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PELAS NOITES De Copacabana:
Roteiro boêmio de Antonio Maria

Maria Izilda Santos de Matos1

História de Copacabana

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Antonio Maria

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Aída Cury

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Calçadas

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O foco central dessa pesquisa foi a trajetória de vida e a produção (composições e crônicas) de Antonio Maria, priorizando os circuitos e as experiências boemias em Copacabana, mais diretamente centrada nos anos dourados.

"A noite é uma criança": Experiências Boêmias em Copacabana

Sou da noite do Rio
Da noite macia do Rio
Sou desse bar que me chama
Em nome de alguém que me ama
Da noite tão bonita dou graças a Deus
(Carioca, 1954)

Nos anos 50, Copacabana era o centro da vida da então capital federal, era o bairro "quente" da noite carioca.

Na calçada preta e branca da praia, um vai-e-vem de príncipes, ladrões, banqueiros, pederastas, estrangeiros que puxam cachorros, mulheres de vida fácil ou difícil, vendedores de pipocas, milionários, cocainômanos, diplomatas, lésbicas, bancários, poeta, políticos, assassinos e book-makers. Passam estômagos vazios e outros empanturrados, em lenta digestão. 2

Naqueles anos efervescentes conviviam no bairro: estrangeiros e nacionais, banqueiros milionários e bancários, políticos, assassinos, book-makers e cocainômanos, intelectuais e "cafajestes", que compunham uma trama de relações multifacetadas e com infinitas conexões.

Nas novas avenidas, em particular as da praia, passavam velozmente automóveis conversíveis, criava-se a sociabilidade na praia e definiam-se novas formas de relação entre os gêneros, estabelecidas legal e clandestinamente por detrás das múltiplas janelas dos prédios de apartamentos.

Copacabana era um território com suas imagens e sons, carregando representações fragmentárias, suporte de memórias diferentes, contrastadas, múltiplas, presente nas pedras e luzes da cidade. Aparecia como monumento o luxuoso Copacabana Palace - que mantêm viva a memória desses anos de ouro de Copacabana - tendo como pano de fundo a praia, signo de beleza que caracteriza a cidade tanto no âmbito do país como no exterior. Copacabana Palace

Copacabana Palace Tematizar o bairro de Copacabana dos anos 40 e 50 é resgatar as ambigüidades e tensões de uma nova maneira de viver. Como o bairro mantém um sentido tradicional de antigos bairros cariocas, permanece nele certa relação de convívio por meio de pequenas solidariedades, mas plena de vigilância e controle. Também já se pode perceber uma tendência para novas perspectivas frente ao mundo (um individualismo privatista), novas formas de ser, de agir e de sentir, aliadas à impessoalidade de certas relações, a uma frieza e à expansão crescente da violência urbana. O cronista Antonio Maria aponta exemplarmente esse processo:

Assassínios, roubos, desquites. Muita notícia de câncer em pessoas conhecidas e nenhum telegrama, de NY ou Teresina, dizendo que o cachet da cura foi descoberto. Ao longo das praias de Botafogo, naquelas avenidas macias onde o automóvel dá 90, uma fedentina de morte. Falta d'água na zona sul. Bares e boates, com pias e torneiras inúteis, lavando pratos e talheres, só Deus sabe como. Contas altíssimas... E Copacabana, coitada, despoliciada e perigosa, sofre o trottoir das mulheres sem dono e traz para a porta dos seus bares: pederastas, traficantes de maconha e desordeiros da pior espécie. Numa dessas madrugadas, saindo do Vogue, dei com uma cena lamentável, na porta da "Tasca"...



Pobre Copacabana! seu poeta, talvez por morar na zona norte cometeu a ingenuidade de dizer: "pelas manhãs, tu és a vida a cantar". De gente do governo, eu só conheço dona Alzirinha Vargas, por quem tenho serena simpatia. Aproveito-me desse conhecimento para pedir-lhe que dê um jeito na chamada "princesinha do mar". Uns três telefonemas seus serão o bastante para sanear e policiar um dos cantos mais famosos do mundo. Mas, talvez dona Alzirinha não seja de ler certos cronistas e esta nota se perca, envolta em todas as suas boas intenções.
3

Assim, este efervescente território rapidamente se distinguia da Copacabana de vinte anos atrás, um areal procurado pelos que defendiam os milagres curativos do banho de mar4. O processo acelerado de transformação relaciona-se à própria ocupação urbana primeiramente vinculada a uma elite e posteriormente a uma expansão de imóveis mais acessíveis, quitinetes baratas, atraindo para a Zona Sul outros setores sociais. um areal procurado pelos que defendiam os milagres curativos do banho de mar

Enquanto certos habitantes de Copacabana dormiam, em algumas ruas, nos bares, restaurantes, boates, em salas pouco iluminadas e enfumaçadas as tensões urbanas emergiam, vivenciadas de formas fragmentadas e diversificadas por seus freqüentadores, fazendo desse território, um lugar para se trabalhar, se divertir, viver as aventuras e desventuras da noite.

