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Rio de Janeiro, Copacabana.COM Sunday, 06-Jul-2008 16:35:41 BRT

A História de Copacabana Parte 3

História de Copacabana

Parte1

Parte2

Cassinos

Antonio Maria

Dolores Duran

Aída Cury

Boate Vogue

Ai de Tí, Copacabana

Calçadas

Parte3

Home > Guia de Ruas > História de Copacabana 3 ( Copacabana´s History part III page in English is here)






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Em menos de duas décadas verificou-se a necessidade de abrir novos túneis, dentro do bairro. O primeiro ligava, em 1960, a Rua Barata Ribeiro à Rua Raul Pompéia, hoje denominado Túnel Sá Freire Alvim. Esse foi um ano de grandes modificações, que visavam a melhoria do trânsito de veículos em Copacabana.

O presidente da República, Juscelino Kubitschek, comemorava o quarto aniversário de seu governo e o Rio de Janeiro deixaria, dali a alguns meses, de ser a capital do país, uma vez que a inauguração de Brasília já estava marcada para 21 de abril.





Veja aqui na edição de 16 de janeiro de 1960 de - O Cruzeiro uma matéria sobre Copacabana na visão do cartunista argentinoDivito.

No dia 30 de janeiro, após a inauguração da pista de alta velocidade do Aterro do Flamengo, o presidente Kubitschek, juntamente com o prefeito do Distrito Federal, Sá Freire Alvim, inauguravam a duplicação da Avenida Princesa Isabel, possibilitando a ligação do túnel Marques Porto, ou Túnel Novo, com a Avenida Atlântica por mais de uma pista. Para essa duplicação da pista, foi necessário a implosão de um prédio, a primeira da cidade. Após isso a comitiva oficial dirigiu-se para outra inauguração, desta vez do túnel que ligava a Rua Barata Ribeiro à Rua Raul Pompéia, quando o presidente fez um discurso, lembrando que já fôra morador de Copacabana.

Com a mudança do Distrito Federal para Goiás e sua capital para Brasília, o Rio de Janeiro ressentiu-se muito, pois todos os órgãos oficiais, ministérios, Câmara e Senado se transferiram para lá e, por extensão, Copacabana também sentiu os efeitos do impacto sofrido na cidade. Quero ser pobre sem deixar Copacabana, a frase define a paixão pelo bairro, mas Brasília, a nova capital federal, acenava para todos que quisessem crescer com ela. Billy Blanco, compositor de música popular brasileira - por diversas vezes cronista do Rio de Janeiro, nas suas obras musicais -, contrário a esse êxodo, compôs Não vou pra Brasília, samba lançado em 1957, que dizia:

Eu não sou índio nem nada,
não tenho orelha furada
e nem argola
pendurada no nariz.
Não uso tanga de pena
e a minha pele é morena,
do sol da praia, onde nasci
e me criei feliz.
Não vou, não vou pra Brasília,
nem eu, nem minha família,
mesmo que seja
pra ficar cheio da grana.
A vida não se compara,
mesmo difícil e tão cara,
quero ser pobre
sem deixar Copacabana.



Em 1963, outro túnel era entregue ao trânsito, cada vez mais pesado, de Copacabana, ligava as ruas Tonelero e Pompeu Loureiro, que recebeu o nome de Túnel Major Rubem Vaz.

Cafe Filho, da janela de seu apartamento, no Posto 6, em Copacabana, com sua mulher Jandira, contemplando os gorros vermelhos da Polícia Especial

Reprodução de foto do livro Do Sindicato ao Catete, 1966, Livraria José Olympio Editora

Em 1964, Café Filho, da janela de seu apartamento, no Posto 6, em Copacabana, com sua mulher Jandira, contemplando os gorros vermelhos da Polícia Especial (que cercavam o edifício, quando do golpe que o afastou da presidência), que lembravam os quepes da mesma cor, dos soldados da cavalaria de Natal no ano de 1922.



