A colônia Z-13 congrega 952 profissionais da pesca em atuação da Urca até o Pontal do Recreio, com núcleos na Lagoa Rodrigo de Freitas e Jacarepaguá. Segundo Ricardo Mantovani, a centenária colônia iniciou-se com uma pequena tribo indígena, mas só ganhou existência formal há 79 anos.
Claudionor José da Silva, o Nonô, começou a pescar em 1941. É o mais antigo membro da colônia de pescadores Z-13 de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Ainda adolescente, aprendeu a fazer redes com os companheiros mais velhos. Desde então, viu a pesca predatória ameaçar seu sustento, adaptou sua técnica refinada à confecção de redes de vôlei de praia e, hoje, ajuda a equilibrar a balança comercial brasileira. Trabalhando sempre com o pé na areia, Nonô, aos 77 anos, é um exportador. Seu produto já foi vendido para mais de 15 países.
A matéria-prima de Nonô é o náilon. Mas nem sempre foi assim. Antes do advento do material, na década de 50, o método de produção era muito mais trabalhoso. Fibras de algodão eram adicionadas a cascas de aroeira em um tacho de água fervendo. Em seguida, colocava-se o material para secar ao sol. Só então surgia a rede.
A situação geográfica da colônia de pesca Z-13 no bairro de Copacabana cria um ambiente que fica virtualmente isolado da agitação e da confusão da cidade. Desta maneira o espaço da colônia como um todo tem o clima de uma cidade pequena à beira do mar onde existe tranquilidade, o tempo passa devagar e as pessoas todas se conhecem. O local muito arborizado tem uma grande área de sombra proporcionada pelas amendoeiras, que aliada à proximidade do mar torna a temperatura agradável mesmo nos dias mais quentes do verão carioca. Isto tudo favorece o convívio social, atrai as pessoas e faz com que elas se sintam bem neste espaço, mesmo quem está trabalhando nos afazeres ligados à pesca. Por tudo isto o local acaba sendo escolhido também para descanso,
para passar o tempo e para as atividades de lazer. Todos parecem gostar de estar ali e os frequentadores habituais acabam se identificando com o local, não só pela ligação que possam ter com o mar e a pescaria mas também porque ali são conhecidos por todos, ou quase todos, encontram os amigos e se reúnem com os companheiros de algum grupo ao qual estão eventualmente ligados e aonde se sentem valorizados.