Durante a administração de Henrique Dodsworth (1937-45) na prefeitura do Rio de Janeiro, intervenções urbanas atingiram a área da boemia, particularmente na Lapa, colocando abaixo centenas de edifícios, abrindo parques e avenidas, ao mesmo tempo fechando os prostíbulos no Mangue (1942) e reprimindo a boemia malandra da Praça Onze. Em nome dos bons costumes, o coronel Etchegoyen determinava que fossem presos: malandros, prostitutas, boêmios, gigolos. Esse ambiente repressivo afasta intelectuais e freqüentadores da vida noturna da Lapa e do Centro. Em 1946, o presidente Dutra fechou os cassinos (seguindo os conselhos da então primeira-dama, D. Santinha, de que acabasse como aqueles "antros de pouca vergonha"), atingindo diretamente o meio artístico. A recuperação viria com uma transferência da boêmia para as boates em Copacabana. Prefeito Henrique Dodsworth



Antonio Maria, rememora:

Da guarita do Forte do Leme à guarita do Forte de Copacabana, de sentinela a sentinela, são 121 postes de iluminação, formando o "colar de pérolas", tantas vezes invocado em sambas e marchinhas...

As boates da praia abrem e fecham da noite para o dia. No antigo cineminha do Cassino Atlântico, uma casa de uma porta só já teve mil nomes e, agora, está fechada, após a última tentativa da senhora Elvira Pagá, que dançou sem roupa para uma meia dúzia de fregueses tristes. Depois, o Ranchinho, já sem Alvarenga, com Caymmi de chamariz. Num corredor, o Perroquet, com a decoração mais feia do mundo, sustentado por um show de carnaval, "made by" Colé e Nélia Paula. Além disso, só vai ter o Bambú, lá pra longe, resistindo e morrendo, morrendo e resistindo. As transversais, porém, estão cheias de bares. O "Siroco" e o "Mocambo" começaram bem, mantinham uma freguesia agradável e se degradaram, com o tempo. Hoje, na porta de cada um, há um guarda e dois investigadores, para o que der e vier. "La Conga", velha tabulete de Mme. Lili, abriu, fechou e abriu outra vez, na Prado Júnior. Lá dentro - dizem - há linda uruguaias da equipe de Mme. Lili, uma tentação para o marido em habeas corpus. Os restaurantes franceses, da marca do Bistrô, Cloche d'Or, French Can-Can, Cremaillére e Tout-en-bleu são mais de uma dezena. Atualmente, o mais freqüentado é o Bistrô... Defronte está o "Michel" e Mimi preserva um tom moreno iodado muito simpático, mesmo nos meses de inverno. Aí se encontram os donos da noite. Poetas e jornalistas vieram do Maxim's (depois que Freddy foi embora) e sentaram ao lado de políticos e banqueiros. Pares de namoro recente estão pelas mesas dos cantos, assim como quem não quer nada, de olhos baixos e conversa miúda. Música de um piano sonolento, tango de um violão super-argentino. Os homens dos bancos altos, em volta do bar, com o olhar parado, perguntando coisas ao Lopes, foram, em sua maioria, largados pelas mulheres. Na caixa, com um vestido negro, Mimi ouve, ri, fuma de piteira, diz "bonsoir" e fatura.

Este é o roteiro noturno de Copacabana... onde começam as noites e os dias do boêmio carioca5

"Ninguém me ama...": Nos embalos do samba-canção

Ninguém me ama
Ninguém me quer
Ninguém me chama
De meu amor

(Ninguém me ama, Antonio Maria)

O cotidiano noturno de Copacabana passava a ser vivenciado dentro dos bares, restaurantes e boates. No Sorreno e o Maxim's os artistas do rádio e do teatro davam o tom; pela primeira vez, elegiam como ponto de encontro a Zona Sul. Os restaurantes eram vários. como o Furna da Onça, Alpino, Bambú, Tasca, Taberna, OK, Bife de Ouro, Maxim's, Alvear, Bolero, Cairo, Alcazar, Marrocos. Os restaurantes franceses eram considerados chiques, entre eles se destacavam: Bistrô, Cloche d'Or, French Can-Can, Cremaillére e Tout-en-bleu.Vogue, Copa, Beguine, Little Club, Baccarat, Casablanca, Acapulco, Montecarlo, Bambú, Siroco, Mocambo -, algumas atraíram freqüentadores fiéis e polidos, mantendo-se assim por longos períodos, e outras se degradaram em pouco tempo. Pares enamorados espalhavam-se pelas mesas dos cantos, envoltos na atmosfera da música de piano ou de um cantar sussurrado, que evocavam o amor magoado e a dor-de-cotovelo.