A aspiração de viver em Copacabana, inclusive às sociais menos favorecidas, fez surgir os edifícios com os apartamentos conjugados, de dimensões mínimas, tipo JK, numa alusão às iniciais do presidente Juscelino Kubitschek, mas, na realidade, queria dizer janela e kittchenette. O mais importante bairro da cidade transformara-se numa verdadeira selva de prédios, que se reproduzia de maneira vertiginosa e desordenada. Entre os anos 60 e 70, Copacabana já era um bairro saturado, mesmo assim foram liberados os gabaritos dos prédios para 12 andares, especialmente para hotéis, desaparecendo a visão do contorno das montanhas.

Gravada em 1968, Superbacana, de Caetano Veloso, expõe sua paixão por Copacabana, de maneira moderna:

Toda essa gente se engana
ou finge que não vê
que nasci pra ser um superbacana,
superbacana, superbacana,
Super-homem, super Flit,
super Vick, Superhist, superbacana.
Estilhaço sobre Copacabana,
tudo em Copacabana, Copacabana.

O mundo explode longe, muito longe,
o Sol responde, o tempo esconde,
o vento espalha e as migalhas
caem todas sobre Copacabana
me engana, esconde o superamendoim,
o espinafre biotônico,
o comando ao avião supersônico,
do parque eletrônico,
do poder atômico, do avanço econômico:
a moeda número um do tio Patinhas
não é minha.

Um batalhão de cow boys
varre a entrada da legião de super-heróis;
eu, superbacana, vou sonhando
até explodir colorido,
no sol dos cinco sentidos,
nada no bolso, ou nas mãos.
Um instante maestro!

Nos anos 70, no governo Negrão de Lima, foi inaugurada a ampliação da praia e da Avenida Atlântica. Uma nova concepção urbanística dá à praia de Copacabana uma grande faixa de areia. As calçadas da orla maritíma, continuaram com seus desenhos em forma de ondas, mas o canteiro central ganhou belos desenhos geométricos, do arquiteto e urbanista Burle Marx e várias árvores.



Copacabana, pode não ser o melhor - e é um ponto bastante discutido pelos urbanistas -, mas, para os seus moradores e para o visitante, o bairro é infinitamente lindo e viável. Parte dos problemas do bairro veio do crescimento do número de automóveis, e para estes, Copacabana é quase inviável, por não ser possível acomodá-los nos estacionamentos e garagens existentes. Visando a uma melhor solução para os problemas foram se formando as Associações de Amigos e Moradores das seguintes áreas, como: Bairro Peixoto, Praça Cardeal Arcoverde, Leme, Pedra do Inhangá, Postos Quatro, Cinco e Seis e Arpoador.

Numa iniciativa do Hotel Méridien-Rio, no Réveillon de 1976, que promoveu uma deslumbrante queima de fogos do alto de seu edifício, na Avenida Atlântica esquina com Avenida Princesa Isabel, fixou-se no calendário da cidade esse evento e institui-se a queima de fogos na praia.



Antes eram promovidos encontros dos adeptos da umbanda e candomblé, cultos de origem africana, que iam jogar flores e presentes, no último dia do ano, nas águas de Copacabana para Iemanjá, para agradecer as bençãos do ano que findava, ou para pedir novas bençãos para o ano que começaria dali a instantes. No início dos anos 80 o hotel produziu um espetáculo mais abrangente, incluindo um show de raios laser. A partir daí, a hotelaria e os restaurantes da orla marítima, juntamente com a Prefeitura, aderiram a esse show, tornando Copacabana palco da mais grandiosa festa de réveillon do Rio de Janeiro e da maior queima de fogos simultânea do mundo, registrada no Guiness, o livro de recordes, desde 1990, que a cada ano recebe um público sempre maior, calculado em mais de 2 milhões de pessoas, que vêm de outros bairros, de outros estados, de outros países.

