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Rio de Janeiro, Copacabana.COM Wednesday, 19-Nov-2008 02:18:39 BRST

Inquérito Policial Militar Interrogatório do Tenente Eduardo Gomes


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Inquérito Policial Militar
Interrogatório do Tenente Eduardo Gomes
(12 de julho de 1922)

Aos doze dias do mês de julho de 1922, nesta Capital Federal, no HCE, onde se achava o General-de-Divisão Augusto Tasso Fragoso, encarregado do presente inquérito, comigo Capitão Milton de Freitas Almeida, servindo de escrivão, aí encontrou o 1o Tenente Eduardo Gomes, a fim de ser interrogado sobre o fato constante dos documentos que lhe foram lidos. E logo aquela autoridade passou a interrogá-lo na seguinte forma: perguntado qual o seu nome, idade, filiação, estado, naturalidade, praça e corpo a que pertencia, respondeu: chamar-se Eduardo Gomes, com vinte e cinco anos de idade, filho de Luís Gomes Pereira, solteiro, natural do Estado do Rio, pertencer à arma de artilharia e à terceira esquadrilha de observação. Perguntado como se tinham passado os fatos constantes dos referidos documentos, respondeu o seguinte: tendo ido ao Forte de Copacabana com o intuito de tomar parte na sublevação que ali se projetava, acompanhou seus camaradas até o último momento. Apresentou se no Forte, pela última vez, digo, saiu do Forte cerca das dezessete horas do dia quatro, e foi de automóvel até a cidade para colher notícias, voltou ainda de automóvel ao Forte às dezenove e meia horas e aí ficou. Não assistiu ao incidente do General Bonifácio por se achar no portão do Forte. No dia cinco teve a seu cargo o canhão Schneider. Na noite de cinco para seis, esteve de vigilância junto ao holofote no alto da colina, em companhia do Tenente Siqueira Campos e algumas praças. Na manhã quando, digo, na manhã de seis quando o Capitão Euclides declarou que quem quisesse sair do Forte podia fazê-lo, o depoente resolveu não se entregar. Depois, disse o depoente, esteve quase todo tempo na torre seis, que ficou a seu cargo. Foi por combinação feita com o depoente e com os outros oficiais que o Capitão Euclides saiu do Forte para se entender com o Governo visto se haver malogrado a missão do Major Castro e Silva. Quando o Capitão Euclides comunicou para o Forte, por telefone, que se achava preso e que o Governo exigia que cada um se entregasse saindo isoladamente e desarmado do Forte os oficiais que ainda se encontravam na praça, a saber: o depoente, os Tenentes Siqueira Campos, Nilton Prado e Carpenter, resolveram abandonar o Forte para não sacrificá-lo nem causar mais prejuízos à cidade e ir com o grupo de soldados que os acompanhava por último combate contra as forças do governo longe do Forte, pois estavam no firme propósito de não se entregar. O depoente crê que o grupo de oficiais vinha acompanhado por umas vinte praças, cada homem, oficial e praça, trazia um fuzil e alguma munição. Desceram todos pela praia de Copacabana e afinal se detiveram em frente a uma rua, aí mantiveram um tiroteio com as forças opostas, o qual lhe parece ter durado cerca de uma hora e três quartos. O depoente caiu ferido por bala de fuzil, na coxa esquerda e ali mesmo na areia ficou deitado, até que o transportaram. Depois dele viu também caírem feridos os Tenentes Siqueira, Carpenter e Nilton. Perguntado por que tomou parte na rebelião contra o governo, respondeu que achava que o governo estava saindo fora da lei com o propósito de intervir em Pernambuco e porque era desejo do país ver afastada a hipótese da posse do Dr. Artur Bernardes. Perguntado se foi convidado por alguém para a rebelião ou se assinou algum compromisso, respondeu negativamente. Perguntado se sabia que outras unidades acompanhavam o Forte, respondeu ter acreditado que o movimento fosse geral. Perguntado se deu algum tiro de artilharia contra a cidade respondeu negativamente, pois só se lembra de um tiro dado na direção da praia. Perguntado se não se opôs a que seus camaradas atirassem para o centro da cidade, respondeu que não. Perguntado como se passou o lançamento do canhão Schneider n’água, respondeu o seguinte: durante o ataque do Forte pela Fortaleza de Santa Cruz, digo, no começo do ataque do Forte pela Fortaleza de Santa Cruz, o depoente estava perto do canhão com a guarnição; daí se dirigiu ao portão para falar com o Tenente Siqueira Campos que lhe disse haver recebido ordem para que todo o pessoal se recolhesse ao Forte. Em vista disso o depoente voltou ao canhão e, com, digo, que foi lançado n’água na presença do depoente e de outros oficiais. Perguntado se antes de lançar o canhão n’água não lhe haviam tirado a culatra e quebrado o aparelho de pontaria, respondeu que não, acrescentando que o lançaram n’água para evitar que os adversários o utilizassem e porque não souberam retirar a culatra nem o aparelho de pontaria. Perguntado se lhe constou que o Mal. Hermes seria o chefe do movimento revolucionário, respondeu que o supunha naturalmente indicado para isso, mas ignorava se ele assumiu algum compromisso. E como nada mais foi perguntado nem respondido, deu o oficial encarregado deste inquérito por findo o interrogatório mandando lavrar o presente auto que, depois de lido e achado conforme, assina com o indiciado e comigo Capitão Milton de Freitas Almeida, servindo de escrivão, que o escrevi.

Augusto Tasso Fragoso, General-de-Divisão
Eduardo Gomes, Primeiro-Tenente
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