Copacabana era um território boêmio6 diferente da Lapa e do Estácio. Boates como Vogue eram freqüentadas pelo high-society, intelectuais, cronistas da imprensa, a turma da música popular, paulistas ricos em férias. Era um espaço de refúgio para solitários. Teresa e Didu, Lurdes e Alvaro Catão, Lili e Horácio de Carvalho, Lúcio Rangel, Jacinto de Tormes, Beijo Vargas, Ibrahim Sued, Sérgio Porto, Aluisio Sales, Fernando Lobo, Valter Quadros lá se encontravam religiosamente. Araci de Almeida, Linda Batista, Angela Maria, Inesita Barroso cantavam na pequena casa do Barão von Stuckart (um austríaco mais melancólico do que festivo), onde se apresentava uma boa orquestra de negros americanos e o piano suave do Sacha, já de cigarro no canto da boca.

Como cronista e boêmio, Antonio Maria, se movia com destreza nesse espaço que conhecia como ninguém, identificando com esse universo suas regras e formas de expressão que se diferenciavam das do dia, mas nem por isso eram marginais ou desvinculadas dos elementos fundantes da sociedade, como trabalho e família.Rio de Janeiro, seus escritos captavam muito desta atmosfera enfumaçada da boemia carioca dos anos 50 e do samba-canção, de uma Copacabana de colunas sociais emergentes, de outros cronistas como Sérgio Porto, Lúcio Rangel, Mariozinho de Oliveira, do Comandante Edu.

Ser moderno porta a dentro

Nos anos 50, a emergência do desejo de ser moderno generalizou-se por toda a sociedade e passou à esfera do domínio da vida cotidiana. A produção tanto material quanto cultural passou a ter destino nos mercados de massa e ficou ligada às diversas necessidades do dia-a-dia. Da mesma forma, a idéia de moderno estava relacionada a novos estilos de vida, comportamentos e hábitos, difundidos mais amplamente pelos meios de comunicação de massa.

A modernidade não implicou uma padronização no estilo de vida, tanto nos seus aspectos materiais quanto nas escalas de valores, mas uma veiculação de um modo de vida calcado em referenciais como funcionalidade, conforto, eficiência e racionalidade. Esse movimento de uma certa referência cultural em padrão mais universal tomou formas novas e singulares, dada à própria qualidade plural da cultura.

O viver moderno de Copacabana trouxe transformações culturais e nos significados das experiências, mas sem que outras formas de vivência tenham desaparecido: mantiveram-se residuais, convivendo com experiências emergentes. Era possível reconhecer um campo de experiências em comum entre os sujeitos históricos que a vivenciavam. Estabelecia-se uma tendência, uma espécie de vetor comum homogeneizador que ao mesmo tempo comportava a resistência e/ou um inconformismo.

Essas modificações pautaram-se por novas vivências cotidianas, a partir das quais se constituíram novas organizações do território, das quais originou-se uma outra forma de homens e mulheres apreenderem os fenômenos que vivenciavam. Não que todos compulsoriamente tenham passado a viver de acordo com esses padrões e absorvido as perspectivas de vida que se constituíram em Copacabana, mas a imagem desse novo ideal de vida não deixou de ser sonhada, desejada e incorporada por uns e refutada por outros.

Copacabana era palco de tensões entre valores tradicionais e modernos, numa dramaticidade não previamente definida, num dilema entre mudar ou permanecer, e até que ponto. Idealizam-se novos modelos de conjugalidades, com a rejeição de vínculos formais, e questiona-se um duplo padrão de moralidade, com a exigência de uma fidelidade estrita por parte da mulher e a aceitação da fidelidade relativa por parte do homem.

Um automóvel deixou uma mulher à porta do prédio de apartamentos - pelo estado em que se encontra a maquilagem, andou fazendo o que não devia. Os ruídos crescem e se misturam. Bondes, lotações, lambretas e, do mar, que se vinha escutando algum rumor, já não se tem o que ouvir9...

As transformações no espaço urbano eram indissociáveis das transformações no espaço privado. Percebe-se também "porta adentro" um processo de modernização, mas de forma lenta, irregular e, até, resistente, numa rotina do viver em pequenos apartamentos, em geral só:

Sua casa deve ser pequena, não mais que um quarto e uma sala. Teria ainda uma cozinha, um banheiro e um terracinho ao fundo, com o lavador de roupa. Quanto aos móveis, os da sala seriam: um sofá, duas poltronas, uma mesinha baixa de centro e outra, desmontável, dessa que ficam pela metade e são encostadas na parede. Sobre esta mesa, um jarro de flores e um retrato de parente; uma mesa para almoçar e jantar, se viesse gente de fora. Na mesinha baixa de centro, dois cinzeiros, com o nome de uma boate. Sobre o assoalho, sem tomá-lo todo, um tapete branco de cordão grosso. Haveria ainda uma vitrola portátil e os discos estariam na cadeira ao lado. Nas paredes, duas ou três reproduções (uma de Gauguin) e mais um quadrinho pequeno, de pintor nacional.