Depoimentos

"Os primeiros shows pirotécnicos feitos em copacabana foram feitos por Antonio Chieffi Filho e Biagino Chieffi, na época proprietarios da Fogos Caramuru, que também fez a queima dos fogos de artificio da inauguração de Brasilia, hospedados no Copacabana Palace, fizeram um show pirotecnico para a virada do ano dai então começou a tradição." Armando Chieffi

Em toda a orla, emergem de pequenos buracos cavados na areia, as luzes das velas circundadas de oferendas e são entoados cânticos por toda a curva atlântica. Os bares e os restaurantes ficam lotados e o calçadão se transforma no ponto nobre da tradicional passagem do ano. Os apartamentos defronte ao mar recebem seus convidados para sofisticadas ceias. É a confraternização pública e gratuita, mais pacífica do mundo, que acontece nos 4km de asfalto e areia, num ritual: olhar para o céu e deixar-se iluminar pelo esplendoroso show de pirotecnia. De uma ponta a outra da praia, do Forte do Leme ao Forte de Copacabana explodem os diversos tipos de fogos, durante 15min, culminando com o efeito mágico fa cascata de luzes de 127m, que desce do topo do Hotel Méridien.



Copacabana abriga mais um evento que se fixou no calendário da cidade: a Maratona do Rio, que desde 1984 foi designada pelo Comitê Olímpico Brasileiro como prova seletiva das Olimpíadas de Los Angeles. Com início e final de percurso na praia, os 42.195m tem uma participação anual de 5.000 corredores, em média. Ainda nesse ano, o prefeito Marcello Alencar, em sua primeira administração, inaugura o Parque da Chacrinha, área verde do bairro, com acesso à reserva de mata atlântica do Morro de São João. Na ocasião foi plantado um espécime raro da flora nativa local, que havia desaparecido com a urbanização do bairro, a Eugenia Copacabanensis ou araçá da praia. No ano seguinte, atendendo a uma reivindicação antiga dos moradores do Bairro, o prefeito manda plantar na areia da praia de Copacabana, em vários locais, verdadeiros oásis de coqueiros. Dessa forma são garantidos outros pontos de sombra na praia.

Em 1991, a orla marítima ganha uma ciclovia e pedalar vira moda. Nos fins de semana a pista junto à praia - descida dos ônibus e carros que vêm do Leblon, Ipanema e outros bairros -, é fechada para lazer da população, com praticantes de patins, pessoas caminhando e com a belíssima vista do mar.

No ano de seu centenário, 1992, Copacabana vira samba-enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Vigário Geral com o tema Cem anos de ondas de Copacabana, sagrando-se campeã do Carnaval. Apesar do bairro abrigar a maioria dos diretores e donos de jornais, até o surgimento do Copacabana Palace Hotel, seu carnaval apresentava-se de forma incipiente e, no início, essa festa parecia privatizada por seus moradores. Copacabana recebia com cerimônia os foliões que vinham de fora. Durante o ano os moradores freqüentavam as luxuosas dependências do Atlântico Club e do Praia Club. Quando o Carnaval chegava, participavam de suas festividades com muito entusiasmo. Em 1932, o governo oficializou o Carnaval e a partir daí Copacabana começa a abrir seus salões para pessoas das camadas sociais mais baixas. Alguns preconceitos são liberados e o bairro passa a ter participação na alegria das ruas. Desde o início do século XX já havia os grupos carnavalescos: Sociedade Carnavalesca Prazer do Leme, Peixinhos do Amor e Flor de Copacabana. Eram comuns, na época, grandes batalhas de confete e lança-perfume, promovidas por moças e rapazes do bairro, na Avenida Atlântica, no trecho entre as Ruas Constante Ramos e Furquim Werneck (hoje Xavier da Silveira), ficando nesta principal artéria de Copacabana a manifestação coletiva de carnaval de rua. O primeiro jornal do bairro, fundado em 1907, O Novo Rio, registrava as festas de carnaval e, mais tarde, viria a ter como colaborador Orestes Barbosa, o inesquecível autor - junto com Sílvio Caldas - de Chão de Estrelas. Em 1920, surge o jornal Beira Mar, que se destacou de forma decisiva nas reivindicações dos moradores de Copacabana (exemplo: os moradores de Copacabana se uniram para pedir ao então prefeito Antônio Prado Júnior que desse um jeito nos postos de salvamento. O bairro estava crescendo e, com isso, aumentava o número de afogamentos. No livro "Orla carioca", a historiadora Cláudia Gaspar destaca a notinha publicada na edição do jornal "Beira Mar" de 29 de outubro de 1929: "Não é bastante que tenhamos as praias mais bellas do mundo. Faz-se mistér que as tenhamos aparelhadas de um moderno e perfeito serviço de sauvetage , como Nice, Galveston e outros idênticos paraísos balneários...") e nascia aquela que seria chamada a força revolucionária da música popular brasileira, Dircinha Batista, que com sua voz interpretou e colaborou com muitos carnavais.

