é a figura mais
famosa na tradição popular, símbolo de todos os sacrifícios na
evangelização dos índios. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II,
em 1980. Atualmente existe um processo de canonização para que
Anchieta seja declarado santo.
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