Agora, por exemplo, se são duas da tarde, a moça estaria tomando uma xícara de café, em cima de um guardanapo de matéria plástica ocupando só uma ponta da mesa encostada, tendo apenas afastado o retrato do parente. Mexeria o café no fundo da xícara. As flores ficariam onde estavam. Bebe sem olhar para a xícara; ou estaria olhando uma pequenina mancha da parede e ficará olhando um tempo enorme para esse ponto sem importância, porque só se pode olhar demoradamente para o que não tem importância ou beleza no poder. Estaria vestida como dormiu, porque mora sozinha e gosta de ficar nesse deus-dará, até que lhe chegue coragem de tomar banho, vestir-se ...

Defronte na penteadeira um aviso de banco e uma conta de luz e gás. O vidro de perfume nas últimas. Existir é difícil. Matar-se ou prosperar. No chão, revistas, quase todas com fotografias de Teresinha Morango. Noutra, várias poses de Colette Marchand. A angústia e a inutilidade dos tímidos. Gostaria de ser beijada silenciosamente na fronte. Gostaria de entender o seu misticismo. Gostaria de ter um amigo íntimo. Gostaria de ter a vida menos minha (diz e pensa), não sei intimidade nenhuma. Lembra-se de um certo cidadão que a ama, ou a amou. Se ele entrasse, ela fecharia os olhos10...

O sentimento de estar só no espaço, o "sentir só" expresso na crônica de Antonio Maria persiste nas canções. Identifica-se o espaço público como "mundo mau", com conotações negativas de perigo, indiferença e estranhamento, enquanto o mundo privado, representa refúgio seguro.

"Os homens tristes geralmente fazem graça"

Em 1940, o Rio de Janeiro passava por um conjunto de outras reformulações urbanas, nesse período estava em voga fumar o cigarro Pour la Noblesse, ler as Seleções do Reader's Digest, usar sabonete Lever, óculos Ray-ban e Brylcreem nos cabelos, ir aos Cassinos da Urca, do Copacabana Palace Hotel e de Icaraí. Nesse ano Antonio Maria chegou ao Rio pela primeira vez, veio a bordo de um Ita e queria tentar a sorte na rádio.

Antonio Maria Araújo de Morais nasceu em 17 de março de 1921, filho de pai usineiro e que tudo perdera num desastrado lance de especulação com os preços do açúcar. Teve uma infância privilegiada: o desvelo materno, os tempos do colégio, as lições de francês, os banhos de rio e de praia e as férias na usina dos avós.

Em Recife, começou a trabalhar aos 17 anos na Rádio Clube de Pernambuco irradiando futebol. Mas o sonho da carreira na Capital Federal o levaria para o Rio, onde ficou hospedado no apartamento 1005 do edifício Souza na Cinelândia, que partilhava as dificuldades com Fernando Lobo, Abelardo Barbosa e Dorival Caymmi, foi um período duro. A princípio tentou a rádio trabalhando como locutor esportivo, mas não tardou por perder o emprego, se envolveu em muita encrenca, com muita mulher e até com a polícia, logo voltou para Pernambuco.

Permaneceu em Recife até 1944, trabalhando na Rádio Clube de Pernambuco. Já casado e com dois filhos, também atuou na Rádio Clube Ceará, passou por Salvador onde foi diretor das Emissoras Associadas, constituindo uma carreira produtiva e audaciosa. De volta ao Rio de Janeiro em 1947, recomeçou sua trajetória na Capital pela rádio Tupi, como diretor artístico. "Um menino grande" era como alguns o chamavam, pesava cerca de 120 quilos distribuídos em 1,80m de altura.

A rádio Nacional era a líder de audiência sendo seguida pela Tupi, na qual Maria dirigia e redigia os programas humorísticos e musicais. Em agosto de 1947 estreava com o programa "Minha terra é Assim", uma série de especiais curtos de meia hora com grandes nomes da música brasileira, também dirigia e apresentava "O tempo e a música". O destaque cabia para os programas humorísticos como a "Rua da Alegria", tendo como personagens mulheres assanhadas, maridos traídos, caipiras e outros clássicos do gênero, criando um texto humorístico centrado no cotidiano e de perfil ingênuo.

- Você sabe a semelhança e a diferença entre os trens da Central e a moça que toma carona de desconhecido?- perguntava alguém com voz de capiau.
- Num sei não- respondia outro, mais mocoronga ainda.
- A semelhança é que os dois costumam sair da linha. A diferença é que a moça sai da linha e mata uma só esperança passageira. E o trem que sai da linha mata 180 passageiros.