A juventude do bairro gastava suas energias e animação carnavalescas nas ruas e nos clubes que surgiam e inaugurou-se o banho de mar a fantasia. A partir de então, Copacabana começa a sentir o reflexo desses desfiles que crescem de ano para ano, com a participação de pessoas vindas de outros bairros cariocas, com fantasias variadas nos bondes, nos trens, e de papel crepom para os banhos de mar a fantasia. Havia corsos, batalhas de confete e muita animação. Na década de 50, havia um grupo de rapazes, bem nascidos e bem sucedidos, que se encontrava na Confeitaria Alvear para beber e conversar, surgindo o Grupo dos Cafajestes, que na época de Carnaval dali partiam para os bailes de Copacabana. Nos bailes importantes, nos pré-carnavalescos, esse grupo era dos mais animados. Criaram os Bailes do Caju Amigo que ficaram famosos e concorridos por muitos anos. Numa dessas festas - conta-nos o jornalista Ibrahim Sued no seu livro 30 Anos de Reportagem -, a atriz de Hollywood, Jane Mansfield, impulsionada pelo caju superamigo, dançou totalmente nua em cima de uma das mesas da boate Au bon gourmet, onde ocorria o baile de carnaval.

A Rua Miguel Lemos, tradicional de Copacabana pela união de seus moradores, continuava a estimular o carnaval do bairro, realizando sensacionais bailes pré-carnavalescos e atraindo muitos foliões durante todo o período do rei Momo. Até hoje essa tradição se mantém, ocorrendo também outras comemorações em épocas de Copa do Mundo, festas juninas e datas festivas.

O Copacabana Palace Hotel continuava com a fama internacional de seus bailes, tanto que em 1964, no carnaval do 4º Centenário da Cidade vieram artistas e milionários famosos, como Porfírio e Odile Rubirosa, Brigite Bardot, Alberto Sordi, Elza Martinelli e muitos outros. Ano após ano as festas foram se sucedendo, mas o carnaval em Copacabana foi ficando reduzido até a criação de bandas que fizeram renascer o carnaval de rua. A primeira foi a Banda do Leme, criada em 1971, além desta desfilam a Bandida, da Rua Rodolfo Dantas; a Banda Bomba, da Rua Bolívar; a Banda da Boca Maldita, da Avenida Prado Junior; e seguem-se as bandas das ruas Duvivier, Paula Freitas, Sá Ferreira, Santa Clara, Miguel Lemos e várias outras.

Na década de 80, um bloco transformou-se em escola de samba, tornando-se Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vila Rica, chegando ao Grupo de Acesso. Sua quadra de ensaios está localizada no Morro de São João, cuja entrada se faz pela Ladeira dos Tabajaras.

A larga praia de Copacabana, em dias de sol, é um maravilhoso sorvedouro humano seminu que se aglomera na areia e na quebrada das ondas. Ali se reúnem todas as classes sociais e profissionais, democraticamente: são feitos negócios pequenos e milionários, são apostados centavos e milhões de dólares, são vendidos desde limonadas até caros apartamentos e aviões, se agrupam homossexuais, casais, famílias, times de futebol de areia e voleibol de areia - esportes criados e profissionalizados em Copacabana -, concertos de música, vendedores de todos os tipos de quinquilharias, tudo ao mesmo tempo.

História de Copacabana

Parte1

Parte2

Cassinos

Antonio Maria

Dolores Duran

Aída Cury

Boate Vogue

Ai de Tí, Copacabana

Calçadas

Parte3

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