Através do humor, o residual podia ser recuperado, o estranhamento frente ao emergente e/ou moderno era colocado, o antigo torna-se arcaico, a inversão possibilita dizer o não-dito, ou o repetido que circula no cotidiano, fazendo surgir os anti-heróis, os trocadilhos, as paródias, personagens tragicômicos e outros elementos. Levando os criadores a construírem conexões com os ouvintes. Nesse contexto Antonio Maria atuou com maestria.

Também transmitia jogos de futebol, foi ele que transmitiu o gol de Ghigia no final trágica da Copa do mundo de 1950.

Em 1952, o governo Getúlio Vargas, em troca de apoio político, investiu altos recursos na rádio Mayrink Veiga, Antonio Maria transferiu-se para lá com um contrato de 50 mil cruzeiros, o mais alto salário do rádio no país, ele logo comprou seu primeiro Cadillac. Maria levou para nova emissora o seu bem sucedido "Rua da Alegria", invertendo o nome para "Alegria da Rua", seu trabalho era menos em cima dos tipos e mais em cima das piadas, do texto. Também escreveu "Teatro de Comédia", "Levertimentos", "Cássio Muniz o cronista do mundo", musical "Antártica", "Coisas da vida", "Regra Três", "A cidade se diverte".

Ele chegou a ter três programas por semana mais de 13 laudas cada um e a criatividade vinha sempre de última hora ou do ouvido atento, foram 15 anos de programas marcantes e uma inteligência de destaque na década de ouro do rádio.

Além, da rádio Antonio Maria ainda tinha as composições musicais, as colunas dos jornais, os shows da boate Casablanca, alguma nova revista como "A Mulher é o diabo", junto com Ary Barroso. Produziu jingles para produtos e políticos, como bom nordestino fez muito repente nos estúdios. Os jingles possibilitaram experiência com a criação de textos com frases curtas, saborosas e diretas permeadas de humor.

Eu sou a água de colônia Regina
Eu sou o sabonete Regina
Eu sou o talco Regina
Nós três, o trio maravilhoso
Quer no calor e no frio
com tempo bom ou chuvoso
Somos o trio Regina

Em 1951 foi convocado para participar da TV Tupi no Rio, atuando nos programas de entrevistas, musicais, humorísticos e outros. Já em 57, atuava na TV Rio com o programa "Rio Eu gosto de você" com Ary Barroso, de 1958 a 61 destacava-se em "Preto no Branco" programa de sucesso, no qual formulava as questões sempre com bom humor e ironia. Solicitado para o trabalho também participou de "Noites cariocas", em o "Riso é o limite" produzia um mesmo texto para a TV e para a Rádio mudava o interprete e o programa, mas mantinha a piada.

Como entrevistador era sedutor, tinha uma boa conversa destacando-se no programa "Encontro com Antonio Maria", alguns desses encontros foram fatídicos como o programa com Maysa no qual ele a cantou publicamente e o com Ademar de Barros quando surgiu num diálogo com Maria a expressão que passaria caracterizar o político - "eu roubo mais faço".

Paralelo a essas atividades na rádio e na TV, havia as crônicas em sua maioria centradas em Copacabana, em particular nas noites. Nesse período quem tinha dinheiro e queria se divertir ia para Copacabana, era uma boemia na qual circulava o café-soçaite, lá se encontrava o cardápio mais sofisticado, sempre com novidades, nas pistas o cheek-to-cheek dos casais, muitos deputados (Rio de Janeiro ainda era a capital federal) com carnudas vedetes.

Durante a primeira metade da década de 50, Antonio Maria escrevia no Globo, a coluna "Mesa na pista", o centro das notícias ocorriam na Boate Vogue. Segundo ele nunca existiu nada como a boate Vogue, lá o charme imperava, as mulheres tinham os cabelos penteados por Renauld do Copacabana Palace e os homens vestiam ternos do London Taylor's, em contraste com Antonio Maria de calças amarradas por um barbante e alpargatas, colarinho seboso, mas que envolvia a todos com seu papo sedutor e suas histórias bem humoradas. Copacabana era o território de Antonio Maria, lá conhecia tudo e registrou com retratos precisos e emocionados.

Foi um cronista da noite Copacabana, ele era um homem da noite, é dele a celebre frase A NOITE É UMA CRIANÇA. Seu papo era espirituoso, sua conversa misturava carência, malícia e promessas, apresentando uma empatia e envolvia pela alegria exuberante, também presente em seus textos, um material rico para a rastrear as memórias daqueles anos dourados.

Na Revista da Semana e na Manchete escreveu entre 1953 e 1956. De 1951 a 55, escreveu em O Jornal, dos Diários Associados, as colunas "A Noite é Grande" e "O jornal de Antonio Maria"; de 1955 a 59, estava em O Globo, a coluna "Mesa de Pista"; de 1959 a 61, na Última Hora, tinha duas colunas diárias: "Jornal de Antonio Maria" e "Romance Policial de Copacabana". De 1961 a 62 transferiu-se para o Diário da Noite, e de 1962 a 64 escreveu em O Jornal. Totalizando mais ou menos 3000 crônicas.

Os textos de Antonio Maria são de leitura agradável, tem humor, ironia, vivacidade, clareza, carregados de espontaneidade, refletiam um estilo leve, mas também falava de relações intensas e dos sentimentos masculinos. As crônicas são um estilo literário marcante nesse momento, leve e rápido conectado com o cotidiano do Rio, das ruas, em particular, de Copacabana e da sua noite.

Era um homem movido pela emoção, apesar de dizer-se apolítico, era crítico do governo Lacerda, menos pela postura política, mas pela ignorância do governador do viver carioca.

Nas suas crônicas não poupava a ninguém, até mesmo Vinicius de Morais, um dos amigos de boêmia andou levando suas farpas quando Antonio Maria se meteu no duelo com a bossa nova e viu o poeta na facção inimiga, ele bombardeou: "Se Vinícius abandonou o primeiro time de poesia para jogar no juvenil da música foi porque ele quis"11.

Amar e viver em Copacabana

Vento do mar no meu rosto
E o sol a queimar, queimar
Calçada cheia de gente a passar
E a me ver passar
Rio de Janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Deste céu, deste mar
Dessa gente feliz
Bem que eu quis
Escreve um poema de amor
E o amor
Estava em tudo que eu vi
Em tudo quanto eu amei
Tinha alguém mais feliz
Que eu
O meu amor
Que não me quis
(Valsa de uma Cidade, Antonio Maria)

Para além de toda essa produção, a música era sua realização. Seus primeiros trabalhos musicais foram frevos, toadas, xotes e dobrados, fez até embolada (Nós era sete), mas os destaques foram para os sambas canções centrados na temática da dor de cotovelo, recuperando os desencontros e desilusões amorosas. Em 1952, Nora Ney gravou a polêmica canção "Ninguém me ama", de Antonio Maria em parceria com Fernando Lobo, era sofisticado e até sombrio12. Nos anos 50, amar era sinônimo de sofrer, cantado num estilo musical em voga nesse período - o samba-canção. Esses sambas falavam de amores impossíveis, paixões proibidas, infidelidades e esperas sem fim, o tema da dor de amor, do amor vencido pelas barreiras de toda sorte.

Antonio Maria foi porta-voz especial e sensível das inquietações e frustrações amorosas de seu tempo e lugar. Cantava e compunha sobre os rompimentos, descrevendo as experiências das noites passadas, entre goles de uísque e sambas-canções. Seus personagens - ele mesmo, no fundo - têm muito a ver com os freqüentadores assíduos de Copacabana13. Assim, as formas narrativas trazem a cena momentos, nos quais, geralmente, Antonio Maria estivera envolvido e que com rapidez, eficácia e inspiração ele resgatava na forma de diálogo ou de confissão:

Ninguém me ama
Ninguém me quer
Ninguém me chama
De meu amor
A vida passa
E eu sem ninguém
E quem me abraça
Não me quer bem

Vim pela noite tão longa
De fracasso em fracasso
E hoje, descrente de tudo
Me resta o cansaço
Cansaço da vida
Cansaço de mim
Velhice chegando
E eu chegando ao fim

(Ninguém me ama, Antonio Maria)

O amor era um sentimento difícil, sofrido, sempre temperado de perdas e desencontros, implicando em tristeza e dor. Nas composições de Antonio Maria o sujeito apaixonado encontra-se freqüentemente afastado do ente amado e se consome nas dores da ausência

De que serve viver tantos anos sem amor
Se viver é juntar desenganos
De amor?
Se eu morresse amanhã de manhã
Eu seria um enterro qualquer
Sem saudade, sem luto também...
Se eu morresse amanhã de manhã
Minha falta ninguém sentiria
Do que eu fui, do que eu fiz
Ninguém se lembraria

(Se eu morresse amanhã, Antonio Maria)

Suas composições estão marcadas por experiências amorosas dotadas de múltiplos sentidos: paixão, dor, saudades e abandono.

Das 62 composições de Antonio Maria gravadas, a maior parte foi sambas-canções, cantando a dor e amor, para alguns era uma técnica de sedução, para outros ele era realmente esse homem do seu tempo marcado pelas sensibilidades dessa época. Cada novo romance uma canção como "Suas Mãos" (1958) uma súplica de reconciliação com Dorothy Faggin (showgirl da Carlos Machado). "O amor e a Rosa" (1960) uma disputa amorosa com Sérgio Porto pelos carinhos de Rose Rondelli (do elenco da Mayrink Veiga, TV Rio e uma das certinhas do Lalau), e uma resposta a crônica de Sérgio "O Amante de Plantão".

Guarda a rosa
que eu te dei
Esquece os males
que eu te fiz
A rosa vale mais
que a tua dor
Se tudo passa
Se o amor acabou
A rosa deve ficar
Num canto qualquer
do teu coração
O amor renascerá

Pode-se relacionar pelo menos 10 obras primas de Antonio Maria: "Ninguém me ama", "As suas mãos", "O amor a Rosa", "Menino Grande", "Se eu morresse amanhã", "Frevo número 1 do Recife", "Valsa de uma cidade", "Canção da Volta", "Manhã de Carnaval", contudo, nos estudos sobre música brasileira as referências ao seu nome são esporádicas e praticamente imperceptíveis.

A Bossa Nova, gestada nas mesmas noites de Copacabana, procurando se impor enquanto novidade questionava o samba-canção e o atacava, particularmente como esse estilo cantava a dor, a desesperança. Criando a polêmica entre Antonio Maria e Ronaldo Boscoli.

Boscoli chamava Antonio Maria de "o único mulato careca do Brasil", o apelidou de "Galak, o chocolate branco" e "Eminência Parda". Não tardaram as respostas causticas de Maria em "O Jornal", que divulgava vibrando o fracasso do show de bossa nova no Carnegie Hall. Os enfrentamentos com Antonio Maria poderiam ter finais inesperados, como no episódio da boate Duvivier no Beco das Garrafas, lá se apresentava um show de Bossa Nova, quando Maria resolveu tirar satisfações com Boscoli, na hora H, Aloysio Oliveira saindo em defesa do amigo, urinou nos pés de Maria, que frente ao inesperado caiu na gargalhada, mas tudo acabou "em samba", ou melhor, em uísque no Little Club.

As divergências poderiam ter parado aí, mas a turma de Boscoli escolheu Antonio Maria como vilão e ele como brigão aceitou. Apesar de tudo, pode-se reconhecer o diálogo de Antonio Maria com Carlos Lyra, Tom e Vinicius de Moraes, e com outros letristas da frase enxuta, bem como as influências da linguagem cinematográfica e da poesia coloquial que passavam a marcar suas composições. Nesse sentido, cabe destacar "Manhã de Carnaval" (1958), parceria com Luís Bonfá, para o filme Orfeu Negro14, já num estilo cool-and-happy.

Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás
Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus
Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã
Deste amor

Antonio Maria freqüentava os shows de Johnny Alf na boate Plaza; apoiou os novos arranjos feitos por Tom Jobim para seus sambas-canções, de 1952 e 53; praticamente lançou Nora Ney, com seu timbre elegante e extensão vocal curta, um estilo diferente para época; era amicíssimo de Vinicius e admirador de Tom Jobin; após suas composições com Ismael e Bonfá, sem assumir, ele se aproximava cada fez mais da Bossa Nova.

Procuraram tirar a importância de Maria em outros dez sucessos pré-bossa novistas, em parceria com Ismael Neto, de Os Cariocas, quase todas em 1954, com ele compôs "Canção da Volta" e "Valsa de uma cidade", na qual a letra enxuta antecipa alguns versos da Bossa Nova:

Vento do mar no meu rosto
E o sol a queimar, queimar
Calçada cheia de gente a passar
E a me ver passar
Rio de Janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Desse céu, desse mar, dessa gente feliz
Bem que eu quis
Escrever um poema de amor
E o amor
Estava em tudo que eu vi
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz
Que eu
O meu amor
Que não me quis

Antes de tudo, ele era antenado com o seu tempo freqüentador da noite ouvia outros artistas e dialogava sobre o movimento com Vinicius e Dolores Duran, sua música foi se transformando, mas se sempre conectando com suas experiências afetivas e trajetória amores e desamores, aos poucos os desencontros amorosos foi deixando espaço para a paisagem do Rio, o olho da câmara cinematográfica e saindo da noite para o dia, focalizando o sol e o amanhecer, é o "Rio Amanhecendo", de 1954, depois desse ano faria pouco samba dor de cotovelo. "Carioca" de 1954 é encontro e a alegria de viver na voz de Dolores Duran:

Sou da noite do Rio
Da noite macia do Rio
Sou desse bar que me chama
Em nome de alguém que me ama
Da noite tão bonita dou graças a Deus
A rua que é meu mundo
A rua onde sou rei
A rua onde encontrei vontade de viver
Essa noite do rio
A noite bonita do rio
Me prende
Me toma em seus braços
Me ampara
Me ajuda meus passos

Mas "Ninguém me ama" ficou, marcaria seu nome.

Brasileiro Profissão Esperança

Em outubro de 1964, Miguel Gustavo procurou Antonio Maria para um convite, a produção de um programa de TV, Maria respondeu com um bilhete: "Nome Antonio simples telefone 36 12 55, mas só até o dia 14 porque saio do ar...", parece que estava prevendo.

Antonio Maria morreu de um enfarte fulminante no miocárdio na madrugada de 15 de outubro de 1964, na calçada da rua Fernando Mendes, em Copacabana, quando caminhava para o restaurante Le Rond Point, amigos saíram da boate O Cangaceiro e tentaram aplicar os primeiros socorros, mas em vão. Seu enterro no cemitério São João Batista foi acompanhado por centenas de pessoas.

"Brasileiro: Profissão Esperança" foi um espetáculo que rememorou suas canções e crônicas e as músicas de Dolores:

Antonio Maria e Dolores Duran se tivessem sido irmãos, não seriam tão parecidos. Os dois gostavam de viver mais de noite do que de dia, os dois faziam canções, os dois precisavam de amor para respirar, eram puxados pra gordo e, mesmo na hora da morte, os dois foram atingidos por um só inimigo: o coração. A obra que os dois deixaram, hoje espalhada pelos jornais e gravadoras do país, reflete essa indisfarçável identidade. Mas, prestando atenção nas coisas que eles disseram e escreveram e nas músicas que fizeram é que a gente descobre a expressão maior dessa semelhança: os dois se refugiavam do absurdo do mundo, que revelaram com humor e amargura, na desesperada aventura afetiva. O amor era o último reduto dos dois(15).

  1. Maria Izilda Santos de Matos é doutora em história pela USP, professora titular da PUC/SP, tendo pós-doutorado na Universidade de Lion II, França. Entre suas obras destacam-se Dolores Duran: experiências boêmias em Copacabana nos anos 50 (Bertrand Brasil), Ancora de Emoções (EDUSC), Meu lar é o botequim (Cia editora Nacional).

  2. MORAES, Antonio Maria Araújo de. "Roteiro de Copacabana", Pernoite crônicas de Antonio Maria. Rio de Janeiro, Martins Fontes, 1989, pp. 44-45.
  3. MORAES, Antonio Maria Araújo de. "Minha cidade", in Pernoite - crônicas de Antonio Maria, op. cit., p.91.
  4. No século XIX, o banho de mar não era hábito social difuso, mas terapia recomendada para tratamento de saúde. Fotos dos finais do século XIX já exibem banhistas, e há uma gradativa ampliação da ida à praia como forma de lazer e prática esportiva, mas somente depois da década de 40 é que a freqüência às praias se generaliza, sendo elas representadas enquanto espaço de beleza, sensualidade e prazer.
  5. MORAES, Antonio Maria Araújo de. "Roteiro de Copacabana". Pernoite - crônicas de Antonio Maria. Rio de Janeiro, Martins Fontes, 1989, pp. 44-45.
  6. Assim como a boemia da Lapa e do Estácio, a prática boêmia em Copacabana não era uniformizada pelo consumo de álcool ou de drogas. Antes de tudo, era um modo de vida musical e dançante.
  7. A boate Vogue funcionou na av. Princesa Isabel de 1947 a 1955. Iniciativa do barão austríaco Stuckart era identificada como um espaço da noite sofisticado, tornando-se um ponto obrigatório para o chamado café society, não só a elite tradicional, mas a de dinheiro novo, não só os cariocas, mas todos os que circulavam na Capital. SANTOS, Joaquim Ferreira. Antônio Maria. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 1996, p. 43.
  8. MORAES, Antonio Maria Araújo de. "Amanhecer em Copacabana", in Com vocês Antonio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994.
  9. MORAES, Antonio Maria. "Roteiro de Copacabana", op. cit., pp. 44-45.
  10. MORAES, Antonio Maria Araújo de. "Previsão à maneira de Prévert", in Com vocês Antonio Maria, op. cit., pp. 138-141.
  11. Novembro 1962 em O Jornal.
  12. Ninguém me Ama foi motivo de intensa disputa entre os dois, tudo começou em 1952, quando Antonio Maria decidiu dar parceria a Fernando Lobo, depois de 5 anos, devido a desentendimentos, revelou que não havia parceria alguma e a polêmica se estendeu envolvendo várias pessoas.
  13. É inquestionável a forte influência do existencialismo nos anos 50. Nesse sentido, as relações entre homens e mulheres centravam-se na procura de um amor perfeito e endoidecido, marcado por uma alegria melancólica, olhos marejados e um sentir nunca satisfeito.
  14. Ela é a canção brasileira mais conhecida internacionalmente depois de a "Garota de Ipanema", com mais de 500 regravações e o recorde 89 mil execuções no ano de 1970.
  15. CAMPOS, Paulo Mendes. "Dolores Duran, a musa da canção de fossa". Rio de Janeiro, Manchete, n. 1.184, 28/12/71.

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